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    Excesso de velocidade

    A tese da "indústria da multa" venceu; Blumenau está sem fiscalização eletrônica de velocidade

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    Por Evandro de Assis
    30/07/2020 - 22h25
    Radares portáteis, os odiados secadores, desapareceram das ruas
    Radares portáteis, os odiados secadores, desapareceram das ruas (Foto: Gilmar de Souza, BD, 2014)

    A tese da "indústria da multa" venceu. Blumenau está de volta à era da fiscalização analógica do trânsito. Sem radares e lombadas eletrônicas, sobraram os olhos dos guardas municipais para conter os apressados. Retrocesso que ocorre justamente no momento em que cada leito hospitalar é precioso, devido à Covid-19. Acidentes graves, mais do que nunca, são um problema de todos.

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    A reação histérica a radares eletrônicos tem base numa suposta exigência moral de que a autoridade de trânsito comunique motoristas sobre a presença do equipamento fiscalizador. É como se, para multar um veículo estacionado em local proibido, não bastassem placas informando a regra. Outro sinal teria de alertar que ali tem guarda fiscalizando.

    É como se a Vigilância Sanitária, antes de visitar uma pastelaria, tivesse de ligar para o proprietário avisando da batida. Como se a Polícia Militar precisasse comunicar suspeitos antes de planejar uma batida.

    Ninguém deveria ter coragem de usar um argumento desses. Mas há defensores aos montes, inclusive o presidente da República. De todo modo, em Blumenau, a tal indústria da multa está desativada. Fechou para balanço.

    Lombadas eletrônicas

    É um mistério o que houve nos últimos 15 meses. A Secretaria de Trânsito e Transportes (Seterb) tinha um ambicioso plano de ampliação da fiscalização eletrônica. A ideia, desenhada ainda na gestão de Marcelo Schrubbe, no primeiro semestre de 2019, era aumentar o número de lombadas eletrônicas, reduzindo a necessidade dos odiados "secadores", os radares portáteis.

    O mesmo plano reapareceu detalhado, em fevereiro deste ano, já sob a gestão de Eder Boron. Seriam 66 lombadas eletrônicas a mais, totalizando 100. O contrato com a empresa que prestava o serviço foi prorrogado duas vezes, para dar tempo de lançar a nova licitação. Então outra troca na gestão ocorreu em abril, quando Lairto Leite assumiu o lugar de Boron na Seterb.

    Os secadores desapareceram das ruas, como era previsto. Os contratos foram rescindidos. Porém, nada os substituiu. Pior: o contrato das lombadas eletrônicas acabou no dia 27 de julho e nada foi feito para evitar o apagão fiscalizatório.

    Para não dizer que tudo foi abandonado, 50 faixas elevadas estão sendo licitadas neste momento, de um total de 100 anunciadas. A implantação terminará em 2021. De resto, entre a ideia e a execução do plano formou-se um mar de inatividade.

    Atraso

    Em nota, a Seterb apenas informou que reforçará a fiscalização com agentes da Guarda nos locais onde antes havia lombadas. Sobre o que motivou o atraso na nova licitação, a Secretaria de Comunicação informou que a demora justamente ocorreu devido à ampliação prevista no número de radares fixos. A pandemia também teria atrapalhado.

    Nos bastidores, diz-se que a falta de continuidade na gestão da secretaria e a pressão do eleitorado contra a indústria da multa pesaram.

    Quando os secadores passaram a fazer parte da rotina da cidade, o número de acidentes com vítimas caiu drasticamente. Em meio à pandemia de Covid-19, fica difícil imaginar um resultado otimista para o cenário posto.

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