Para a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) a crise gerada pelo tarifaço de 50% dos Estados Unidos na economia catarinense é preocupante, apesar de projeção apontar que o impacto médio será uma queda de -0,31% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, podendo chegar até a -0,67%, segundo estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apuração prévia da Fiesc mostrou que a tarifa pode afetar quase mil empresas em SC e o maior impacto será no setor de madeira e derivados. A entidade encaminhou nesta segunda-feira questionário às empresas para ter dados mais exatos e informou que está negociando medidas de apoio com o governo do Estado.
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A reunião foi conduzida pelo economista-chefe da Fiesc, Pablo Bittencourt, com participação da presidente da Câmara de Comércio Exterior, Maria Teresa Bustamante, e do diretor de Inovação da entidade, José Eduardo Fiates. Cerca de 300 empresários e executivos do setor exportador de SC participaram da reunião online.
Veja gráficos com mais dados sobre a apresentação da Fiesc na reunião do Comitê:
– Diversas estimativas sobre o impacto no PIB, mesmo em setores, aparentemente têm subestimado o impacto dessa medida do governo dos Estados Unidos sobre a economia brasileira e a economia catarinense. Essa não é a percepção da Fiesc. Nós estamos muito preocupados com o que pode acontecer, em especial com as empresas catarinenses, é claro, mas de uma maneira muito particular, com um conjunto diferente de segmentos. Existem condições diferentes e segmentos diferentes, empresas específicas e é isso que a gente precisa entender um pouco melhor – destacou Pablo Bittencourt no início da reunião.
O estudo da UFMG sobre o impacto negativo do PIB mostra que SC é o segundo estado mais afetado (-0,31%), só atrás do Amazonas, que pode ter impacto de -0,67%. Além disso, SC pode ter efeitos setoriais e regionais importantes. De acordo com o economista, preocupa também o fato de esses produtos serem de regiões com baixo IDH, o que resulta em perdas sociais mais graves. Para se ter ideia, em 2024, do total das exportações do estado 15% foram para os Estados Unidos, mas a região do Planalto Norte de SC destinou 42,5% das suas exportações ao mercado americano, O Centro-Norte 24,9%, o Alto Vale 23,7% e a Serra de SC, 22,3%. (Veja gráficos na galeria de fotos desta página)
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Levantamento do Observatório Fiesc em dados de 2024 apurou que o setor de produtos de madeira será o mais afetado pelo tarifaço. Esse setor teve faturamento (valor bruto de produção) de R$ 14,3 bilhões e desse montante 22,2% resultaram de exportações aos EUA. Em segundo lugar, móveis, com faturamento de R$ 4,7 bilhões e 12,1% de vendas aos EUA. O tabaco veio em terceiro lugar, com faturamento de R$ 530 milhões e 7,6% de vendas aos EUA, seguido por veículos e peças com R$ 20,3 bilhões e 6,2% de exportações ao mercado americano.
Sobre exportações gerais de SC aos EUA em 2024, a liderança ficou com madeiras e produtos de madeira (US$ 650,7 milhões), seguidos por veículos e peças (US$ 258,6 milhões), equipamentos elétricos (US$ 232,3 milhões), máquinas e equipamentos (US$ 119,2 milhões).
Nesta reunião, o comitê de crise da Fiesc encaminhou pesquisa para estimar com mais precisão o impacto do tarifaço na economia. Essa sondagem visa reunir informações como número de empregos totais, quantos podem ser fechados com a medida, quanto cada empresa fatura com exportações e grau de endividamento, entre outros dados.
Conforme Pablo Bittencourt, desde que surgiu a ameaça do tarifaço, a Fiesc e o governo do Estado, em especial a secretaria da Fazenda, estão estudando alternativas para apoiar as empresas. A lista inclui medidas como antecipação de crédito de exportações, linha de crédito específica acessível e postergação de recolhimento de ICMS e outras.
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Entre as dúvidas técnicas de exportadores, uma delas foi colocada pelo vice-presidente da Fiesc para o Planalto Norte, Arnaldo Huebl. Ele perguntou se o setor madeireiro realmetne está na investigação 232 do governo dos EUA, que poderá ter tarifa diferente por ser estratégico. A presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, Maria Teresa Bustamante, destacou que está incluído.
– A investigação 232 continua em andamento, não temos informação das bancas de atendimento de que o relatório tenha sido gerado para entrega ao presidente Trump. O prazo que essa comissão tem é até 08 de dezembro deste ano. Mas a qualquer momento esse relatório pode ser entregue ao presidente Trump – disse ela, informando que as entidades estão acompanhando esse tema de perto com advogados e podem informar mais às empresas.
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