A gigante global de alimentos JBS, por meio da sua controlada JBS Terminais, sinaliza que entrou na atividade portuária para ficar. Depois de assumir o terminal de contêineres do Porto de Itajaí, em Santa Catarina, e reativar a movimentação em apenas 14 meses, agora se prepara para participar de dois leilões: o de longo prazo do próprio Porto de Itajaí, e do Tecon 10, um novo e grande terminal do Porto de Santos, ambos previstos para 2026. As informações são do presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior, que falou com a imprensa nesta terça-feira sobre o momento atual e cenários para a empresa.
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A JBS Terminais iniciou a movimentação de cargas no Tecon do Porto de Itajaí em 11 de outubro de 2024, já investiu R$ 150 milhões para essa retomada e formou uma equipe de 600 pessoas. Em 2025, primeiro ano inteiro de atividades, alcançou movimento de 384,4 mil contêineres, superando a atividade do último ano do operador anterior. Conta atualmente com 10 rotas de navios.
Veja mais fotos sobre a JBS Terminais no Porto de Itajaí:
– Nós somos o maior arrecadador de ISS (Imposto Sobre Serviços) do município. Atualmente, nossa folha de pagamento, contando todos os funcionários, está em torno de R$ 50 milhões por ano. Então a gente está devolvendo isso para a economia da cidade, tudo aquilo que se fala, desde o pãozinho aí da padaria, do barzinho etc… que é o microempreendedor que faz esse negócio realmente acontecer. A JBS devolveu a moral para o município de Itajaí, após longo período de inatividade do porto. Agora a confiança dos clientes já está restabelecida – destacou Aristides Russi Junior.
Para o ano de 2026, o executivo destaca que a empresa seguirá fomentando a atividade econômica e investindo nas pessoas, no social, com ênfase em empregabilidade, educação, e apoio a projetos esportivos, culturais e sociais.
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Após dois anos de inatividade do porto por dificuldades em leilão para concessão temporária, o Grupo JBS assumiu o Tecon provisoriamente e criou a empresa específica para o setor, a JBS Terminais. Como dois anos seria muito pouco para oferecer confiança na movimentação de cargas, a empresa obteve uma prorrogação de mais dois anos ou até a realização do leilão previsto para este ano.
O governo federal fará um leilão para concessão do terminal, com prazo de 35 anos, prorrogável por mais 35 anos. O presidente da JBS Terminais disse que a empresa tem interesse em continuar como operadora do porto, mas para isso terá que vencer o leilão, para o qual ainda não conhece as exigências.
– Estamos aguardando, obviamente, os papéis do edital. Estamos trabalhando na modelagem. Temos expectativas, mas precisamos entender qual será o formato do leilão, quão aderente ele está à nossa estratégia de futuro, para nós entendermos se nós somos o player ideal para manter as operações. Gostaríamos de permanecer aqui, mas precisamos entender se é aderente ao nosso modelo – afirmou o executivo.
Além disso, outra grande expectativa da JBS Terminais é sobre o projeto de dragagem do canal do Complexo Portuário Itajaí, que inclui também a Portonave, de Navegantes, e outros terminais privados. A previsão é de que seja lançado um edital definitivo em 15 de fevereiro para a concessão da dragagem, que visa aprofundar o calado para 16 metros, permitindo a entrada de navios maiores, de 366 metros de comprimento.
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Aristides Russi Junior também comentou sobre as dificuldades logísticas fora do porto, que é o sistema rodoviário insuficiente para a chegada de caminhões até o porto. Segundo ele, a empresa está em constante contato com o governo do estado, que vem fazendo algumas obras e lançou a nova rodovia Via Mar. Disse que o porto não tem perdido cargas em função da falta dessa logística adequada, mas reconheceu que as empresas têm custos maiores porque têm que enfrentar engarrafamentos de até seis horas na BR-101.
Sobre a participação da JBS Terminais no leilão do Tecon 10, em Santos, ele afirmou que a empresa tem interesse, mas precisa avaliar uma série de condições e ainda não tem todas as informações necessárias. A previsão é de que seja o maior terminal de contêineres do Brasil, com capacidade para movimentar 3,2 milhões de TEUs por ano. Mas ele observou que existem dúvidas até se essa capacidade prevista poderá ser alcançada.
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