nsc
nsc

Lotação

Hospital Santa Isabel diz não ter condições de abrir mais leitos de UTI para Covid-19

Compartilhe

Evandro
Por Evandro de Assis
03/03/2021 - 05h00 - Atualizada em: 03/03/2021 - 21h57
Hospital tem 50 leitos de UTI, mas 24 atendem a pacientes de outras enfermidades
Hospital tem 50 leitos de UTI, mas 24 atendem a pacientes de outras enfermidades (Foto: Patrick Rodrigues)

O Hospital Santa Isabel informou nesta terça-feira (2) que “não há possibilidade de ativar novos leitos de UTI” para Covid-19 em meio ao pior momento da pandemia em Blumenau. A instituição atribui a limitação à demanda de atendimentos em outras especialidades, como traumas e cardiologia. Sem ampliação no Santa Isabel, fica inviável o plano do município de abrir 28 “leitos de guerra”, totalizando os 94 anunciados desde o ano passado. Os 66 leitos de tratamento intensivo considerados regulares estão 100% lotados.

> Receba via Whatsapp as principais notícias de Blumenau e região.

O hospital blumenauense tem ao todo 50 leitos de UTI, mas 24 deles estão em alas não dedicadas à Covid-19 — pacientes da doença contagiosa não podem compartilhar ambientes com os demais. No ano passado, entre julho e agosto, alguns dos leitos de guerra puderam ser abertos e Blumenau chegou a contar 77 internados em tratamento intensivo. À época, no entanto, havia menor demanda por atendimentos de outras enfermidades porque estavam em vigor medidas restritivas.

Questionada sobre a posição do Santa Isabel, a vice-prefeita Maria Regina de Souza Soar (PSDB) disse que "a ordem" aos hospitais é não deixar ninguém sem atendimento.

— Eles vão ter que ativar leitos. A partir do momento que chegar paciente precisando de enfermaria ou de UTI, vão fechando serviços, remanejando pessoal e botando pacientes dentro.

Maria Regina reconhece, no entanto, que não será tarefa simples ativar todos os 28 leitos de guerra. Há um déficit de profissionais para atuar nas UTIs dos três hospitais, incluindo o Santo Antônio e o Santa Catarina. Médicos, enfermeiros, técnicos e fisioterapeutas exaustos têm recusado propostas para trabalhar na linha de frente. Outros pediram demissão.

A prefeitura apresentou duas sugestões: 1) servidores do município que também possuem contrato com hospitais teriam as jornadas cedidas para atender na linha de frente; 2) o município está disposto a aportar dinheiro nas instituições filantrópicas para pagar abonos aos profissionais que trabalham em UTIs, como uma forma de estímulo.

Questionado sobre dificuldades na contratação de profissionais, o Santa Isabel disse que não se pronunciaria no momento. A coluna procurou a direção do Hospital Santo Antônio ao longo de toda a terça-feira em busca de informações sobre a abertura de leitos, mas não obteve resposta.

Na rede privada, com a interrupção de cirurgias eletivas, cerca de 50 profissionais do Hospital Centro da Unimed foram deslocados ao ambulatório da Vila Nova e ao serviço de atendimento domiciliar. A possibilidade de ceder profissionais ou espaços da cooperativa aos hospitais chegou a ser mencionada durante uma reunião com o município, mas por enquanto está descartada.

Apesar da pressão crescente sobre a estrutura hospitalar, nesta terça-feira não havia pacientes em fila de espera por leito de UTI no Vale do Itajaí, de acordo com o governo do Estado.

Opinião

O problema dos "leitos de guerra" é que, para serem ativados, Blumenau precisaria assumir também uma postura "de guerra" na prevenção tanto da Covid-19 quanto dos acidentes que provocam internações. Como não há disposição para tomar medidas urgentes e drásticas contra a circulação de pessoas, a prefeitura expõe os exércitos já desfalcados e exauridos a derrotas em série.

Receba textos e vídeos do colunista Evandro de Assis direto no WhatsApp. Basta clicar aqui.

Evandro de Assis

Colunista

Evandro de Assis

Notícias e comentários exclusivos sobre o cotidiano de Blumenau e do Vale do Itajaí.

siga Evandro de Assis

Evandro de Assis

Colunista

Evandro de Assis

Notícias e comentários exclusivos sobre o cotidiano de Blumenau e do Vale do Itajaí.

siga Evandro de Assis

Mais colunistas

    Mais colunistas