Entidades empresariais que representam o comércio e serviços consideram positivas restrições adotadas pelo governo do Estado no decreto número 1.218 de sexta-feira (19) para evitar aglomerações, inclusive a que escalonou horários do comércio e serviços visando menos ocupação do transporte público. Mas entendem que em cidades onde não há transporte coletivo é possível seguir com o horário tradicional de abertura de lojas e unidades de serviços. Essa alternativa é defendida tanto pelo presidente da Federação das Empresas de Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio-SC), Bruno Breithaupt, quanto pelo presidente do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC-Brasil), Roque Pellizzaro Junior.

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Na opinião de Breithaupt, ter uma regulamentação que se enquadre na realidade de cada região do Estado é importante. Por isso ele vê com bons olhos a possibilidade de adaptar o decreto às características regionais de cada município.

– O Decreto atual tem a boa intenção de evitar aglomeração e faz bastante sentido para grandes centros, que têm uma considerável circulação de pessoas no transporte público. Já nos municípios menores a rotina é diferente e isso precisa ser levado em consideração. É uma questão cultural até, existem lojas que fecham no horário do almoço e comércios que funcionam apenas até o meio dia de sábado – explicar Breithapt.

Segundo Roque Pellizzaro, a abertura do comércio das 10h às 20h para cidades grandes não é ruim. Mas ele alerta a maioria das cidades catarinenses é pequena, onde sequer há transporte público. Para essas, seria importante ter o comércio e serviços funcionando em horário normal, tradicional, para ter uma sintonia entre todas atividades, inclusive com a agricultura, que começa cedo e encerra cedo.

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Ele cita como exemplo a cidade de Curitibanos, que tem quase 40 mil habitantes e não tem mais transporte coletivo. A empresa que atendia a cidade teve que parar ano passado quando chegou a pandemia, meses depois tentou retomar e não teve clientela suficiente, o que motivou o encerramento das atividades. Como a cidade é centralizada (casas mais distantes ficam a quatro quilômetros do centro), todos se adaptaram com veículo próprio, carona ou em deslocamentos a pé.

De acordo com as projeções do IBGE, dos 295 municípios catarinenses, somente 36 tinham mais de 40 mil habitantes em 2020. Na opinião de Pellizzaro, seria importante considerar, por exemplo, as diferenças entre cidades como a maior de SC, Joinville, com população estimada de 597.658 habitantes e Frei Rogério, com 1.970 habitantes. A menor do Estado, segundo o IBGE, é Santiago do Sul, com 1.235 habitantes. O critério teria que ser oferta de transporte público ou não porque muitas cidades, mesmo pequenas, oferecem o serviço.

Questionado sobre a necessidade ou não de lockdown em Santa Catarina frente à lotação dos hospitais, Pellizzaro disse não concordar porque uma parada geral interrompe as cadeias produtivas, que depois demoram para retomar. Avalia também que o problema não está nas empresas, embora reconheça que é preciso restringir locais onde as pessoas se reúnem para beber e se aglomeram.

– A transmissibilidade no comércio é pequena. O problema é nas aglomerações festivas familiares, sociais e de balada, e também no transporte coletivo. Isso tem contaminado mais pessoas – afirmou.

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Na avaliação dele, a explosão de casos de Covid-19 em SC e o colapso do setor de saúde ocorreu em função de três eventos que geraram muitas aglomerações, que poderiam ter sido evitadas: eleição em dezembro, festas de final de ano e Carnaval. Na avaliação do empresário, isso fez a doença atingir mais fortemente as classes A e B. Para o empresário, que desde o início da pandemia trabalha em home office numa fazenda no interior de Matos Costa, a eleição municipal deveria ter sido postergada para o final deste ano.

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