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Reforma Administrativa

Décio da Silva faz alertas sobre reforma administrativa, inovação e outros temas

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Por Estela Benetti
05/09/2020 - 07h00 - Atualizada em: 05/09/2020 - 09h19
Décio da Silva
O empresário Décio da Silva, presidente do conselho de administração da WEG (Foto: Divulgação)

O empresário Décio da Silva, presidente do conselho da WEG, empresa que é a estrela da bolsa de valores do Brasil, a B3, este ano, foi claro ao falar sobre reforma administrativa do setor público e outros temas no painel virtual noº segundo fórum do Programa Travessia, da Fiesc, na última quinta-feira (03/09). Para ele, é preciso cortar altos salários agora. Não é suficiente reduzir só aos futuros servidores.

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– Os salários desproporcionais pagos a uma parcela do funcionalismo público, muitas vezes fruto de manobras para furar o teto de salários já estabelecido pela legislação, não podem mais ser tolerados. Da mesma forma, a progressão automática nas carreiras públicas apenas por tempo de serviços e descasados de incentivo à produtividade e a busca de resultados – disse Silva.

Segundo o empresário, o envio da proposta de reforma administrativa ao Congresso foi animador, mas a informação de que prevê incluir nas mudanas somente os futuros funcionários públicos e deixará de lado os atuais servidores é preocupante.

-O corte de gastos e o enxugamento da máquina pública são necessidades de hoje. Na verdade, são necessidades de ontem. Portanto, uma reforma que começa a ter efeito daqui a anos talvez não traga os resultados que todos nós aguardamos. Esperamos que as discussões no Congresso possam encontrar uma fórmula que garanta efeitos a partir de agora – afirmou o empresário.

Na sua palestra, Décio da Silva também falou de investimentos estratégicos, gargalos na infraestrutura, reforma tributária e defendeu as privatizações. Com o conhecimento de quem lidera um conglomerado global que investe em inovação em todas as áreas em que atua, o industrial fez importante alerta sobre a necessidade de o Brasil apoiar setores de alto impacto econômico, social e ambiental.

- Vivemos hoje uma verdadeira guerra mundial nos campos comercial e tecnológico. A guerra comercial está estampada todos os dias nos veículos de imprensa. Já a disputa tecnológica, menos visível, os governos de países como a Alemanha, Estados Unidos e China estão usando todas as ferramentas de apoio às suas industrias no campo da inteligência artificial, da indústria 4.0, da economia verde, das energias renováveis, da nano e biotecnologia, para citar alguns exemplos. Para que o Brasil possa ser uma das principais economias do futuro precisamos investir hoje. Nossas empresas precisam aumentar seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento e precisam do apoio e financiamento de fontes do governo, do Ministério da Ciência e Tecnologia, do Ministério do Desenvolvimento, da Finep e do BNDES. Isso será decisivo para que empresas de todos os portes, startups, institutos de pesquisa e inovação possam promover as transformações tecnológicas e digitais da economia brasileira – aconselhou Silva.

O empresário também afirmou que outro grande gargalo do Brasil e de Santa Catarina é a infraestrutura. Disse que há carências em todos os segmentos - portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, mas alertou que para o Estado a situação crucial, que perdura nas últimas décadas, é o gargalo do modal rodoviário. Ele tem causado severas dificuldades para o escoamento da produção. Afirmou que a pauta de infraestrutura da Fiesc tem como prioridade as BRs 282, 470, 101 e 280, eixos estratégicos ao desenvolvimento do Estado.

- Precisamos de muito apoio do governo federal. Gostaria de exemplificar pelo menos duas obras na agenda da Fiesc e do governo desde o fim da década de 90. A duplicação da BR-280 e da 470. Para isso fazemos um apelo para os ministros da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho que ajudem a concluir essas obras que estão em ritmo muito lento – explicou ele.

Sobre a reforma tributária, Décio da Silva disse que deve incluir impostos federais, estaduais e municipais, não elevar a carga e simplificar.

- O resultado final deve contemplar alguns princípios fundamentais. A reforma tem que ser neutra. Não deve contemplar aumento da carga tributária que tanto pesa sobre as empresas e os cidadãos, lembrando que o país já tem uma das maiores cargas tributárias do planeta. A reforma deve contemplar desoneração da folha de pagamento, tributo muito prejudicial ao sistema industrial e não deve acumular créditos tributários. Isso prejudica muito as indústrias, especialmente as de cadeia longa. Também deve desonerar completamente as exportações porque o Brasil precisa exportar mais – disse.

Como a WEG tem atuação global, Décio da Silva costuma fazer uma espécie de “índice Big Mac” sobre custo salarial da indústria, em reais, em importantes mercados do mundo. Segundo ele, atualmente, sobre o valor pago a trabalhadores na fábrica, considerando índice 100 para o Brasil, na China custa 72 e no México 61. Isso, considerando que a moeda brasileira está desvalorizada. Em outros períodos, essa diferença, que impacta diretamente no custo Brasil e dificulta inserção no mercado internacional, já foi bem maior.

O segundo fórum do Programa Travessia de quinta-feira, aberto pelo presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, teve também palestras do secretário de Estado da Fazenda de Santa Catarina, Paulo Eli; do secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Diogo Mac Cord; e do economista José Augusto Fernandes. 

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Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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