Em um Brasil que se acostumou a associar a gestão pública com ineficiência, a Oktoberfest Blumenau é uma exceção à regra. A maior festa alemã das Américas virou referência em qualidade, segurança e sucesso comercial ao ponto de servir de exemplo para a iniciativa privada. É uma curiosa subversão da muitas vezes injusta lógica, tão propagada no universo corporativo, de que o poder público já ajuda quando não atrapalha. A Oktoberfest Blumenau, ao contrário, agora passou a ensinar como fazer.
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Realizado nesta semana no Teatro Carlos Gomes, o Oktoberfest Summit, organizado pela agência Tô Indo, retratou isso. Em uma rica programação de palestras e debates, o evento mostrou que, com planejamento, estratégia, profissionais capacitados e espírito de equipe, o poder público é capaz de entregar algo tão grandioso e bem feito quanto qualquer empresa. Gente de todo o Brasil esteve em Blumenau para conhecer de perto detalhes e bastidores da organização de quem faz acontecer e viu como um evento antes vinculado somente à bebedeira se transformou, dentro de um amplo processo de reposicionamento, em uma ode às tradições, com lucro crescente. Não é pouca coisa.
Foi uma celebração da profissionalização do setor, uma amostra de que o público e o privado – o sucesso da Oktoberfest Blumenau também se deve muito às grandes marcas que apostam na festa – podem e devem, cada um com suas atribuições, trabalhar juntos na construção de experiências que valorizem a cultura regional, estimulem a inovação e proporcionem resultado financeiro. Quando ambos andam de mãos dadas e em sintonia, as chances de acerto aumentam.
Veja fotos da Oktoberfest Blumenau 2025
No caso da Oktoberfest Blumenau, há uma peculiaridade nem sempre percebida. Uma festa desse porte, que recebe 600 mil pessoas ao longo de 19 dias, tem uma complexidade singular. Exige mais de 100 processos licitatórios, sempre sujeitos a tentativas de impugnações, questionamentos de órgãos de controle e disputas judiciais – um risco que nem sempre existe em um evento privado.
Também ajuda o fato de a festa, como patrimônio que é da cidade, se desvincular de projetos políticos. É uma história de 40 anos construída a várias mãos, que se enraizou na cultura local e que se tornou imune às trocas de gestão e tentativas de apropriação de um ou mais grupos, tão comuns em tempo de polarização. A Oktoberfest é de Blumenau, dos blumenauenses e de todos aqueles que a visitam e querem conhecê-la. Ainda bem.
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Sucesso traduzido em números
O Summit expôs dados que fazem da Oktoberfest um exemplo para a iniciativa privada. Só em 2024, a festa teve um superávit de R$ 9,6 milhões. Nos últimos dois anos, outra estatística extraída do balanço financeiro chama a atenção. A programação inteira, hoje, se paga sem a necessidade de venda de um único ingresso. A receita com bilheteria normalmente é uma das principais de qualquer evento.
O público respalda a qualidade. Em 2024, uma pesquisa de satisfação apontou que 85% das pessoas que passaram pela Vila Germânica avaliaram a Oktoberfest Blumenau como “ótima ou boa”. A sensação de segurança aumentou com a instalação de centenas de câmeras, com tecnologias de reconhecimento facial e integradas aos sistemas da polícia, combatendo ações de criminosos.
No ano passado, houve o registro de 24 furtos de celulares, um número já considerado baixo considerando a quantidade de gente, sendo que 14 aparelhos foram recuperados e devolvidos aos seus donos. Em 2025, até agora, o “aproveitamento” dos casos é de quase 100%. A “muralha de segurança” ajuda a inibir o crime e está trazendo mais famílias para os pavilhões, aumentando o tempo de permanência na Vila Germânica e o consumo per capita, segredos para que a festa lucre mais.
Os críticos e insatisfeitos sempre existirão, e é bom que existam para que a festa não se acomode e mantenha o espírito de renovação. Mas, hoje, eles são uma minoria bem reduzida.
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