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    Cenário eleitoral

    O impacto do impeachment de Carlos Moisés nas Eleições 2020 em Blumenau

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    Por Evandro de Assis
    18/09/2020 - 11h17 - Atualizada em: 18/09/2020 - 11h21
    Bolsonaristas de Blumenau tendem a apoiar decisão de Ricardo Alba
    Bolsonaristas de Blumenau tendem a apoiar decisão de Ricardo Alba (Foto: TV Alesc, Reprodução)

    A política catarinense acordou nesta sexta-feira (18) virando a página para um governo novo — projeção que, como analisou o colega Renato Igor, só a Justiça será capaz de reverter. Nesta nova página, há uma eleição municipal a ser disputada.

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    No contexto de Blumenau, o voto favorável do deputado Ricardo Alba (PSL) à abertura do processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés e a vice, Daniela Reinerh, evidenciou que estava em jogo na Assembleia Legislativa muito mais que um suposto crime de responsabilidade.

    Alba foi a única surpresa da votação. Aliado de primeira hora do governador e elevado ao status de embaixador do governo no Médio Vale do Itajaí, o blumenauense beneficiou-se da interlocução privilegiada — que irritava outros parlamentares —, mas abandonou o barco na última hora.

    — Que ninguém, nem mesmo o governador, me olhe com olhar de censura, porque eu avisei — alertou Alba na Alesc.

    Para o futuro político do deputado, a eventual censura de Moisés pouco importa. A interpretação que o eleitor fará do gesto, essa sim, tem relevância. E ela será medida na campanha eleitoral de logo mais.

    Bolsonaristas raiz no município, que não engoliam Moisés, provavelmente aplaudem o desembarque, embora tardio — é por causa deles que Alba votou a favor. Por outro lado, o voto "sim" projeta sobre o deputado a máxima atribuída a Leonel Brizola: "A política ama a traição e odeia o traidor".

    Até o início deste ano, Ricardo Alba figurava como o candidato a prefeito do governador. Agora, não só perdeu o principal apoiador como largou-o à beira do caminho. É o grande prejudicado pelo impeachment.

    Pelo calendário do processo de impedimento, Moisés e Daniela tendem a ser afastados dos cargos temporariamente em outubro, no meio da campanha eleitoral. Ascenderá ao poder, se a Justiça não inviabilizar o roteiro, o presidente da Alesc, Julio Garcia (PSD). Quem ganha diretamente com isso é a candidatura de João Paulo Kleinübing (DEM), que tem Ronaldo Baumgarten (PSD) de vice.

    Difícil avaliar como o terremoto político catarinense influenciará os humores do eleitor e em que medida uma boa relação com a Capital terá peso na urna. É mais um ingrediente de incerteza na disputa mais pulverizada da história.

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