Em agosto do ano passado, o início da alta do dólar e os elevados gastos públicos federais entraram no radar do Banco Central como fontes de geração de inflação e motivaram a volta do aumento dos juros básicos, a Selic. Agora, o dólar alto e ainda efeitos da subida da moeda no ano passado seguem como principais causadores de pressão inflacionária nos preços de supermercados, revela Lucas Pereira, diretor de compras do Grupo Pereira, sétimo maior grupo supermercadista do Brasil, que atua com as redes Fort Atacadista e Comper em SC, RS, SP, MT, MS e Distrito Federal.

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Responsável pelas negociações de compras com todos os fornecedores do grupo, Lucas Pereira diz que a maioria atribui a alta ao dólar, que impacta na variação de preços porque são commodities internacionais como milho, soja, cacau e café; impacta nas embalagens feitas por matérias-primas cotadas em dólar; insumos dolarizados; e também diretamente em produtos importados, que sofrem variação da moeda americana, como azeite, vinhos e outros.

O diretor falou com a coluna na noite desta terça-feira, durante a inauguração da quinta loja da rede Fort Atacadista, no bairro Rio Tavares, em Florianópolis. Questionado se está vendo logo aí o fim das pressões inflacionárias no Brasil em função da alta taxa de juros Selic, já em 13,25%, o empresário foi categórico ao dizer que as reduções ou estabilizações de preços ainda não começaram. E que existe uma grande dúvida do mercado sobre como vai se comportar o dólar este ano.

– Tem uma pressão inflacionária na economia. Juros altos, dólar alto, incertezas, política fiscal complexa. Várias matérias-primas e produtos que seguem aumentando de preço. É o caso do café, por exemplo (que foi impactado pelo clima). É um dos produtos que mais aumentou e continua em alta. Em breve, o meio quilo do produto vai passar de R$ 30 nas gôndolas dos supermercados – afirma o diretor comercial do Grupo Pereira.

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Segundo ele, o cacau também subiu. Teve alta de 60% e pressiona custo de achocolatados. E, mais recentemente, os ovos ficaram mais caros em cerca de 40% devido a problemas climáticos e a alta do milho, cujo preço é pressionado pelo dólar.

As proteínas também estão mais caras. As carnes bovinas subiram 20,84% em 2024, segundo dados do IPCA (inflação oficial). Para oferecer produtos com preços mais acessíveis, Lucas Pereira informa que o grupo tem aumentado a oferta de carne suína e carne de frango, porque toda proteína no Brasil é de alta qualidade.  

O executivo explica que a margem do setor supermercadista é a mesma, o setor é apenas intermediário. Quem repassa os preços são os fabricantes, os fornecedores, enquanto os supermercados pressionam para que não aumentem ou aumentem menos para não impactar os consumidores.

– A gente reluta para repassar preço. Briga com os fabricantes. Faz antecipação de volume. Quando a gente sabe que vai aumentar, a gente se estoca mais. Apesar de ser complicado trabalhar com um inventário maior quando os juros estão altos como agora, a gente se estoca para poder manter um preço baixo – detalha ele.

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Ainda sobre os preços dos produtos, em alguns casos as empresas supermercadistas optam por venda sem margem de lucro e, quando fazem promoção temporária, tem produto com margem negativa, ou seja, preço abaixo do custo para favorecer consumidores.

Além dessa questão de preços dos produtos, as empresas do setor também trabalham para ter baixos custos operacionais e, assim, poder praticar preços menores aos clientes, observou também o diretor.  

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