Empresa é uma das principais indústrias de cama, mesa e banho do Brasil (Foto: Pedro Machado, Arquivo NSC Total)
Na esteira da inauguração de uma nova fábrica no Paraguai, a primeira fora do Brasil, a centenária Karsten divulgou no fim da última semana o balanço financeiro de 2025. A receita operacional líquida da fabricante blumenauense de artigos de cama, mesa e banho somou R$ 759 milhões, alta de 8,6% frente ao ano anterior (R$ 699 milhões). O lucro líquido foi R$ 70,5 milhões, queda em relação a 2024, quando atingiu R$ 118,4 milhões.
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Um dos destaques informados na publicação é a evolução do pagamento de debêntures (títulos de dívida). É uma dívida milionária que ameaçava o futuro da Karsten, mas que foi renegociada com bancos em 2019, logo após a entrada de novos sócios e de mudança na gestão da companhia.
De um valor original de R$ 484,6 milhões, a empresa já baixou a fatura para R$ 106,5 milhões – a repactuação, na época, garantiu um bônus de quase R$ 290 milhões de adimplência no pagamento de parcelas. A empresa informa que os compromissos estão sendo cumpridos integralmente e estima que essa dívida seja zerada em 2027.
O acordo com os debenturistas é citado na mensagem do presidente, Márcio Luiz Bertoldi, como o início de um ciclo de reconstrução e fortalecimento da companhia. No balanço, o executivo fala agora da inauguração de um “terceiro ciclo” na história recente, com as famílias brasileiras no centro da operação.
“Mais do que um conceito amplamente difundido no mundo corporativo, entendemos esse princípio como um compromisso genuíno com as pessoas que confiam em nossas marcas e em nossos produtos para fazer parte de seus momentos mais cotidianos”, escreve Bertoldi.
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Aos acionistas, o recado é para a geração de resultados, com qualificação do portfólio e exposição de marcas.
A Karsten tem hoje lojas da marca homônima em Blumenau, Balneário Camboriú, Porto Belo, Florianópolis, Londrina (PR), Curitiba (PR), Campo Largo (PR) e São Paulo (SP), além de outras três da Trussardi, grife de alto padrão, no Paraná e em São Paulo. Há planos de expansão no varejo e no digital. Além disso, os produtos da empresa estão em mais de 7 mil pontos de venda no Brasil e em 24 países.
Quais indústrias de SC já passaram dos 100 anos
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Cia. Hering (1880) – Criada em Blumenau no século 19, tornou-se uma das maiores do Brasil em vestuário e implantou uma bem-sucedida operação no varejo. Em 2021, foi comprada pelo Grupo Soma (Foto: Divulgação)
Baumgarten (1881) – Começou imprimindo jornais em Blumenau e, depois, virou uma das maiores gráficas de rótulos das Américas. Em 2016, fundiu-se com empresas alemãs, criando a All4Labels (Foto: Patrick Rodrigues)
Döhler (1881) – Também fundada por um imigrante alemão, em Joinville. É conhecida como uma das principais marcas de produtos para cama, mesa e banho do Brasil. (Foto: Reprodução)
Grupo H. Carlos Schneider (1881) – O grupo, de Joinville, reúne sete empresas de diversos segmentos, entre elas a Ciser, fabricante de soluções em fixação, e a Hacasa, de empreendimentos imobiliários. São mais de 2 mil funcionários e 20 mil clientes em mais de 25 países (Foto: Divulgação)
Karsten (1882) – Fabrica artigos de cama, mesa e banho. Em 2014, integrantes da família fundadora decidiram vender uma fatia da empresa de Blumenau para novos acionistas (Foto: Lucas Correia, BD)
Aludin e Grupo Fretta (1895) – Nasceu na colônia de Azambuja, hoje Pedras Grandes. Destaca-se no varejo com a rede Casas Fretta, mas diversificou negócios e entrou na construção civil e na indústria (Foto: Divulgação)
Pureza (1905) – Localizada em Rancho Queimado, começou as atividades fabricando cerveja, mas hoje é mais conhecida pela linha de refrigerantes, especialmente do sabor guaraná (Foto: Divulgação)
Firma Weege/Malwee (1906) – Nasceu como comércio, cuja principal atividade em Jaraguá do Sul era o açougue. Antes de lançar a marca de moda Malwee, a família também teve frigorífico (Foto: Divulgação)
Lepper (1907) – Outra grande fábrica têxtil fundada em Joinville e atuante até hoje com uma linha de produtos de cama, mesa e banho (Foto: Divulgação)
Hoepcke (1913) – Fabricante de rendas e bordados fundada em Florianópolis, mas que no fim da década de 1970 transferiu as atividades para São José (Foto: Reprodução, Fiesc)
Hemmer (1915) – Nasceu quando um imigrante alemão decidiu produzir chucrute em Blumenau. Depois vieram as conservas e molhos como mostarda e ketchup. Foi comprada pela Kraft Heinz (Foto: Artur Moser, BD)
Minancora (1915) – Criada pelas mãos de um farmacêutico português em Joinville e famosa pela pomada homônima usada para tratamento da pele (Foto: Reprodução, Facebook)
Wanke (1918) – Iniciou sua trajetória como fábrica de instrumentos agrícolas montada para garantir a subsistência de uma família de imigrantes austríacos (Foto: Divulgação)
Altenburg (1922) – Maior fabricante de travesseiros da América Latina, iniciou pela imigrante Johanna Altenburg em Blumenau. Fabrica artigos de cama, mesa e banho (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Gaitas Hering (1923) – A história começou pelas mãos de operários e sobreviveu. De Blumenau, é a única empresa de toda a América Latina que ainda produz gaitas de boca harmônicas (Foto: Patrick Rodrigues, BD)
Max Wilhelm (1925) – Famosa principalmente pelo refrigerante de laranjinha, a empresa nasceu em Jaraguá do Sul, mas consolidou fábrica em Blumenau (Foto: Pedro Machado, NSC Total)