A pressa do Congresso Nacional e do governo federal para analisar e votar a redução da jornada de trabalho 6X1 preocupa o setor empresarial de Santa Catarina. Em reunião nesta segunda-feira, o Conselho das Federações Empresariais (Cofem) mostrou preocupação sobre falta de discussão técnica e citou série de pesquisas que mostra impactos profundos e negativos para a economia. Entidades temem decisão precipitada em ano eleitoral.
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A redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 36 horas semanais, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE) mostra que considerando apenas o fator trabalho, vai gerar uma queda de até 11% no Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apurou que o setor industrial terá um custo de R$ 178 bilhões por ano a mais caso a jornada passe para 36 horas semanais.
A Federação das Associações Empresariais (Facisc) fez um levantamento segundo o qual 71% dos empregos em Santa Catarina são com contratos de 41 horas a 44 horas semanais enquanto a média nacional é 60% com 44 horas semanais. Na indústria de SC, 86% dos contratos são com 44 horas semanais, apurou o observatório Fiesc.
Cálculos do setor produtivo de SC mostram que essa redução de jornada prevista vai elevar em 25% o custo de empregar no estado. Além disso, SC tem a menor taxa de desemprego do Brasil, 2,3% no terceiro trimestre de 2025, o que significa que não tem profissionais no mercado para contratar. A Federação das Empresas de Transportes (Fetrancesc) destacou que no Brasil, em 10 anos, caiu 1,2 milhão o número de motoristas profissionais. Em 2015, eram 5,6 milhões e, em 2025, caiu para 4,4 milhões.
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Os líderes do Cofem também citaram países europeus, que têm jornada maior que a atual do Brasil. Alemanha, Holanda e Dinamarca têm jornada de 48 horas semanas. A França reduziu para 35 horas semanais em 2000, mas está pensando em subir porque pequenas e médias empresas não estão conseguindo trabalhar assim. Elas pagam 4 horas a mais por semana para os negócios funcionarem.
São obstáculos relevantes que se somam num país em desenvolvimento em que a produtividade é baixa e a insegurança jurídica é alta no setor de trabalho. Por isso é preciso analisar melhor e uma mudança de lei teria que ser decidida fora do período eleitoral.
Fazem parte do Cofem as Federações das Indústrias (Fiesc), do Comércio (Fecomércio), da Agricultura (Faesc), dos Transportes (Fetrancesc), das Associações Empresariais (Facisc), das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), das Micro e Pequenas Empresas (Fampesc), mais o Sebrae-SC.
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