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    Entrevista

    Intelbras investe R$ 170 milhões em fábricas, a maior parte em São José e Tubarão, informa o presidente

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    Por Estela Benetti
    04/04/2021 - 12h04 - Atualizada em: 04/04/2021 - 12h08
    Altair Silvestri, presidente da Intelbras
    Altair Silvestri, presidente da Intelbras (Foto: Intelbras, Divulgação)

    A Intelbras, empresa de São José, Grande Florianópolis, estreou na bolsa de valores brasileira, a B3, este ano, com desempenho positivo e potencial para ser um dos principais players de tecnologia do país no mercado acionário. Isso porque a atuação dela vai desde centrais e aparelhos telefônicos, até softwares de monitoramento para segurança, equipamentos para vigilância, sistemas de geração solar, tecnologias para banda larga e oferta de serviços de tecnologia.

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    Em entrevista para a coluna, o presidente da companhia, Altair Silvestri, informa que os investimentos deste ano em fábricas vão somar R$ 170 milhões: R$ 40 milhões em Tubarão (SC), R$ 65 milhões em ampliação em São José, R$ 35 milhões em Santa Rita (MG) e R$ 25 milhões em Manaus. A companhia também projeta crescer com aquisições e para o biênio 2021-2022 prevê investimentos da ordem de R$ 700 milhões nas diversas áreas de atuação.

    No primeiro balanço na B3, a Intelbras apresentou lucro líquido de R$ 327,9 milhões (73% maior que em 2019) e receita líquida de R$ 2,1 bilhão, 25,7% maior que a de 2019. Saiba mais sobre os planos da empresa, política de pessoal e inovação na entrevista a seguir.

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    Como foi a estreia da empresa na bolsa de valores, a B3, e o primeiro balanço apresentado?

    - Foi um esforço muito grande para entrar na bolsa no começo do ano, dividir o tempo entre a gestão da empresa com a atenção aos investidores. O nosso primeiro balanço, do ano passado, primeiro ano da pandemia, foi positivo. Em 20 de março, quando começamos a enfrentar o impacto da chegada do novo coronavírus levamos um susto, começamos a segurar compras de matérias-primas, reforçamos o caixa para financiar os clientes. No mês de abril atingimos quase 50% da nossa meta, no mês de maio atingimos 80% e a partir de junho já começamos a superar metas, começou a ficar 100% acima do que tínhamos orçado. A mudança de comportamento de usuários, muitos trabalhando em home office, exigiu a instalação de milhões de escritórios em residências no país, com comunicação e banda larga. As pessoas também adquiriram para residência mais produtos de controle de acesso, de segurança. Isso aqueceu nossas vendas.

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    Que produtos para comunicação oferecidos pela Intelbras que foram mais procurados na pandemia?

    São produtos para banda larga. Entra toda a família de roteadores, produtos para acesso, itens para fibra ótica... Os provedores são nossos clientes. Fornecemos também equipamentos para videoconferência, audioconferência, equipamentos de telecom. Todos esses produtos tiveram aumento de consumo.

    A companhia também ingressou há poucos anos no segmento de usinas de geração solar. Como foi 2020 nesse setor?

    Na energia solar nós chegamos a estudar a compra de uma empresa e desistimos. Achamos que a ideia não era boa. Mas em meados de 2018, 2019 decidimos entrar nessa área, principalmente por conta dos baixos juros. O consumidor, além de ter uma energia limpa e renovável, tem um retorno muito grande. Em quatro anos e meio todo o investimento está pago.

    Como foi o desempenho da Seventh, empresa de tecnologia de Florianópolis que vocês adquiriram em julho de 2019?

    A Seventh segue com vida própria, independente. Claro, com uma gestão um pouquinho diferente, mas com toda a ajuda, colaboração e apoio da infraestrutura da Intelbras. Ela foi muito bem no seu primeiro ano completo, teve um aumento de 60% na receita. Veio para somar, fornece softwares para sistemas de portaria remota, que é uma área que vem crescendo muito.

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    A Intelbras tem projeto de uma nova fábrica em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. O que o senhor pode antecipar sobre essa unidade?

    - Um dos nossos projetos de investimentos para este ano é uma nova fábrica em Tubarão, no Sul de Santa Catarina. Vamos concentrar nessa unidade a produção de itens para energia, não do segmento de energia solar, mas equipamentos como nobreakes, estabilizadores, fontes e outros produtos para conexão de energia. É uma estratégia nossa para não concentrar todos investimentos somente numa fábrica e, assim, reduzir riscos. Essa unidade vai receber investimento da ordem de R$ 40 milhões e serão gerados inicialmente 80 empregos diretos. A tendência é aumentar esse número com mais vagas, conforme for ampliada a produção, em novas etapas.

