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Prevenção

Conversa por telefone bota panos quentes na crise sobre a medição do Rio Itajaí-Açu, em Blumenau

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Por Evandro de Assis
28/01/2021 - 12h35 - Atualizada em: 28/01/2021 - 16h51
Chefe da Defesa Civil do Estado virá a Blumenau na próxima semana
Chefe da Defesa Civil do Estado virá a Blumenau na próxima semana (Foto: Patrick Rodrigues, BD, Santa)

Uma longa conversa por telefone entre o chefe da Defesa Civil de Santa Catarina, Aldo Baptista Neto, e a reitora da Furb, Marcia Sardá Espíndola, nesta quarta-feira (27), pôs panos quentes na crise pública sobre as falhas na medição do Rio Itajaí-Açu, em Blumenau. Após reclamações de falta de verba para manutenção das estações telemétricas, o órgão estadual havia respondido com uma nota crítica ao Centro de Operações do Sistema de Alerta da Bacia do Itajaí-Açu (Ceops), mantido pela universidade. No Bom Dia SC desta quinta-feira, Neto anunciou uma visita à cidade para aparar arestas.

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Segundo a reitora, a conversa telefônica ainda não tratou de uma solução que normalize o serviço de monitoramento e projeção do nível do rio, mas serviu para acabar com o clima de animosidade pública dos últimos dias.

— Conversamos longamente para voltarmos à boa relação que sempre tivemos. Esse desgaste precisa ser encerrado, todos perdemos com essa discussão — comentou.

A visita do coronel Neto, que é de Rio do Sul e trabalhou no Corpo de Bombeiros de Blumenau por muitos anos, deve ocorrer no início da próxima semana. O principal ponto a se discutir é a substituição dos equipamentos inativos em 16 estações de telemetria espalhadas pelo Vale do Itajaí. O Ceops há anos busca fontes de financiamento para manutenção. 

Porém, nesta semana o Estado questionou a necessidade do investimento. Para a Defesa Civil, equipamentos mantidos por outros órgãos, como Agência Nacional de Águas (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), prefeituras e companhias de energia, poderiam ser adotados por Blumenau.

Professores integrantes do Ceops apontam falhas em algumas dessas estações — como ocorreu com a mantida pela ANA em Blumenau, no fim de semana passado. Quando isso ocorre, ainda mais numa situação de emergência, não haveria alguém próximo a quem recorrer.

— O Ceops tem algo que ninguém tem, que é o conhecimento histórico. Quanto mais entendermos a recorrência das cheias, mais fidedigna é a previsão. Mas temos que afinar essa interface, entender que área vai cobrir e como vai se relacionar com os demais órgãos — disse Neto à coluna.

Espera-se que Ceops e Defesa Civil passem a falar o mesmo idioma. Apesar dos problemas, Blumenau e região construíram o primeiro e melhor sistema de alerta de enchentes do Brasil. Durante quase 40 anos, cientistas da Furb e técnicos do município desenvolveram uma metodologia que cruza níveis dos rios e volumes de chuva para projetar até onde chegará o nível do Rio Itajaí-Açu. Desse esforço também nasceram as cotas de enchente, que servem para alertar a população antes da água chegar.

Desde a tragédia de 2008, a Defesa Civil do Estado assumiu protagonismo na prevenção. Vieram o radar de Lontras, a sobrelevação das barragens e os alertas meteorológicos, inclusive por SMS, entre outros reforços. Agora, é o momento de integrar esse novo momento com o sistema prévio local. Neste sentido, a Defesa Civil de Blumenau precisa participar das discussões.

O Vale do Itajaí tem à disposição conhecimento científico, um plano de contingência de Defesa Civil experimentado e um governo estadual interessado em ampliar a prevenção. Partir deste cenário não pode ser mais difícil do que começar do zero.

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