nsc
nsc

Tecnologia

Setor de tecnologia de SC cresce 12%, fatura R$ 17,7 bi chega a 5,9% do PIB estadual

Compartilhe

Estela
Por Estela Benetti
11/08/2020 - 17h57 - Atualizada em: 11/08/2020 - 22h12
O diretor da Acate, Gabriel Sant'Ana (E, acima), o presid
O diretor da Acate, Gabriel Sant'Ana (E, acima), o presidente da associação, Iomani Engelmann e o empresário Raony Rossetti (abaixo) (Foto: Reprodução)

O ano de 2019 foi de prosperidade para o ecossistema de tecnologia de Santa Catarina. O faturamento das empresas do setor alcançou R$ 17,7 bilhões, com crescimento de 12% frente ao ano anterior, o que permitiu avançar de 5,8% para 5,9% na participação do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. O número de empresas cresceu 7,7% e chegou a 12.138, enquanto o total de empregos diretos subiu de 51,8 mil para 56,5 mil, com 3,4 mil novas vagas, uma expansão de 9%. Estes são os principais dados do Tech Report 2020, relatório dos indicadores do setor em SC, divulgado nesta terça-feira pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).

Com esse faturamento, Santa Catarina ultrapassou Minas Gerais e Rio de Janeiro e conquistou a 4ª posição entre os maiores polos do setor no país.

- É um setor que representa isoladamente mais do que os PIBs inteiros de estados da nossa nação, como o Acre, Amapá e Roraima – destaca o presidente da Acate, Iomani Engelmann.

Indústria de SC cresce 9,1%, mas não recupera perdas com pandemia

Segundo o empresário, outro dado relevante é que Santa Catarina sedia polo com o 6º maior número de empresas de tecnologia do país, após crescimento de quase 8%. Para ele, o incentivo às startups é um diferencial que permitiu esse avanço. Mais um indicador que projeta o estado é o de produtividade. Cada trabalhador do ecossistema gera receita média de R$ 77 mil por ano, a segunda maior do país. Uma tendência preocupante mostrada no Tech Report é a grande dificuldade do Brasil para a qualificação de pessoas para atuar no setor. Isso porque além da queda no número de matrículas, há uma evasão escolar de 88,6%.

O Tech Report mostra também que SC, embora tenha mais empresas de tecnologia sediadas na região de Florianópolis, conta com uma boa distribuição estadual. A Grande Florianópolis sedia 3,9 mil, seguida pelo Vale do Itajaí com 3,3 mil, Norte do Estado 2,3 mil, Oeste 1,3 mil, Sul 994 e Região Serrana 315.

Também sobre o crescimento do faturamento do setor de TI, bem acima do PIB brasileiro (1,1%), o presidente da Acate, avalia que é resultado da maturidade de boa parte empresas. No início de atividades, muitas precisam ir ao mercado, validar produto e, só depois passam a ter receita crescente. Ele destaca ainda o fato de a Acate ter colocado o setor à disposição para ajudar empresas de outros setores a se reinventar por meio do LinkLab.

Para Iomani Engelmann, um exemplo da maturidade do ecossistema de inovação de SC é o da startup Equilibrium, de Florianópolis, com soluções de tecnologia para logística, que passou a atender o setor de varejo, onde conseguiu validar seu produto. Conquistou seus primeiros clientes na Capital, como a Koerich e o Hippo Supermercados, e segue crescendo com novos clientes. Além disso, recebeu um aporte de capital de R$ 1 milhão de um fundo catarinense. 

Conforme o diretor executivo da Acate, Gabriel Sant’Ana, o faturamento total apresentado no Tech Report inclui os de grandes empresas do setor como a Intelbras, Softplan, Senior, Dígitro, Nexxera, Neoway, Resultados Digitais e outras. A inclusão é pela Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE).

Carlos Eduardo Monguilhott, CEO da Neoway, empresa responsável pelo levantamento de dados, também reforça a importância das grandes empresas do setor no crescimento da receita total porque as empresas mais jovens do ecossistema precisam de um tempo de maturação. 

- Com base em análise de dados e modelos criados junto com a Acate, conseguimos ter uma visão do ecossistema. Além de termos um ecossistema muito forte, somos um dos poucos lugares que provam isso – disse Monguilhott.

A Acate também incluiu no relatório as ações que dessenvolveu este ano para ajudar o setor a enfrentar a pandemia. A doença, apesar de estar afetando a vida e a atividade econômica de quase todo mundo, anima o setor de tecnologia porque está sendo mais demandado na maioria das atividades. 

- A retomada do crescimento econômico está sendo feita com o uso intensivo de tecnologia. Por isso a gente acredita que o efeito de médio prazo será positivo porque muitos setores que estavam tímidos na adoção de soluções tecnológicas agora têm a tecnologia como uma grande aliada para o retorno acelerado das suas atividades. Cadeias de varejo, que eram quase totalmente off-line passaram a fazer um misto de online e off-line, o conceito de home office adota uma série de tecnologias de comunicação, gerenciamento de time remoto, medidas de atividades laborais à distância. Por outro lado, marcos regulatórios importantes foram aprovados e vão fazer com que novas tecnologias sejam adotas, como em cartórios, escritórios de advocacia, atendimento imobiliário e telemedicina. Então, no médio prazo, tudo isso vai trazer um efeito positivo para o setor de tecnologia – estima Iomani Engelmann.

O lançamento do Tech Report 2020 foi realizado por videoconferência nesta terça-feira. Contou também uma entrevista concedida pelo empresário Raony Rossetti ao diretor executivo da Acate, Gabriel Sant'Ana.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

siga Estela Benetti

Mais colunistas

    Mais colunistas