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Tecnologia na educação

Edtech do professor Jubilut recebe aporte da Wiser e amplia uso de tecnologia no ensino

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Por Estela Benetti
23/12/2021 - 12h37 - Atualizada em: 23/12/2021 - 12h41
O professor Paulo Jubilut que vendeu parte da empresa que fundou para o grupo Wiser
O professor Paulo Jubilut que vendeu parte da empresa que fundou para o grupo Wiser (Foto: Wiser, Divulgação)

Estudantes que descobriram uma forma de aprender para o Enem e vestibular em aulas virtuais atrativas com o professor Paulo Jubilut terão conteúdo ainda melhor. Ele acaba de receber o grupo Wiser como sócio na empresa Aprova Total e, com mais recursos financeiros, amplia a oferta de aulas com audiovisual e o uso de inteligência artificial para ajudar o aluno a aprender no seu ritmo.

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O valor do negócio envolvendo a edtech sediada em Florianópolis não foi revelado, mas o acordo milionário com a Wiser, grupo do empresário carioca Flávio Augusto Silva, envolveu a venda de até 40% do capital da Aprova Total e a transferência do controle total em cinco anos, mantendo, depois disso, Jubilut como sócio. A Wiser, que também comprou recentemente a Conquer, escola voltada à nova economia, investe para ser o principal hub de edtechs do Brasil, revela Carlos Lazar, chefe de estratégias do grupo.

- A Wiser fez um bom aporte financeiro. Agora, a gente tem possibilidades de trazer novas tecnologias, contratar pessoas mais qualificadas e melhorar nosso time – diz o professor, que segue no cargo de CEO da Aprova Total e ministrando aulas.

O professor Paulo Jubilut se destacou ao ensinar biologia em aulas pelo YouTube, com didática e bom-humor. Ele tem mais de 3 milhões de fãs no Facebook, 2 milhões de inscritos no YouTube, cerca de 450 mil seguidores no Instagram e mais de 200 mil seguidores no Twitter. Ele segue como o principal âncora da Aprova Total, que está com quase 50 mil alunos.

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Nascido em Santos, São Paulo, mas radicado em Florianópolis, onde cursou ciências biológicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Paulo Jubilut, 41 anos, conta que virou empresário de edtech por acaso. Após 10 anos como professor de cursinhos pré-vestibular na Capital de SC, ele decidiu tentar a sorte em Curitiba, uma cidade maior. Foi contratado por um grande curso de lá, mas perdeu o emprego porque discutiu com uma aluna.

Então voltou para Floripa em 2011 com planos de mudar de profissão. Mas antes, decidiu gravar as aulas de biologia no Youtube para deixar “um legado para a humanidade”. A audiência das aulas foi tão grande que ele foi levado a abrir a empresa Biologia Total em 2013.

- Quando lancei a empresa foi um sucesso. Eu já estava famoso no Youtube. Foi um sucesso até financeiro. No primeiro dia eu vendi algo que eu não imaginava que teria aquele dinheiro, mas no outro dia vieram os problemas. A plataforma era toda cheia de problemas, as pessoas mandavam e-mail o dia inteiro. Não paravam de mandar. A gente respondia e eu comecei até chorar. Olhei para a Rafaela, minha esposa, e disse: preciso que você me ajude a responder e-mails. Aí ela ajudou e, depois, assumiu toda a parte de excel, planilhas, finanças e passou a administrar a empresa – revela ele.

Essas dificuldades em meio a boas vendas exigiram a contratação de mais pessoas. Hoje, a equipe tem 70 pessoas, entre as quais 15 professores e 10 desenvolvedores de sistemas que cuidam da parte tecnológica, incluindo os avanços em inteligência artificial.

Com o crescimento da procura na pandemia, em 2020 Paulo Jubilut e a esposa decidiram transformar a empresa em um pré-vestibular total, com todas as disciplinas. Também mudaram o nome de Biologia Total para Aprova Total. As vendas duplicaram. Essa mudança também passou a atrair atenção dos investidores e resultou no acordo com a Wiser.

- O EaD era mal visto, tinha fama de monótono. Mas a gente foi quebrando tudo isso. Usando uma linguagem moderna. A gente não usa quadro, não usa giz, usa muito animação, muito recurso audiovisual porque o vídeo permite isso. Eu não posso ser uma empresa inovadora em educação se eu repito o mesmo modelo de uma sala de aula. Nossas aulas são bem mais dinâmicas, mais rápidas e com muito mais conteúdo do que o presencial – explica ele.

Para aproveitar o uso da tecnologia nas aulas virtuais Jubilut já fez duas séries de vídeos de biologia, por exemplo. Foi à África filmar animais selvagens se alimentando de outros animais e também visitou os biomas do Brasil para mostrar suas características na natureza. Ele também esteve na conferência do clima na Escócia este ano.

Agora, com mais dinheiro, um dos planos da Aprova Total em audiovisual é filmar na Europa locais onde aconteceram as guerras. E para melhorar o ensino da matemática, serão feitos vídeos para mostrar a aplicação prática na infraestrutura, como num aeroporto, por exemplo.

Quem também ganha mais espaço na edtech é o uso da inteligência artificial (IA). A plataforma sugere ao aluno, por exemplo, que revise quatro vezes o conteúdo de cadeia alimentar porque cai com certeza no Enem.

Outra solução é a oferta de exercícios para o aluno fazer com grau de dificuldade crescente que só avança em dificuldade quando ele conseguir responder as questões fáceis. Isso é personalização do aprendizado de acordo com o ritmo de cada estudante, algo que as escolas presenciais não podem oferecer.

Outro destaque da IA é programa em que um aluno ensina para outro da plataforma e ganha pontos num ranking. Assim, foi criada uma comunidade colaborativa para esclarecer dúvidas porque só a participação dos professores não vence toda a demanda.

Plataforma com preço acessível

Segundo Paulo Jubilut, a plataforma Aprova Total, atenta às dificuldades da maioria das famílias brasileiras para investir em educação privada, oferece assinatura com preço acessível. O custo mensal para a programação completa é próximo de R$ 40 por mês. O valor é muito mais barato do que as mensalidades de cursinhos de alto padrão, que cobram de R$ 1.000 a R$ 1,5 mil por aulas presenciais.

Uma das maiores dificuldades para difundir mais o ensino virtual é o acesso à internet para famílias de menor renda. Isso significa que governos estaduais e municipais precisam ficar atentos e fornecer essa tecnologia para as instituições de ensino. Para colaborar com estudantes que não têm condições de fazer cursinho, governos poderiam fornecer bolsa de estudos para que eles possam se matricular em instituições virtuais como a Aprova Total e outras. Mas, para isso, precisam oferecer também acesso à internet.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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