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Transporte coletivo

Entenda como foi feito o cálculo e o que pesou na nova tarifa de ônibus de Blumenau

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Por Pedro Machado
09/12/2019 - 09h41 - Atualizada em: 09/12/2019 - 10h01
Transporte coletivo de Blumenau
Novidade no sistema é a diferenciação de preços no pagamento em dinheiro e no cartão (Foto: Patrick Rodrigues, BD)

A partir desta segunda-feira (9) quem usa o transporte coletivo de Blumenau pagará mais pela tarifa. A passagem de ônibus subiu de R$ 4,20 para R$ 4,30 nos casos de pagamento em dinheiro, um aumento de 2,38% – abaixo da inflação. O valor foi determinado pela Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (Agir) em decisão publicada no dia 21 de novembro. Quem usa o cartão da Blumob desembolsará R$ 4,28 por passagem.

Nos terminais e nas redes sociais, muita gente questionou o reajuste. Abaixo a coluna tenta esclarecer as dúvidas mais frequentes. As respostas foram elaboradas a partir de informações que constam em procedimentos administrativos da Agir, no edital de concessão e no contrato para a prestação do serviço mantido entre prefeitura e Blumob, além de informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes.

Por que houve aumento na tarifa?

O contrato firmado em 2017 entre a prefeitura de Blumenau e a Blumob, que é válido por 20 anos, prevê que a tarifa seja reajustada anualmente, sempre em dezembro, considerando o aumento nos custos da operação em função da inflação. Isso é feito para manter o equilíbrio financeiro do sistema e evitar que a empresa quebre.

Quem determina o novo valor?

Como concessionária, a Blumob é quem entra com o pedido de reajuste. No caso do transporte coletivo de Blumenau, a análise deste pedido cabe à Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (Agir), que avalia o pleito e determina o valor da passagem de ônibus.

Como é feito o cálculo?

O preço da tarifa é definido a partir de uma equação matemática (abaixo) prevista no edital de concessão. Esta fórmula não pode ser alterada e definirá a chamada tarifa técnica.

Fórmula da tarifa de ônibus de Blumenau
Reajuste anual da tarifa é feito com base na fórmula acima
(Foto: )

O que é a tarifa técnica?

É o valor que resulta da fórmula aplicada no cálculo do reajuste. No processo deste ano, ela ficou em R$ 4,28. A concessão prevê que se essa conta não fechar em um número múltiplo de R$ 0,05, o preço será arredondado para o número mais próximo disso, para cima ou para baixo. Desta vez, a tarifa arredondada ficou em R$ 4,30. Na análise de 2018, por exemplo, a tarifa técnica levantada havia sido de R$ 4,22. Com o arredondamento, ficou em R$ 4,20.

O que é levado em conta no cálculo?

São três fatores: o preço médio do diesel cobrado no distribuidor (e não o cobrado do consumidor na bomba), o salário dos motoristas e a variação de custos com manutenção dos ônibus – medida pelo Índice de Veículos Automotores, Reboques, Carrocerias e Autopeças, calculado pelo Fundação Getulio Vargas (FGV). No fim, isso é dividido pelo índice de passageiros pagantes transportados a cada quilômetro.

O que mais pesa no cálculo?

Pela fórmula, o salário dos motoristas tem o maior peso no cálculo, com 65,17%. O diesel responde por 20,98%, enquanto o Índice de Veículos Automotores, Reboques, Carrocerias e Autopeças tem peso de 13,85%.

De onde vem o aumento?

Todos os indicadores que compõem os custos da tarifa registraram aumento. O preço médio do litro do diesel em Blumenau, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), subiu de R$ 3,355 (outubro/2018) para R$ 3,404 (outubro/2019), variação de 1,46%. O Índice de Veículos Automotores, Reboques, Carrocerias e Autopeças saltou de 137,252 para 143,988, alta de 4,49%. Em relação aos salários dos motoristas, o cálculo considerou um incremento de 2,55% sobre o valor do piso (de R$ 1.351,97 para R$ 1.386,51), que corresponde ao INPC acumulado nos 12 meses anteriores à data-base da categoria, em novembro. Os trabalhadores ainda negociam com a Blumob a campanha salarial. Se houver aumento nos vencimentos acima da inflação, a tarifa pode ser revisada.

Quanto da tarifa fica com a Blumob?

Dos R$ 4,30, R$ 0,41 equivalem à taxa interna de retorno, conforme a composição tarifária. Confira abaixo o que mudou após o reajuste:

Como era com R$ 4,20

Motorista: R$ 0,90 (21,38%) Cobrador: R$ 0,58 (13,87%) Combustível: R$ 0,53 (12,58%) Manutenção e seguro: R$ 0,51 (12,10%) Investimentos: R$ 0,46 (10,98%) Subsídios tarifários e gratuidades: R$ 0,46 (10,94%) Taxa interna de retorno: R$ 0,40 (9,60%) Gastos administrativos: R$ 0,24 (5,62%) Impostos: R$ 0,12 (2,93%)

Total: R$ 4,20

Como ficou com R$ 4,30:

Motorista: R$ 0,92 (21,38%) Cobrador: R$ 0,60 (13,87%) Combustível: R$ 0,54 (12,58%) Manutenção e seguro: R$ 0,52 (12,10%) Investimentos: R$ 0,47 (10,98%) Subsídios tarifários e gratuidades: R$ 0,47 (10,94%) Taxa interna de retorno: R$ 0,41 (9,60%) Gastos administrativos: R$ 0,24 (5,62%) Impostos: R$ 0,13 (2,93%)

Total: R$ 4,30

Por que a tarifa aumentou se a quantidade de horários diminuiu?

Nos últimos meses o transporte coletivo de Blumenau passou por vários ajustes de itinerários e linhas. Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes, algumas linhas tiveram aglutinação de trajeto ou inclusão e exclusão de horários. Ainda conforme a pasta, essas alterações, somadas aos horários diferenciados durante o fim de ano, férias escolares e feriados prolongados, permitiram que a frota deixasse de rodar 340 mil quilômetros. Isso fez com que o índice de passageiro por quilômetro equivalente, um dos componentes da fórmula de cálculo do reajuste da tarifa, tivesse um pequeno crescimento, de 1,462 para 1,478 (alta de 1,09%), compensando a perda de passageiros. Ainda que leve, essa alta ajudou a evitar que o aumento da tarifa fosse maior. Em ofício enviado à prefeitura após ser questionada sobre o cálculo, a Agir confirmou que, se essas medidas não fossem tomadas, a tarifa técnica seria apurada em R$ 4,33, ficando em R$ 4,35 com o arredondamento – cinco centavos mais cara do que a estabelecida.

Há diferença de valores se o pagamento for feito em dinheiro ou no cartão?

Sim. Esta é uma novidade que passa a valer a partir desta segunda-feira. A Câmara de Vereadores aprovou uma lei que institui valores diferenciados e cria a tarifa antecipada, equivalente à tarifa técnica calculada pela Agir. Ou seja, quem comprar créditos antecipadamente no cartão da Blumob terá dele descontado R$ 4,28 ao cruzar a catraca do ônibus. Quem usa dinheiro vivo continuará pagando R$ 4,30. O saldo já existente nos cartões e as recargas feitas até o dia 8 de dezembro seguirão descontando o valor da antiga tarifa (R$ 4,20).

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Um olhar especializado na economia e nos negócios dos setores pulsantes de Blumenau e região.

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