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Mercado de trabalho derrete

Santa Catarina perde 406 mil empregos com a crise do coronavírus, aponta pesquisa do Sebrae 

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Por Estela Benetti
20/04/2020 - 13h23 - Atualizada em: 20/04/2020 - 15h35
Números do desemprego em SC são da pesquisa realizada pelo Sebrae/SC. (Foto: Tiago Ghizoni/DC)
Números do desemprego em SC são da pesquisa realizada pelo Sebrae/SC. (Foto: Tiago Ghizoni/DC)

A pandemia do novo coronavírus derreteu o emprego privado de Santa Catarina. A segunda pesquisa do Sebrae/SC aponta que 406 mil empregos diretos foram fechado no Estado com a crise, dos quais 242 mil em pequenas e microempresas e 164 mil de grandes e médias empresas. Esse é o maior corte de postos de trabalho na história do Estado em apenas cerca de 30 dias.

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O levantamento apurou também que 10.443 empresas fecharam definitivamente as portas, das quais a maioria são microempresas e Microempreendedor Individual (MEIs). As perdas gerais em faturamento no período pelas micro e pequenas empresas somou R$ 9,4 bilhões.

O levantamento, realizado nos dias 13 e 14 de abril, envolveu 4.348 entrevistas em 189 municípios e a margem de erro é de 1,5%. Os dados foram apresentados em entrevista coletiva pelo Youtube pelo superintendente do Sebrae-SC, Carlos Henrique Ramos Fonseca e pelo diretor técnico da instituição, Luc Pinheiro.

Conforme o levantamento, 34,45% dos empresários informaram que fizeram, em média, duas demissões a partir do dia 18 de março, quando entrou em vigor o isolamento social em Santa Catarina. No levantamento anterior, feito pelo Sebrae nos dias 30 e 31 de março, 19,48% informaram ter demitido dois trabalhadores.

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- O número, nas primeiras duas semanas, já nos surpreendeu consideravelmente. Foram 148 mil desligamentos (dado da primeira pesquisa). Era natural porque os pequenos negócios têm capital de giro para, no máximo, 30 dias. A primeira tendência no impacto de uma crise dessas pelo empresário é reduzir seu custo e o principal custo é de pessoal. As medidas anunciadas pelo governo foram muito boas para o pequeno negócio – como a MP para manutenção do emprego – mas pena que foram tardias. O medo e a proximidade do final do mês, e os com compromissos vencendo, os empresários tomaram a iniciativa de redução de pessoal para a redução das suas folhas. Acreditamos agora que, com a gradual retomada, que os aspectos contemplados na medida serão adotados pelas empresas e a tendência é de estabilizar. Também temos que analisar setorialmente. Alguns setores sofrem mais que outros – explica Carlos Henrique Fonseca.

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Na entrevista,
Carlos Henrique Fonseca e Luc Pinheiro durante a entervista por Youtube
(Foto: )

Quanto à perda de recita durante o isolamento social, 91% das empresas apontaram redução média de 64,63%. O comércio foi o setor mais afetado negativamente, com queda de vendas de 68% segundo 94% dos empresários entrevistados. Como era de se esperar, o agronegócio foi o menos impactado. Das empresas do setor que participaram, 69,3% informaram que tiveram retração média de 42% no faturamento. No setor de serviços a retração média ficou em 62% segundo 89% dos entrevistados e na indústria o recuo médio chegou a 60%, de acordo com 93% dos que responderam a sondagem.

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Essa segunda pesquisa do Sebrae inclui período em mais atividades econômicas podiam atuar. Então, sobre o nível de atividade em função da quarentena do coronavírus em SC, em média, 34,57% afirmaram que estão em atividade, mas com restrição. Também 26,5% informaram que estão em atividade, mas com mudança no funcionamento e 22,67% seguiam fechadas aguardando a liberação para trabalhar. Além disso, 15,1% não tiveram restrição para trabalhar nessa fase de isolamento e 1,22% fecharam as portas.

- Esse último número parece pequeno, mas representa cerca de 10 mil empresas que encerraram as suas atividades no Estado. É significativo se pensarmos que tantos empresários não tiveram outra alternativa e precisaram encerrar suas atividades em um único mês – avaliou Juc Pinheiro.

Sobre impactos regionais da crise, foi a Região Sul do Estado onde mais empresas demitiram trabalhadores, 44,28%. Em segundo lugar ficou a Foz do Itajaí, com 41,79%; seguida por 37,94% na Grande Florianópolis, 34,9% no Norte; 34% no Vale do Itajaí, 33,33% na Serra e 26% no Oeste.

Esta pesquisa do Sebrae, que é por amostragem, abrange não só o impacto de perda de emprego apurado no primeiro levantamento do Sebrae, como também os 165 mil desligamentos feitos pelas indústrias, apurados em pesquisa específica do setor divulgada na última quinta-feira (17-04).

Cenário econômico

O cenário econômico é de incerteza e vai seguir assim mais meses, durante o inverno, observa Luc Pinheiro.

- Para que os negócios continuem abertos, a economia funcionando, todo o mundo tem que fazer o seu papel de cuidar dos protocolos de saúde, usar a máscara e cuidar o distanciamento – alerta o diretor do Sebrae.

Ainda sobre empresas e empregos, Luc Pinheiro acredita que da mesma forma quando a economia freou, as empresas pararam, seguraram os empregos e só começaram a demitir depois de duas semanas e agora ampliaram um pouco, na retomada da economia ainda haverá empresa fazendo ajustes para o novo mercado que virá. A economia ficará mais estável, mas com baixa atividade e elevado desemprego, o que significa que as pessoas vão restringir consumo e poupar mais, avalia ele.

- Na volta de um novo normal, você vai ver setores com retomada diferente um em relação ao outro. Os setores de eventos e economia criativa são os que vão demorar mais para retomar a normalidade. Vamos ver distinções entre atividades econômicas, como a cadeia de alimentos, comércio e indústria. Ao longo de 2020 alguns setores vão ter retomada mais rápida, mas outros serão muito impactados no médio e longo prazo – explica Carlos Henrique.

Sobre a questão de crédito e capital de giro, o superintendente do Sebrae disse que as empresas devem cuidar atentamente das finanças e zelar pelo capital de giro. É preciso aproveitar as postergações de financiamento oferecidas por empresas para preservar o caixa e buscar recursos acessíveis no mercado. Segundo ele, a limitação de crédito, agora, é natural no mercado porque quase todas as empresas foram buscar socorro no setor financeiro.

Sebrae digital

Luc Pinheiro aproveitou a entrevista para destacar que o Sebrae/SC está atendendo normalmente, com trabalho virtual em todas as agências, atendimento via Whatsapp ou pelo portal da instituição onde há uma seção, o www.sebrae.sc/coronavirus em que o empresário tem acesso a consultoria individualizada, como se estivesse indo até uma das agências da instituição. Segundo ele, essa mudança digital não pegou o Sebrae de surpresa porque ele se preparou para oferecer todas as soluções digitais, embora a adoção do novo modelo tenha sido uma imposição do coronavirus para quase todas as empresas.

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Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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