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Nível do rio em Blumenau: sensor falha e município fica às cegas

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Por Evandro de Assis
22/01/2021 - 18h51 - Atualizada em: 23/01/2021 - 08h08
Sem réguas físicas, Blumenau depende de um único sensor eletrônico
Sem réguas físicas, Blumenau depende de um único sensor eletrônico (Foto: Patrick Rodrigues)

O que todos temiam aconteceu na tarde desta sexta-feira (22): o único sensor eletrônico que mede o nível do Itajaí-Açu falhou e Blumenau ficou sem medição do rio por quatro horas. O equipamento da Agência Nacional de Águas (ANA), instalado ao lado da ponte Adolfo Konder, na Ponta Aguda, parou de transmitir informações a partir das 16h, justamente no momento em que voltou a chover forte na região. O sistema só foi restabelecido por volta das 20h.

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> Blumenau enfrenta risco de enchente sem régua da Beira-Rio e estações telemétricas.

AlertaBlu e Defesa Civil de Blumenau fizeram contato com a ANA para resolver o problema. Já aconteceu antes de o sensor parar de enviar os dados, sempre por problemas de conexão. Os dados das medições das 17h, 18h, e 19h não foram atualizados. Às 20h, o sensor marcou 5,87 metros.

O sensor da ANA é a última ferramenta disponível para medir o nível do rio em Blumenau. Como a coluna antecipou na quinta-feira (21), a régua física, que era uma garantia de segurança em ocasiões como esta, ficou inacessível depois que a ponte Adolfo Konder foi duplicada. Na verdade, a própria régua instalada no pilar da ponte era um improviso. Desde 2011, quando a enchente levou a seção de réguas da Avenida Beira-Rio, Blumenau espera a instalação de novos instrumentos de medição.

As novas réguas, doadas pela Altona em 2018, precisam ser instaladas pela Epagri — elas ficarão numa escadaria perto da prefeitura. Porém, o órgão estadual só fará o serviço depois que o município concluir o acesso até a escadaria. Falta um corrimão, segundo o secretário de Defesa Civil, Carlos Menestrina. O prazo previsto para concluir a obra é o início de fevereiro — terceira data estipulada pela prefeitura. A régua da Ponte de Ferro, descobriu-se depois de instalada, não serve para medir o rio porque sofre a influência do Ribeirão da Velha.

Sem o nível do rio, os moradores da cidade ficam sem a informação que baseia as cotas de enchente. Decisões como sair ou não de casa, levantar ou não os móveis, dependem desse dado essencial. Todos estão às cegas.

> Blumenau registrou enchente em janeiro apenas uma vez na história.

Além disso, o Centro de Operações da Bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Açu (Ceops), mantido pela Furb, fica no escuro para fazer projeções sobre as próximas horas. A falha piora uma situação que já era muito ruim: todas as 16 estações telemétricas, que deveriam enviar dados dos rios e da chuva no Vale do Itajaí, estão desativadas. Equipamentos instalados há quase 12 anos precisam ser substituídos, mas não há dinheiro previsto.

Idade da Pedra é pouco para o que está acontecendo em Blumenau.

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