A economia azul, nova denominação para atividades ligadas ao mar, é forte e diversificada em Santa Catarina. Para dinamizar ainda mais esse setor, o Sebrae/SC e a Associação Náutica Brasileira realizaram o “Estudo Foresight da Indústria Náutica” do estado e lançaram o Plano de Ações Estratégico ao setor. Ele propõe para os próximos 10 anos, de 2025 a 2035, o desenvolvimento de um distrito industrial náutico e incentivo à economia circular e regenerativa.

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Os resultados desse planejamento foram apresentados a lideranças do setor em reunião em Florianópolis terça-feira. O estudo mapeou tendências futuras, cenários e oportunidades ao setor para subsidiar políticas públicas sustentáveis, voltadas à inovação e competitividade.  

— O que apresentamos é um mapa estratégico para o futuro. Este estudo, construído em uma sólida parceria com a Associação Náutica Brasileira, traz a clareza necessária para tomar decisões e direcionar investimentos que irão posicionar Santa Catarina como uma referência nacional e internacional na economia azul. Não se trata apenas de fortalecer um setor, mas de construir um ecossistema costeiro e marítimo mais inovador, sustentável e competitivo, gerando novas oportunidades para os nossos empreendedores e desenvolvimento para o estado – afirma o diretor superintendente do Sebrae/SC, Carlos Henrique Ramos Fonseca.

Com 531 quilômetros de litoral, Santa Catarina é exemplo de desenvolvimento da economia do mar, destacou o diretor do Sebrae/SC. O estado conta com a maior indústria pesqueira do país e responde por 90% das ostras produzidas no país. O planejamento estratégico visa fortalecer ainda mais essa economia.

De acordo com o estudo, Santa Catarina conta com 84 indústrias de embarcações de esporte e lazer que responderam por 80% das exportações de barcos e iates do país em 2024. Também conta com estaleiros de grande porte que produzem embarcações de apoio a plataformas de petróleo e fragatas para defesa.

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A economia azul como um todo em SC conta 60.203 pequenas empresas em diversos setores ligados ao mar, incluindo agropecuária, construção civil, indústria náutica, atividades imobiliárias, hotelaria, alimentação, atividades profissionais, cultura, esporte e recreação.

O responsável por executar o estudo, o consultor do Sebrae e mestre em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Católica de Milão, Emilio Beltrami, destaca a importância do conceito de circularidade para o desenvolvimento do distrito náutico em Santa Catarina.

– A lógica é clara: ao adotarmos a economia circular, as empresas reduzem seus custos e a geração de resíduos industriais, o que permite que o Estado e o município ofereçam incentivos às empresas circulares. Este modelo, que já funciona na Europa, é uma base para nossa iniciativa – explica ele.

Para o presidente da Actmar, Leandro Mané Ferrari, esse estudo é um marco porque dá ao setor náutico algo que a entidade sempre defendeu, base técnica e estruturada para crescer de forma sustentável, com geração de emprego, renda e inovação em toda a cadeia produtiva. Ele diz que apesar de o estado ter um setor náutico forte, um distrito industrial vai fortalecê-lo ainda mais porque inclui mais vantagens competitivas.

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– O que existe hoje entre Itajaí e Navegantes se aproxima muito de um embrião de distrito industrial náutico. A região concentra estaleiros, fornecedores, prestadores de serviços e uma infraestrutura portuária e de marinas que já formam um ecossistema altamente produtivo. O desafio é que ainda é tudo muito disperso, sem um zoneamento específico, gestão integrada ou incentivos que potencializem essa sinergia entre as empresas.
O distrito industrial náutico formalizado viria justamente para organizar, conectar e impulsionar o que já existe, criando uma governança compartilhada, otimizando recursos como áreas de apoio, logística, certificações, capacitação técnica e centros de inovação, projetando o polo Itajaí–Navegantes como uma referência internacional de competitividade e cooperação – destaca Mané Ferrari.

O estudo faz parte do Projeto de Economia Azul, do Sebrae/SC que conta com um investimento de R$ 1 milhão e parcerias estratégicas com as prefeituras de Florianópolis e Itajaí para consolidar um ecossistema voltado ao desenvolvimento costeiro e marítimo do estado.

De acordo com o Sebrae, o projeto atende atualmente mais de 40 empresas e se divide em eixos estratégicos que incluem o setor Náutico, a produção de algas (algicultura), qualificação de empreendedores (ambulantes de praia) e o apoio à certificação Bandeira Azul para praias e marinas.

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