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Excesso de óbitos

Números desmentem tese de que o coronavírus oculta mortes por outras doenças em SC

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Por Evandro de Assis
25/09/2020 - 09h23
Dados do Conass incluem mortes ocorridas até 15 de agosto
Dados do Conass incluem mortes ocorridas até 15 de agosto (Foto: Patrick Rodrigues)

"Ninguém mais morre de infarto, de pneumonia ou de câncer. Agora é tudo Covid-19".

Você já deve ter ouvido ou lido isso durante a pandemia de coronavírus. É como um mantra para quem duvida da gravidade do problema.

Circulam mentiras sobre prefeituras que receberiam R$ 18 mil por morte e gráficos com dados de cartórios do registro civil "provando" que menos pessoas morreram em 2020 na comparação com anos anteriores. Pois bem. 

Dados reunidos pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) põem abaixo versões negacionistas sobre o tamanho da pandemia no Brasil e no Estado. Entre janeiro e 15 de agosto morreram 1.121 pessoas a mais em Santa Catarina do que seria normal para o período. Equivale a um excesso de 7% nos óbitos.

As informações do painel, que podem ser acessadas aqui, têm como base os dados do registro civil, mas levam em conta o tempo entre a ocorrência do óbito e a formalização no sistema.

Conforme o painel do coronavírus mantido pelo governo catarinense, até 15 de agosto eram 1.849 mortes relacionadas à Covid-19 em Santa Catarina. A diferença de 728 vidas pode ser explicada pela diminuição de outros tipos de fatalidades, como as mortes violentas.

Fonte: Conass
Fonte: Conass
(Foto: )

Pelo gráfico, fica evidente a coincidência entre as mortes em excesso e o pico da pandemia no Estado, entre julho e agosto. Como o coronavírus continuou interrompendo vidas até setembro, em algumas semanas o dado atualizado deve mostrar um cenário mais grave.

> Novo pico do coronavírus deve acontecer em novembro, prevê especialista

Covid-19 no Brasil

Na comparação com outros estados, porém, a situação de Santa Catarina ainda é muito melhor — apenas o Rio Grande do Sul tem um percentual inferior de mortes em excesso (2%). Estados que demoraram para implementar medidas de isolamento social, como Amazonas (74%), Maranhão (58%) e Ceará (53%) tiveram "excesso de mortalidade" muito superior.

Santa Catarina também está bem atrás de unidades da federação populosas, como São Paulo (15%), Rio de Janeiro (28%) e Bahia (32%). No total do país, foram 118,4 mil mortes acima do esperado até 15 de agosto (22%).

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