Mais de seis mil empresários, executivos ou pessoas que estão planejando abrir negócios vão participar da 11ª edição do Empreende Brazil Conference nos dias 23 e 24 de maio, na Arena Opus, em São José, na Grande Florianópolis. Quem fundou e realiza esse evento que atrai público das mais diversas regiões de Santa Catarina e do Brasil é o jovem empresário Lucas Schweitzer, 35 anos. A decisão de realizar um evento assim, tomada aos 24 anos, teve como motivação a própria trajetória dele, que perdeu os pais cedo e decidiu executar sonhos grandes apesar desse desafio imposto pela vida.

Continua depois da publicidade

Entre na comunidade exclusiva de colunistas do NSC Total

Nesta entrevista exclusiva para a coluna, Lucas Schweitzer, que é graduado em administração de empresas com pós-graduação em marketing na Universidad Complutense de Madrid, conta como foi a trajetória, a fundação do Empreende, a decisão de nacionalizar o evento este ano com edições em Belém em setembro e em São Paulo em novembro; e também fala do novo negócio do grupo, o complexo de ventos Lusch Garden, em Florianópolis.

Veja mais imagens do empreendedor Lucas Schweitzer em palestras e com a família:

Continua depois da publicidade

Ele antecipa que o Empreende Brazil 2025 terá mais de 80 palestrantes e formato semelhante ao de um festival de inovação e negócios. Interessados em participar, podem se inscrever no site do evento, o www.empreendebrazil.com.br

Pergunta – Por que você, como idealizador e organizador do Emprende Brazil Conference, também é um dos principais palestrantes do evento?

– O Empreende Brazil nasceu com um propósito, porque o empreendedorismo mudou a minha vida. Quando eu perdi meus pais, lá no final da adolescência, foi pelo empreendedorismo que eu realmente tive determinação em ter uma história de vida diferente. Em ser protagonista da minha história e não vítima da minha história.

Foquei em ter o meu próprio negócio, começando como MEI em 2008. Anos depois, trabalhando com eventos e com a ideia de criar um produto próprio, surgiu o Empreende Brazil. O objetivo sempre foi inspirar pessoas e, naturalmente, minha história de vida também passou a influenciar outros empreendedores.

Continua depois da publicidade

Mostro que não é necessário herdar uma fortuna para começar, que é possível partir do zero — e, no meu caso, até de menos que isso. Compartilhar essa trajetória ajuda a potencializar outros empreendedores pelo Brasil.

No seu livro lançado em 2016, Tinha Tudo Para Dar Errado, você conta sua história. Pode contar aqui para os leitores da coluna um pouco da sua origem, como foi a perda dos pais e o início como empreendedor?
– Claro. Este ano devo lançar um novo livro. Fui convidado por uma editora para publicar um título em nível nacional, provavelmente no segundo semestre. Sobre minha trajetória, minha mãe faleceu de câncer quando eu tinha 15 anos. Dois anos depois, meu pai se suicidou. O único bem que possuíamos, um apartamento, estava endividado, o que nos trouxe grandes desafios.

Nasci em Lages, mas me mudei para Florianópolis com quatro anos, em 1994. Tive uma infância normal, estudei em colégio público durante o ensino fundamental, mas enfrentei essas dificuldades na adolescência. Isso me fez agir e tomar iniciativas, pois, se eu não fizesse nada, a situação poderia piorar.

Com 18 anos, abri minha primeira empresa, um portal de eventos. O objetivo era entrar nesse mercado, e essa empresa durou cerca de dois anos. Encarei isso como um caminho para chegar ao que realmente queria: organizar eventos. Como portal de eventos, divulgávamos a agenda de cidades como Florianópolis, Palhoça e Itajaí. Após dois ou três anos, finalmente comecei a atuar diretamente na organização de eventos, que era meu verdadeiro objetivo.

Continua depois da publicidade

Você é filho único? E qual era a profissão dos seus pais?

– Não, tenho dois irmãos mais velhos. Meu pai era representante comercial, e minha mãe cuidava da casa, mas também o ajudava com pedidos e organização do escritório.

Então, seus pais já tinham uma empresa que atuava por home office?
– Sim, já era um home office e, de certa forma, uma empresa familiar. Meu pai se considerava autônomo, mas, hoje, muitos representantes comerciais são vistos como empreendedores.

