A coluna cantou a pedra no início do ano. Antes soberana no ranking do metro quadrado mais caro do Brasil, Balneário Camboriú deixou o topo pela primeira vez ao perder a liderança para Itapema, revelou o mais recente relatório do Índice FipeZap, com dados de maio, divulgado nesta terça-feira (2). A cidade vizinha já aparecia colada no retrovisor e a ultrapassagem parecia ser uma questão de tempo – por isso não chega a surpreender.

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O próprio FipeZap já vinha apontando para uma rápida aproximação de Itapema, com valorização mais acelerada do que a “Dubai brasileira” nos últimos meses. E números do mercado, principalmente ligados a volume de negócios, ajudam a explicar isso – embora a diferença ainda seja quase mínima, de apenas 11 reais (R$ 15.226 contra R$ 15.215).

Confira o ranking atualizado do metro quadrado no Brasil

Dados de maio de 2026. Fonte: Índice FipeZap

Entre 2020 e dezembro de 2025, foram lançados 593 novos empreendimentos verticais em Itapema, quase quatro vezes mais do que o volume de Balneário Camboriú (170). Em quantidade de apartamentos, a diferença foi ainda maior. Em Itapema, foram 42.535 novas unidades neste período, contra 7.275 em BC. Os dados são de um estudo de mercado da consultoria Brain, especialista em mercado imobiliário.

Diferenças de volume a parte, o indicador que talvez melhor justifique o cenário de reviravolta é o valor geral de vendas (VGV) lançado nos últimos seis anos. Em Itapema, conforme a pesquisa, foram R$ 53,6 bilhões, contra R$ 32 bilhões em Balneário Camboriú. Neste intervalo entre 2020 e 2025, em quatro dos seis anos (de 2021 a 2024) o VGV lançado de Itapema foi superior ao de BC.

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A dinâmica do mercado também ajuda a explicar a troca de posições entre as duas cidades. Balneário Camboriú foi a pioneira na aceleração da verticalização. Especialistas do ramo tratam a cidade como mercado maduro e de alta liquidez, mas hoje os terrenos disponíveis para novas obras ficaram mais escassos.

Itapema, por outro lado, surfou na onda e passou a absorver parte de uma demanda que a cidade vizinha já não conseguia mais atender sozinha. O volume maior de lançamentos, a expansão urbana e investimentos em infraestrutura e turismo, além da inflação natural do setor, puxaram os preços da cidade para cima.

O mesmo dinamismo, porém, que colocou Itapema à frente de Balneário Camboriú pode provocar novas reviravoltas nas próximas pesquisas.