O jovem empresário catarinense Fernado Füchter, 46 anos, que faleceu precocemente em função da doença rara chamada esclerose lateral amiotrófica (ELA), foi sepultado nesta terça-feira (07-11), em Florianópolis. Ele nasceu em Tubarão, Sul de Santa Catarina e, nas últimas décadas, mudou para a capital do Estado com a família, atuando no setor de comércio de veículos e tecnologia.

Continua depois da publicidade

Hora antes da despedida no Cemitério Jardim da Paz, o irmão mais velho, Nelson Füchter Filho, e amigos, falaram para a coluna sobre a trajetória de Fernando, do jeito que enfrentou a doença e do livro que escreveu com os olhos e será publicado. (Veja galeria de fotos no fim desta matéria)

Receba as notícias de Santa Catarina pelo WhatsApp

O jovem empresário

Conforme Nelson Filho, o Fernando, como empresário, era corajoso e empreendedor. Ele era o diretor comercial da Le Monde, empresa da família que atuou até em outubro de 2019 como concessionária da montadora Citroën em Santa Catarina. Era apaixonado por vendas, a área que gerava a receita da companhia.  

Continua depois da publicidade

– Era por ele que passava todo o faturamento da empresa. Para o Fernando, não tinha tempo ruim. Quando tinha problema, ele sempre resolvia. Atuava como vendedor com uma habilidade impressionante. Uma mostra disso é essa despedida agora, com uma legião de amigos. Geralmente, o comércio é um lugar meio difícil, mas ele fazia de cada negociação uma coisa tranquila, por isso tinha amigos inclusive na concorrência – revela o irmão mais velho.  

– O Fernando conduzia as vendas com ética, com respeito e muita tenacidade. Mas vendia mesmo, não perdia negócio. Ao mesmo tempo,  tinha um coração enorme, um carinho pelas pessoas. Um dos traços mais marcantes dele era a humildade. Isso fez dele um colecionador de amigos – conta Nelson Filho.  

O empresário Jacinto Silveira, amigo e sócio de Nelson Filho, que ele chama de Nelsinho, e também da família Füchter, diz que mesmo doente, Fernando sempre opinou sobre os negócios. Acompanhava diversos sites do setor lendo com ajuda de um software no computador.

Jacinto e Nelson inauguraram em 24 de outubro último a empresa Fever, que comercializa em todo o Brasil veículos elétricos para logística. Eles receberam muitas colaborações a partir das pesquisas de Fernando.

Continua depois da publicidade

– A gente tinha um combinado eu e o Nelsinho. O Fernando foi um entusiasta dessa ideia, sempre deu muita força para o Nelsinho avançar nesse projeto. E o Fernando, se conseguisse se recuperar, seria nosso sócio. Foi uma pena! Mas ele ajudou bastante. Ele opinava, estava sempre com o Nelsinho, que trazia para a empresa as novidades pesquisadas pelo Nando – afirmou Jacinto Silveira.

A amizade entre eles surgiu no associativismo empresarial em Tubarão. Jovens da cidade fundaram em 1988 a Associação dos Jovens Empresários de Tubarão (Ajet). Foi a primeira de jovens empresários do Brasil  que, mais tarde foi abraçada pela Federação das Associações Empresariais de SC (Facisc).

Foi como sócios da Ajet que Nelsinho Filho e Jacinto Silveira se conheceram e ficaram amigos. Os dois presidiram a associação. Nessa convivência, Jacinto Silveira e outros empresários também ficaram amigos de Fernando, que estava quase sempre junto com o irmão.

Entre esses amigos está, também, o empresário Sander de Mira, ex-presidente da Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), que se aproximou deles em função das associações de jovens empresários que foram criadas em diversas cidades de Santa Catarina.

Continua depois da publicidade

– Nos conhecemos em função da Ajet. Anos depois, fundamos a Associação de Jovens Empresários de Florianópolis. Aí a gente se aproximou muito. Esse movimento aproximou muitos jovens no Estado. O Nelsinho e o Fernando vieram juntos porque eles sempre trabalhavam juntos – destacou Sander.

Para ele, entre os pontos altos da família Füchter estão a união e a governança. Eles eram jovens e jovem sempre pensa diferente, mas eles eram superunidos. Tinham uma estrutura familiar muito harmônica, bons exemplos dos pais e avós, observou Sander.  