    Quanto a empresa investirá este ano em fábricas, considerando outros projetos?

    Somente em fábricas, nossos investimentos em 2021 serão de R$ 170 milhões. Além dos R$ 40 milhões em Tubarão, estamos fazendo uma nova fábrica em Manaus orçada em R$ 25 milhões, uma em Santa Rita, Minas Gerais, de R$ 35 milhões e vamos fazer uma ampliação em São José, um investimento de R$ 65 milhões.

    Vocês reduziram investimentos no ano passado, em função da pandemia? Quais são os planos?

    No período de março até junho a gente segurou todos os investimentos. Quando a economia retomou, a gente voltou com todos os nosso planos. Agora, começamos com carga total nos investimentos nas fábricas, novas aquisições serão feitas e vamos ampliar as áreas de Naas (serviços de network) e SaaS (serviços de software). Somando tudo o que temos previsto para os próximos 18 meses, nossos investimentos serão por volta de R$ 700 milhões.

    O senhor falou também sobre investimentos em aquisições. Que perfil de empresas vocês estão buscando?

    São pequenas e médias empresas de tecnologia, que venham a somar com o portfólio da Intelbras. São empresas que possam gerar mais receita recorrente, que vendam soluções e tragam mais expertise para nós.

    Quantas pessoas a Intelbras emprega atualmente e que perfil de trabalhador busca?

    Atualmente, nós temos um quadro de 4.500 colaboradores nas diversas unidades. O perfil que buscamos para novas vagas é amplo, vai desde pessoas com ensino médio completo para trabalhar na fábrica, até engenheiros, engenharia de produtos, administradores, pessoal para vendas, finanças. As nossas necessidades são bastante amplas. Nossa maior dificuldade é contratar engenheiro de software porque com esse negócio de trabalho em home office, o mundo inteiro está contratando esse pessoal para trabalhar em qualquer parte do mundo, pagando em dólar (cerca de US$ 4 mil), o que torna essa mão de obra mais escassa.

    Quanto a mercados, vocês estão mais concentrados no Brasil. Como estão as exportações?

    Nós exportamos muito pouco. Nosso foco é aqui no Brasil, onde está toda nossa estratégia de crescimento, temos ampliações em novas áreas, o nosso foco é o mercado nacional. No exterior, atuamos apenas no Mercosul, onde temos um projeto que está avançando, mas representa muito pouco.

    Como são os investimentos da empresa em tecnologia e inovação?

    Temos uma equipe top para inovação, um dos maiores centros de pesquisas da América Latina ou até do Hemisfério Sul. Dentro do nosso ramo de eletrônica, temos mais de 400 engenheiros trabalhando no desenvolvimento de produtos novos. Realmente, somos uma empresa inovadora. Atualmente, 80% dos produtos que nós fabricamos e vendemos são feitos no Brasil, e por volta de 60% de tudo que nós vendemos é tecnologia desenvolvida por nós. Os outros 40% são tecnologias desenvolvidas com parceiros, de modo que todo produto que nós vendemos tenha participação nossa. Temos mais de 2 mil produtos. Nesse último ano, lançamos uma média de um produto por dia.

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    Esse perfil tecnológico da empresa chamou a atenção do mercado financeiro. Há quem vê características e potencial parecidos com os da WEG. É isso mesmo?

    É bem isso. Existem muitos investidores, muitos novos no processo que compararam a gente com a WEG. A Intelbras é uma empresa sólida, nos últimos 10 anos tem alcançado crescimento médio de 20% ao ano, é uma empresa consistente, que sempre tem crescido de forma segura, com qualidade. Então, é uma empresa que chama a atenção dos investidores do mercado financeiro.

    O Brasil está com muitas dificuldades para enfrentar a Covid-19 e isso tem afetado a economia. Como o senhor está vendo esse cenário para a empresa?

    No ano passado, a economia brasileira caiu 4,1% e nós crescemos 26%. A gente sempre meio que se descola da economia através do desenvolvimento de novas tecnologias, atendimento de novas necessidades, soluções que agradam o consumidor, coisas que realmente venham de encontro com o interesse do público. Um exemplo é a nossa entrada na energia solar, uma tecnologia que traz economia para opta por ela. É lógico que uma economia melhor do país nos ajudaria, mas acredito que temos como ano continuar crescendo como nesses últimos 10 anos.

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