Santa Catarina encerrou 2025 com crescimento de 3,5% no Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR-SC), que é apurado pelo Banco Central e considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). O desempenho do estado ficou 40% acima da média nacional, que cresceu 2,5% no ano, mais do que o mercado estimava.
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Em SC, as três principais atividades consideradas no indicador tiveram altas maiores do que no Brasil. O comércio catarinense cresceu 5,9% enquanto no Brasil a variação ficou em 1,6%. Na indústria, a alta chegou a 3,2% no estado e 0,6% no país e nos serviços, o crescimento também ficou em 3,2% enquanto o Brasil cresceu 2,8% no ano.
O empresário Gilberto Seleme, presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), entidade que acompanha mensalmente esse índice, atribui à diversidade econômica catarinense esse resultado acima da média mais uma vez.
– A diversificação produtiva do estado permitiu que alguns setores pudessem aproveitar conjunturas positivas específicas e equilibrar efeitos negativos, como o tarifaço e a elevada taxa de juros – analisa o presidente Fiesc, Gilberto Seleme.
O comércio foi o setor que alcançou a maior alta no ano, 5,9% frente a 2024, o ano anterior. Esse maior desempenho, na avaliação do economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, foi resultado da sustentação do consumo das famílias, que tiveram crescimento real de renda diante da desinflação de alimentos. Além disso, o mercado de trabalho seguiu aquecido no estado e no Brasil.
A alta do comércio foi puxada pelos supermercados e hipermercados que tiveram receita 7,4% maior no ano. Também se destacaram as vendas de equipamentos de escritório, que cresceram 9,9% no ano puxadas pela modernização do setor de serviços e avanço da inteligência artificial.
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A indústria catarinense, mesmo diante de duas grandes dificuldades que foram o tarifaço e os juros altos para reduzir a inflação, cresceu 3,2% no ano. Bittencourt avalia que a diversidade industrial também foi um fator que pesou favoravelmente para SC ano passado. Isso porque alguns segmentos são menos sensíveis ao ciclo econômico. A forte produção de bens intermediários e a alta da construção civil ajudaram.
O setor de serviços cresceu 3,2% no estado em 2025 e também registrou impactos da demanda por soluções tecnológicas. O ramo de serviços de informação e comunicação cresceu 5,1% em SC. O grupo de serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram crescimento de 5,8% no estado, mais do que o Brasil, que cresceu 2,6%, sinalizando impacto maior do setor produtivo de SC. Os serviços às famílias, que inclui restaurantes, hotéis e escolas, subiram 2,9%.
O economista-chefe da Fiesc ressalta também que as exportações de SC, apesar do tarifaço de Donald Trump e queda de compras da China, foram bem no ano, com crescimento de 4,4%, também refletindo a importância da diversidade de produtos e de mercados. O crescimento das vendas para a Argentina foram um dos diferenciais.
Mas Bittencourt chama a atenção para o fato de que a economia catarinense, acompanhando a brasileira, tem registrado desaceleração, principalmente no segundo semestre de 2025.
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– A restrição ao crédito, motivada pela Selic a 15% ano, e as incertezas no comércio global impuseram limites ao crescimento, tanto de SC como do Brasil – explica o economista.
Instituições financerias do Brasil ouvidas pelo Banco Central no Boletim Focus estimaram alta de 2,26% para o PIB oficial do Brasil em 2025 e, para 2026, estão estimando alta de 1,8%, com reduções já no início do ano.
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