A sigla M&A está na moda. Cada vez mais presente no vocabulário corporativo, as “mergers & aquisitions”, ou fusões e aquisições em tradução livre, viraram pilar estratégico para o crescimento de muitas empresas. E em alguns casos também tábua de salvação para negócios em apuros financeiros. Em Santa Catarina, este mercado está em alta, mostram pesquisas especializadas no mapeamento de operações de compra e venda de companhias.

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Um desses levantamentos, da consultoria internacional KPMG, aponta 36 transações desta natureza envolvendo empresas do Estado somente no primeiro trimestre de 2023. O volume coloca Santa Catarina empatada ao lado de Minas Gerais e atrás somente de São Paulo no ranking brasileiro (veja no mapa abaixo). O estudo considera 43 setores da economia. Outra pesquisa, da também consultoria PwC, indica 58 operações de M&A acumuladas entre janeiro e julho.

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No cenário nacional, números de ambas as consultorias, embora diferentes, têm em comum a disparada nas fusões e aquisições na história recente. Se entre 2013 e 2017 foram quase 800 operações ao ano, de 2018 em diante esta média subiu para 1,4 mil – com recorde histórico em 2021, quando foram registradas 1.963 operações, segundo a KPMG. Já a PwC computou 1.659 operações em 2021, mais do que o dobro das 658 registradas em 2018.

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Sócio e líder da área de negócios da PwC Brasil, Leonardo Dell’Oso usa a pandemia de Covid-19 como pano de fundo para justificar esse crescimento acelerado neste recorte histórico. Com mercados fechados e restrições de circulação impostas pela crise sanitária, empresas tiveram dificuldades para buscar capital. As incertezas deixaram o crédito mais escasso, fazendo com que, em muitos casos, operações de fusões e aquisições se tornassem uma alternativa de sobrevivência.

Compra errada pode acabar com o negócio, diz especialista em fusões e aquisições

— O mercado entrou em liquidação — lembra.

Esse tipo de movimento aliado a uma necessidade acabou popularizando o termo até mesmo entre empresas de menor porte, avalia o especialista. Quem não sabia ou pouco conhecia o mercado de fusões e aquisições passou a entender melhor as perspectivas e os benefícios deste tipo de operação, geralmente ligados à busca por maior eficiência operacional, redução de custos e geração de valor ao negócio, acrescenta Dell’Oso.

O sócio da PwC observa ainda que o desempenho catarinense nesta área está acima da média brasileira. Em 2021, o volume de transações no país cresceu 60%, segundo dados contabilizados pela consultoria. Já no Estado a alta foi bem superior, de 94%. No ano seguinte, as operações de M&A tiveram queda em nível nacional, motivadas principalmente pelas incertezas provocadas pela polarização da corrida eleitoral. Em Santa Catarina, no entanto, o número ficou estável.

Na avaliação de Dell’Oso, a economia mais equilibrada – retratada pela diversidade do setor produtivo – e políticas de governo liberais e pró-mercado são fatores que ajudam o Estado a atrair investidores, o que se reflete em mais negócios de fusões e aquisições. Ele cita tecnologia da informação, agronegócio e energia como segmentos em alta para este tipo de transação.

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Busca por ganhos

Empresas que se consolidaram como “compradoras” nos últimos anos veem nas aquisições uma porta para ampliar a base de vendas ao mesmo tempo em que encolhem despesas. Outras querem entrar ou aumentar participação em algum mercado ou segmento que ainda não atuam, ou buscam incorporar alguma nova tecnologia aos negócios. Há aquelas, por outro lado, que compram concorrentes simplesmente para tirá-los do caminho, acrescenta o advogado Marco Aurélio Poffo.

Com experiência na estruturação desse tipo de negócio, Poffo pondera que um processo de M&A costuma levar, em média, 12 meses, chegando a três anos em alguns casos. Não é um negócio, portanto, que acontece da noite para o dia. A empresa que será adquirida tem que atender a uma série de requisitos. Quem compra, por sua vez, precisa estar atento a informações contábeis, tributárias e trabalhistas.

— Quanto mais risco tem no negócio, menor é o valor, mesmo que ele gere uma lucratividade grande — adverte Poffo.

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