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Opinião

Pais devem ter o direito de saber dos casos de Covid-19 em escolas e creches de Blumenau

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Por Evandro de Assis
23/02/2021 - 06h00 - Atualizada em: 23/02/2021 - 11h56
Prefeitura de Blumenau anunciou medidas contraditórias sobre testagem desde a semana passada
Prefeitura de Blumenau anunciou medidas contraditórias sobre testagem desde a semana passada (Foto: Patrick Rodrigues, BD, 8/2/2021)

O plano para conter surtos de Covid-19 em escolas de Blumenau falhou. Em duas semanas, quase uma centena de profissionais de educação infectaram-se. O número de estudantes contaminados é provavelmente maior. São 51 instituições de ensino com ao menos um caso, incluindo as municipais, estaduais e privadas. Há problemas evidentes. E que se agravam com lacunas de informação aos pais dos estudantes.

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Desde a semana passada, a prefeitura vem anunciando medidas de contingência contraditórias entre si. No dia 15, disse que testaria todos os estudantes em turmas com casos positivos. Três dias mais tarde, percebeu que não seria possível testar os menores de 12 anos. Anunciou, então, uma mini quarentena de cinco dias para reagir a contaminações nessa faixa etária. 

Agora mudou tudo, com soluções diferentes para cada situação. Grosso modo, serão testados apenas professores. Alunos em classes com alto risco identificado ficarão em casa por duas semanas. Tudo isso foi comunicado à população antes mesmo de qualquer medida ser implementada, transmitindo a sensação de improviso.

Preocupa que, após tantos meses de debates, não exista uma política de testagem clara para todas as escolas, não importa de qual rede. O que dizer das unidades estaduais, em que o afastamento do doente e a limpeza da sala continuam sendo as únicas armas à disposição?

Todos sabiam que não seria fácil obrigar crianças e adolescentes a usar máscaras e manter o distanciamento, em especial na educação infantil. Que havia um potencial de contaminação alto, uma vez que esse público, em tese, havia circulado menos nos últimos 11 meses. Que seria complicado detectar os casos porque os pequenos desenvolvem menos sintomas. E, principalmente, todos sabiam que reagir rápido aos primeiros casos seria essencial para evitar surtos.

Por isso, não é admissível que os pais sejam os últimos a tomar conhecimento dos surtos escolares. Até aqui, famílias só foram comunicadas sobre doentes confirmados na turma frequentada pelos filhos em situações muito específicas. Prevaleceram canais informais e a boataria.

A prefeitura deveria divulgar os números da Covid-19 por unidade escolar, incluindo públicas e particulares. Ainda que o risco de revelar indiretamente as identidades de doentes fosse alto (não é), estamos diante de uma situação em que o interesse coletivo obviamente impõe-se.

> 99 professores testam positivo para Covid-19 em Blumenau

Não há plano amplo de testagem para garantir a separação de saudáveis e doentes e mesmo os afastamentos preventivos estão condicionados a uma série de requisitos. Assim, é preciso garantir aos pais transparência para que decidam livremente: quero continuar enviando meu filho para as atividades presenciais?

Sem informação, fomenta-se um clima de insegurança que afastará mais e mais famílias das escolas, comprometendo o esforço de todos para retomar as aulas presenciais.

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