A surpresa da doença rara

Fernando Füchter tinha um ritmo acelerado de trabalho, mas quando vieram os sintomas e o diagnóstico da doença tudo mudou. A confirmação de que era ELA foi em abril de 2021. Segundo Nelson Filho, o irmão faleceu dois anos e meio após o diagnóstico, mas alguns sintomas começaram a aparecer cerca de seis meses antes.

Ele começou a ter câimbras, fadiga, dificuldades para respirar. Mas cada especialista apontava uma causa, nunca olhando pelo lado do neurônio motor, que é o que causa a esclerose.

Continua depois da publicidade

– Depois de um tempo, médicos de Florianópolis e São Paulo identificaram que se tratava de esclerose lateral amiotrófica (ELA) e que o prognóstico dele era de oito a 10 meses de vida porque tinha a forma mais agressiva da doença. Mas não nos conformamos com isso. Buscamos medicamentos no mundo inteiro, ele queria muito viver. Se submeteu a mais de uma dezena de tratamentos diferentes, difíceis. Isso tudo porque queria viver. Conseguiu dois anos e meio de vida, bem mais do que o prognóstico médico – detalhou Nelson Filho.

Livro escrito com os olhos

Apesar da doença, Fernado Füchter seguiu lúcido até o último dia de vida, quando faleceu na UTI do Hospital Baía Sul. Para se comunicar, escrevia com a ajuda de um software que define letras por meio do piscar de olhos.

Era assim que ocupava o tempo, fazendo pesquisas na internet e lendo. Também escrevia sobre a doença, a vida, as emoções. Como sabia que poderia partir, escreveu uma autobiografia, repleta de mensagens para a família e conselhos de que é importante viver o presente.

– O livro que o Fernando escreveu na cama revela muito da essência dele, do propósito de vida, do que ele queria deixar como legado para as pessoas. Agora, a gente vai preparar esse livro e editar para distribuir principalmente para os amigos – afirmou Nelson Filho.

Continua depois da publicidade

– Ele deixou duas filhas, a Manuela, com 11 anos, e a Marina, com sete anos, além da esposa Bruna. No livro, ele dá muitos sinais do que ele espera que aconteça no futuro com as filhas – contou ele.

Mesmo com as dificuldades da doença, com grande sacrifício, ele não se entregava. Segundo o irmão, Fernando esperava por um milagre. Mas, há duas semanas atrás, pediu para ser internado no hospital porque estava no limite.

– Falou: acho que Jesus está me chamando. Ficou na UTI sob cuidados intensivos e perdeu a consciência somente algumas horas antes de falecer. Ele foi tranquilo. Eu acredito que nesses dois anos ele se preparou. Era cristão. Se aproximou muito de Jesus Cristo. Mas nunca, nunca pediu para morrer, sempre pediu para viver. Pedia para Jesus Cristo atender ele com um milagre. Tanto que a última frase do livro é:”Eu vou para o hospital, eu vou dormir a partir de hoje, mas se por um acaso vocês verem alguns dos dedos da minha mão se mexerem, é um milagre que está chegando. Aí, me acordem! – revelou o irmão.

Para Nelson Filho, Fernando esperou a inauguração da Fever em 24 de outubro e, também, o aniversário da filha Manu, de 11 anos, dia 28 de outubro. A família ficou surpresa e triste com a doença, que veio da forma mais dura. Mas, com fé, aceita a realidade da partida precoce.

Continua depois da publicidade

Além das filhas e esposa, Fernando deixou os irmãos Nelson e Rodrigo, e os pais Nelson e Dorotéia Füchter. A família tem três gerações de empresários do setor automotivo, com atuação na venda de veículos há mais de 60 anos em Tubarão, Florianópolis e em outras regiões de Santa Catarina. Agora, segue com a Fever, com veículos elétricos importados e vendas em todo o Brasil.

Imagens do empresário e familiares

Publicidade

Além de muita informação relevante, o NSC Total e os outros veículos líderes de audiência da NSC são uma excelente ferramenta de comunicação para as marcas que querem crescer e conquistar mais clientes. Acompanhe as novidades e saiba como alavancar as suas vendas em Negócios SC

Leia também

Governador cumpre agenda econômica em Brasília

Agenda da Água 2023 coloca o desafio de gestão bilionária de obras e saneamento em SC

Empresário Fernando Füchter, que faleceu nesta segunda, recebeu homenagem da família há poucos dias

“Temos problema muito sério de produtividade na pequena empresa”, alerta diretor do Sebrae SC

Angeloni abre empresa de construção e define primeiro empreendimento

Empresa catarinense de tecnologia vai abrir unidade na Finlândia

Destaques do NSC Total