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Empresa de Pomerode coloca Brasil entre países produtores de chocolates finos 

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Por Pedro Machado
10/09/2018 - 06h00 - Atualizada em: 10/09/2018 - 10h41
Nugali mantém produção no Vale e está construindo nova fábrica (Foto: Marco Favero)

Às vezes, o maior obstáculo para vender uma mercadoria para outro país não é o planejamento, nem a burocracia e muito menos a logística. A Nugali precisou superar também desconfianças simplesmente pelo fato de ser brasileira. Afinal, a empresa de Pomerode nasceu com o propósito de produzir chocolates finos, um tipo de produto cuja qualidade costuma ser associada a norte-americanos, suíços e belgas, apenas para ficar em alguns exemplos de mercados mais tradicionais no ramo.

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A própria história da empresa guarda ligação com essa percepção. A engenheira Maitê Lang trabalhava na Embraer e viajava a trabalho com frequência para o exterior. A cada partida, recebia pedidos de colegas de chocolates importados. De tanto ouvir apelos por produtos de mais qualidade, decidiu abrir, em 2004, a própria indústria.

Para convencer os consumidores a não fazer cara feia diante da proposta de um chocolate gourmet nacional e bater de frente com marcas consagradas, Maitê apostou em diferenciais. Decidiu usar apenas ingredientes naturais e foi pessoalmente em fazendas de cacau da Bahia e do Pará para desenvolver fornecedores. Com poucas referências no Brasil, não foi fácil chegar ao produto ideal.

— Já chorei em cima de equipamento e precisei jogar 300, 400 quilos de chocolate fora. Não consegui outra maneira de fazer a não ser errando — lembra a empresária.

Exportar estava nos planos desde o início, mas não havia pressa. Tanto que o primeiro embarque ocorreu somente em 2014, após uma década de vida da empresa e já com o negócio bem maduro. E foi logo em grande estilo: Dubai, uma das mecas mundiais do luxo. O futuro parceiro interessado no produto havia ganhado um chocolate da Nugali e achou a empresa na internet.

As peculiaridades da cultura árabe exigiram cuidados extras na negociação, algo que sempre é preciso observar ao se fechar negócios com estrangeiros. Premiações internacionais ajudaram a abrir novas portas no exterior e a empresa hoje vende também para Japão, Peru, França e Estados Unidos. Entre as linhas que fazem sucesso com os gringos estão chocolates que carregam ingredientes legitimamente brasileiros, como cacau em flor, açaí e cupuaçu.

Nova fábrica

A Nugali foi a primeira marca brasileira a conquistar medalha na etapa mundial da International Chocolate Awards, uma das principais competições de chocolates finos do mundo. Subiu ao pódio duas vezes, com dois bronzes em 2016 e 2017. Hoje, exporta 5% da produção, mas quer ampliar essa fatia em mais três pontos percentuais até 2019. Para dar conta da demanda, está construindo uma nova fábrica para dobrar as vendas em cinco anos. 

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