E como fundou o Empreende Brazil Conference?
– Minha empresa de eventos, a Lusch Agência, foi fundada em 2012 e abriu caminho para a criação do Empreende Brazil, que nasceu em 2014. Desde então, realizamos o evento todos os anos, inclusive durante a pandemia, quando organizamos uma edição em formato drive-in.

Você se inspirou em algum modelo internacional ou criou um formato original?
– Criamos um conceito diferente de tudo o que existia. Nas primeiras edições, o evento durava 24 horas ininterruptas, das 8h de um dia até 8h do dia seguinte, com programação de madrugada. Com o tempo, percebemos que esse formato atraía um público mais universitário. À medida que amadurecemos o evento, ajustamos os horários para atender um público mais amplo.

Continua depois da publicidade

No ano passado (2024), a edição durou dois dias, e esse será o formato adotado daqui em diante. A inspiração para o evento veio, sim, de referências internacionais. Buscamos modelos no Canadá, Japão, Europa e Finlândia, trazendo o que há de melhor para a experiência do Empreende Brazil.

Nos inspiramos bastante em eventos internacionais para criar uma proposta disruptiva, capaz de transformar a vida dos participantes nesse intensivão, seja por meio de conexões, conteúdo ou energia.

Você recebe bastante feedback dos participantes. O evento realmente alcança esse objetivo de transformar vidas?
– Sim, e de formas surpreendentes. Temos muitos relatos de sócios que se conheceram no Empreende Brazil, casais que se formaram no evento e diversos negócios fechados, seja entre clientes ou parceiros. Além disso, recebemos depoimentos ainda mais profundos.

Após o evento, recebo muitas mensagens, tanto no perfil oficial quanto no meu privado, de pessoas que passaram por dificuldades semelhantes às minhas ou às de palestrantes e conseguiram ressignificar seus traumas. Algumas até relataram que estavam pensando em suicídio, mas foram convidadas para o evento, ganharam ingressos e encontraram ali uma nova perspectiva de vida. Temos, de fato, muitos casos de transformação que surgiram a partir do Empreende Brazil.

Continua depois da publicidade

E como você define o perfil do evento? Que critérios segue para escolher a programação, os temas e os palestrantes?
– Buscamos sempre os principais temas ligados às tendências e realidades do empreendedorismo. Como recebemos empresários de diversos segmentos, priorizamos conteúdos que sejam relevantes para todos. Temas como vendas, marketing, cultura empresarial e gestão são universais e aplicáveis a qualquer tipo de negócio. Por isso, trazemos os maiores especialistas do Brasil para abordar as principais dores dos empreendedores.

Nosso objetivo é oferecer soluções práticas, seja antecipando tendências ou aprendendo diretamente com quem já fez acontecer. Não convidamos professores que nunca empreenderam, mas sim líderes de mercado que já chegaram aonde muitos almejam estar.

O propósito do Empreende Brazil é trazer quem realmente faz a diferença, para compartilhar tanto os acertos quanto os erros. Assim, os participantes ganham atalhos e aprendem com a experiência de outros, sem precisar errar para evoluir.

E qual é o perfil do público participante do Empreende Brazil?
– Mais de 75% do público ocupa cargos de liderança, seja como dono do próprio negócio, diretor ou gestor. Temos participantes de todos os estados brasileiros, com uma predominância maior no Sul. O Sul do Brasil representa mais de 80% do nosso público.

Continua depois da publicidade

E quando falamos do perfil dos participantes, nos referimos ao empreendedor de verdade. São pessoas que possuem lojas, franquias, indústrias ou prestam serviços. Ou seja, quem já está no mercado e faz acontecer. Claro, também há uma parcela menor de pessoas em transição de carreira ou buscando empreender, mas o foco do evento é direcionado para quem já está no jogo.

Sobre esse seu novo livro, pode antecipar algo que vai destacar nele?

– Esse livro trará minha história como pano de fundo, além da trajetória do empreendedor no Brasil. No entanto, o principal foco será abordar o conceito de empreender tanto na vida quanto nos negócios. O objetivo é ampliar esse olhar, não apenas para a empresa, mas também para a pessoa como protagonista da própria vida.

