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Falta de insumos no país afeta pacientes com câncer em SC

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Por Raphael Faraco
21/09/2021 - 18h12
Ipen fornece 85% dos radiofármacos e radioisótopos utilizados no país para tratamento e diagnóstico de câncer
Ipen fornece 85% dos radiofármacos e radioisótopos utilizados no país para tratamento e diagnóstico de câncer (Foto: Diorgenes Pandini, arquivo NSC)

Após o Instituto de Pesquisa em Energia Nuclear (Ipen) suspender a produção de produtos radiofármacos e radioisótopos usados para o tratamento de câncer no Brasil por cortes no orçamento feitos pelo Governo Federal, muitos pacientes em SC ficaram preocupados sobre como o Estado será afetado. E o reflexo já pode ser visto. Como os repasses de insumos são semanais, os tratamentos e dignósticos de vários casos poderão ser interrompidos. 

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Em entrevista ao CBN Hub, a Diretora Geral do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepon), Maria Teresa Evangelista Schoeller, explicou que o diagnóstico de câncer será diretamente afetado, mas o tratamento via radioterapia não, pois tem insumos importados sem fornecimento do Ipen.

— A gente vai ter o mesmo problema (diagnóstico), uma vez que o Cepon terceiriza esse serviço em clínicas da cidade e com isso nós podemos ficar com problemas de realizar, por exemplo, o rastreamento das metástases ósseas. Do ponto de vista do tratamento, a nossa radioterapia, as fontes radioativas são de outra natureza — contou.

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A Secretaria de Estado da Saúde reconheceu o problema através de nota à reportegem e citou o exemplo do Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Cardiologia de SC (ICSC), que não terá disponível os insumos radioativos para desempenhar suas atividades a partir da segunda-feira, dia 27 de setembro.

Nota

A Secretaria de Estado da Saúde de SC (SES/SC) informa que a partir de 27 de setembro de 2021, o Serviço de Medicina Nuclear do Instituto de Cardiologia de SC (ICSC), não terá disponível os insumos radioativos para desempenhar suas atividades, tanto de diagnósticos como as cintilografias e de tratamento como é o caso da Iodoterapia para o câncer de tireoide. 

Isso se deve ao fato de o Instituto de Pesquisa em Energia Nuclear (IPEN), único produtor nacional de insumos radioativos, ter suspendido as suas atividades, devido a inexistência de verba orçamentária para aquisição dos insumos, conforme ofício n° 97/2021-DIPEN/IPEN. Salientamos que tramita um Projeto de Lei do Congresso Nacional n°. 16 que solicita a autorização de recursos orçamentários para a manutenção e produção de radiofármacos

Os estoques são semanais. O impacto com a suspensão do fornecimento do IPEN é de aproximadamente 16 a 20 exames semanais de Cintilografias Cardíacas e uma média de seis pacientes por semana para Iodoterapia.

A SES ainda informa que o serviço retornará às atividades quando o IPEN regularizar a questão orçamentária e consequentemente a produção, porém sem data prevista.

Medicina Nuclear brasileira

De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN), o Ipen fornece 85% dos radiofármacos e radioisótopos utilizados no país, o que pode prejudicar cerca de 2 milhões de pessoas. O vice-presidente da SBMN, Dr. Rafael Lopes, também conversou com o CBN Hub.

Audiência Pública 

A deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania-SC) apresentou um requerimento nesta terça (21) para a realização de uma Audiência Pública na Comissão Especial de Combate ao Câncer no Brasil. O encontro, que ainda precisa ser aprovado, deve contar com a participação de representantes dos Ministérios de Ciência, Tecnologia e Inovações, da Economia e da Saúde; e da Sociedade de Medicina Brasileira de Medicina Nuclear.

*Com colaboração de Mateus Boaventura

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Jornalista com mais de 20 anos de carreira, editor e apresentador da NSC TV. Notícias em primeira-mão e informações de bastidores sobre o que acontece em SC.

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