Nos últimos seis anos, a Condor, empresa de São Bento do Sul com quase um século de mercado, dobrou de tamanho. Agora, a fabricante de utilidades domésticas, como vassouras, rodos e escovas de dente e cabelo, mira o primeiro bilhão em faturamento em 2026 depois de vender mais de 204 milhões de produtos no ano passado. E já se prepara para repetir a façanha e multiplicar por dois a receita até 2031.
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— Essa é a ambição da empresa. Se a gente quer dobrar nos próximos cinco anos, a meta precisar ser duplo dígito de crescimento neste ano — projeta Gabriel Burd, diretor da unidade de negócios.
Sem dar muitos detalhes, o executivo garante que a empresa tem “planos robustos” que vão sustentar esse crescimento, independentemente do cenário econômico. Há novos investimentos em estudo. Alguns já estão aprovados – e devem ser informados em breve ao mercado – e outros ainda não.
Com 97 anos, a Condor experimentou uma nova guinada ao começar a mexer na governança interna. A profissionalização da gestão já é um pouco mais antiga, de três décadas atrás, quando a empresa implantou conselhos de administração e de acionistas, além de comitês de mercado.
O pulo do gato, no entanto, veio quando a companhia passou a explorar mais o que Burd chama de “inteligência competitiva”. Traduzindo: a Condor já processa mais de meio bilhão de linhas de dados por ano para identificar oportunidades de mercado e nortear novas estratégias de vendas.
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Esse trabalho orientou a Condor em novos investimentos fabris consolidados recentemente. A empresa, que já tinha fatia relevante no mercado de escovas de dente, montou há dois anos uma fábrica de fio dental. Líder em vassouras, estruturou uma nova operação voltada à produção de sacos de lixo. Para sustentar o crescimento, apostou também em um novo centro de distribuição em São Bento do Sul.

— Nós ganhamos muito share (participação) de mercado e vendas na categoria de fio dental, que hoje é um dos produtos mais bem vendidos dentro dos canais alimentar e também de farmácias — diz Burd.
A ampliação do portfólio para itens complementares dentro de categorias que a empresa já dominava – o chamado mercado endereçável – também vem acompanhada de inovação. A Condor desenvolveu a primeira esponja biodegradável do mundo e também criou um pincel com um cabo composto de madeira e plástico que se decompõe mais rápido no meio ambiente.
Produtos licenciados feitos para marcas como Coca-Cola, Uno, Snoopy e Minecraft são outra alavanca de expansão.
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— Estamos investindo muito em cada vez mais deixar a área de trade marketing uma área focada no cliente, e não na categoria — diz Burd.
Portfólio
Em faturamento, os dois principais negócios da Condor hoje são os segmentos de limpeza e higiene bucal. Mas a empresa também tem participação expressiva no mercado de pincéis. São mais de 2,4 mil itens no portfólio, presentes em 300 mil pontos de venda no Brasil. A Condor também exporta para mais de 30 países, incluindo Estados Unidos, Alemanha, Portugal, República Dominicana, México e Costa Rica.
A operação fabril inclui três unidades e dois centros de distribuição em São Bento do Sul, além de um outro CD em Jaboatão dos Guararapes (PE). Ao todo, a Condor emprega 1,7 mil pessoas.
Para Burd, o segredo para o crescimento tem sido a disciplina em reinvestir constantemente no negócio – em torno de 70% do resultado é reaplicado – e ter uma alocação de capital estratégica em frentes tragam um retorno alto e rápido.
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