Empreender significa construir a vida que se deseja viver, sem se tornar refém dos problemas. Afinal, não há empresa forte sem um empreendedor forte. Não existe CNPJ forte sem um CPF forte. Esse é o cerne do livro: mostrar como empreender na vida e nos negócios de forma equilibrada e sustentável.

Falando em conciliar vida e trabalho, você constituiu família. Com a esposa Ana Paula tem uma filha. Como isso impacta sua visão sobre empreendedorismo?
– Hoje tenho 35 anos e minha filha, Catarina, tem 3. Vejo a família como um refúgio e um pilar essencial. Muitos empreendedores, na correria do dia a dia, acabam enxergando a família como um obstáculo, algo que limita seu tempo de trabalho. Mas eu aprendi que é fundamental ter equilíbrio e alinhamento. O planejamento da empresa precisa estar conectado ao meu plano de vida, que, por sua vez, se alinha ao da minha esposa (médica pediatra com especialização em Medicina do Estilo de Vida) e da minha filha.

Continua depois da publicidade

Por isso, conversamos muito sobre o futuro dos negócios para garantir que nossas trajetórias caminhem juntas. O apoio da família é essencial, e sempre que possível, busco conciliar trabalho e vida pessoal. Sempre que viajo a trabalho, tento levá-las comigo. Se vou palestrar em outro estado, por exemplo, faço o possível para que minha família me acompanhe. Esse suporte é fundamental para meu crescimento como empreendedor e como pessoa.

Olhando para o futuro, tem um sonho grande que você já pode compartilhar?
– Sim, estamos em um grande processo de expansão do Empreende Brazil. Neste ano, realizaremos edições em outras regiões do país. Em setembro, estaremos em Belém, no Pará; em novembro, em São Paulo. Nosso objetivo é levar o empreendedorismo para todo o Brasil e impulsionar essa transformação. Será a primeira vez que o Empreende Brazil acontecerá fora da Grande Florianópolis.

Na sua visão, quais são os principais desafios e facilidades para o empreendedor brasileiro?
– Na semana passada, tive uma reunião com o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e discutimos um dado muito relevante: hoje, o Brasil tem mais pessoas empreendendo ou atuando como autônomas do que as registradas na CLT. O Brasil é, de fato, um país empreendedor.

O maior desafio, sem dúvida, é a falta de educação empreendedora. Muitas pessoas acreditam que saber cozinhar é o suficiente para abrir um restaurante, mas gerir um negócio exige muito mais do que habilidades técnicas. A gestão é essencial, e isso não é ensinado na escola nem na faculdade.

Continua depois da publicidade

Esse déficit educacional é um dos principais fatores responsáveis pela alta taxa de mortalidade das empresas no Brasil. Hoje, menos de 40% das empresas sobrevivem após cinco anos de atividade. Portanto, investir em educação empreendedora é fundamental para reduzir essa taxa e fortalecer o ecossistema de negócios no país.

Além do Empreende Brazil, você tem outros negócios. Um deles é o novo complexo para eventos, o Lusch Garden. Qual é o foco dessa empresa?

– Inauguramos o complexo Lusch Garden no ano passado (2024). Nosso objetivo é transformar essa região de Florianópolis em um novo polo para eventos, especialmente casamentos e encontros corporativos. A Lusch Garden é a primeira etapa desse projeto. Queremos consolidar Florianópolis como um destino de referência nesse segmento. Estamos apenas no primeiro ano de operação, mas com grandes expectativas.

E sobre a edição do Empreende Brazil deste ano, o que você destaca?

– Este ano, esperamos mais de 6 mil empreendedores por dia. Teremos mais de 80 palestrantes e um formato que remete a um festival de inovação e negócios. Além das palestras, a programação inclui feira de negócios, premiações, espaços de mentoria e rodadas de networking. A proposta é oferecer uma experiência imersiva para os participantes.

Continua depois da publicidade

Leia também

Dos ovos aos grãos: bilionário de SC adquire fazendas e vai plantar 300 mil hectares

Setor de tecnologia de SC vai abrir 100 mil vagas até 2027; maioria para desenvolvedores

Após verão com recordes de turistas em SC, líderes do setor veem futuro mais promissor

Tupy: governo federal quer mexer em time que está ganhando em meio à turbulência