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A presença de SC na Série A em 2022 passa pela Ressacada

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Por Roberto Alves
09/10/2021 - 07h00
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Bruno Silva durante o jogo contra a Ponte Preta na última terça-feira, dia 5, na Ressacada (Foto: André Palma Ribeiro, Avaí FC, Divulgação)

Um começo cheio de dúvidas. Um crescimento lento. Um jogador vira o ponto de equilíbrio. As surpresas e a esperança de voltar à elite brasileira. Faltam nove jogos para terminar um campeonato que o Avaí passou da dúvida à esperança, da lentidão a velocidade, e da qualidade à possibilidade. É assim o Avaí. Quando menos se espera, ele dá o ar da sua graça.

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E quem teria sido este ponto de equilíbrio? Continua sendo ele: Bruno Silva, jogador inicialmente contestado, que deu a volta por cima, jogou toda a experiência a serviço da Ressacada, se impôs, assumiu a liderança em campo, comandou o grupo e mostrou ser imprescindível a quem quer chegar a algum lugar.

Quando ele joga mal, o time sente e isso ficou claro conta a Ponte Preta, na última terça-feira, dia 5, quando o Avaí deixou passar a chance de conquistar os três pontos. Com Bruno Silva (fora do próximo jogo pelo cartão vermelho que recebeu), o sistema defensivo com três gigantes (Alemão, Betão e Edilson), a experiência pode garantir o futuro.

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Bruno Silva celebra o gol que anotou contra o Botafogo, no Rio de Janeiro
(Foto: )

Uma variação de altos e baixos foi percebida no meio-campo. O surgimento de Jean Cléber e a regularidade de Lourenço – pouco técnico, mas de uma vitalidade incrível –, além da obediência ao esquema tático, trouxeram de volta ao time o futebol que a torcida avaiana esperava. Para que tudo isso acontecesse, a vinda de um jogador acima da média, que vem desestabilizando adversários e encaixou como uma luva no time, foi fundamente: Copete, um atacante determinante, que faz as coisas acontecerem. O colombiano é bem auxiliado por Vinicius Leite. Este, um bom jogador que começa a perder a confiança, tantas são as alterações que têm sido alvo, em momentos até inoportunos. 

O revezamento no meio de área começa a nos indicar problema. Ainda não há um titular absoluto no comando de ataque. Com a chegada de Rômulo, em condição física ideal, decidirá de quem é a posição. Opções de qualidade existem. Valdivia, Renato e Jadson são jogadores que compõem, e muito bem, o elenco. Fecham o grupo que tem tudo para levar o Avaí a conquistar o objetivo final.

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Da crítica ao elogio, de vilão a mocinho, respeite-se as convicções do técnico Claudinei Oliveira. Técnico por excelência, que respeita as escolhas e vai com elas até o fim. Usa no trabalho métodos que eu não usaria. Jogadores que estão pedindo passagem, mas ele os têm na fila de espera, por ordem de chegada e não de qualidade. 

Refiro-me ao goleiro Vladimir. Razões de sobra ele já teve para colocá-lo como titular do gol do Avaí. Acha que ainda não é o momento e como as coisas estão andando, respeite-se. Daqui para frente, o caminho está mais curto, as pedras são menores e não tão ásperas. O pior já passou e o caminho parece estar mais florido. O Avaí ainda vai fundir a cabeça do torcedor: vence quatro jogos seguidos e empata em casa. Não se afastar do G-4 é fundamental. 

Anos dourados

O futebol de Florianópolis ficou por muitos anos à mercê das outras cidades do Estado no futebol. Chegou a estar 13 anos sem um título. De 1959, quando o Paula Ramos foi campeão, a 1972, com o Figueirense, vimos Metropol, Comerciário, Olímpico, Inter de Lages, Perdigão, Ferroviário e América conquistarem o Estadual. Antes do Paula Ramos também foram 11 anos aplaudindo Carlos Renaux, Caxias, América e Hercílio Luz.

Mudanças

Com a capital retomando os títulos no início dos anos 1970, surge o JEC, em 1976, com uma dominação incrível e 12 títulos. Neste intervalo, vimos o crescimento da Chapecoense. Hoje, vivemos muito mais de recordações. Gestões nada compatíveis com a grandeza dos nossos clubes derrubaram décadas de sucesso. Vemos o Joinville sem divisão em 2022; o Criciúma caindo para a Segunda Divisão do Estadual e na terceirona nacional, e o Figueirense na Série C do Brasileiro. E a Chapecoense, depois de anos brilhantes, caminha para voltar à Série B do Brasileiro. No momento, e futebol se diz ser momento, apenas o Avaí está no radar nacional.

Comparações?

Não há como. O futebol mudou. Profissionalizou-se. Gestões administrativas desastrosas levaram nossos clubes à bancarrota. Como sobreviver? Dos associados? É pouco. Investidores é a solução e ainda assim com todo cuidado, para evitar o que houve com o Figueirense. Para atrair patrocinadores e investidores, temos de apresentar algo mais, o que não temos neste momento. 

Giro Total

> Estamos bem: Ao contrário do futebol catarinense, o futebol brasileiro parece ir muito bem. Teremos representantes do país nas finais da Libertadores e da Copa Sul-Americana, enquanto nossa seleção é líder nas Eliminatórias para a Copa do mundo. 

> Não mudou: O Criciúma continua o mesmo. Tira Paulo Baier para trazer Claudio Tencati. Sem comentário. Falaram muito durante a semana em desgaste do treinador Baier. Falaram também da interferência no trabalho do técnico. 

> Menos mal: Uma preocupação da torcida do Avaí, após o empate contra a Ponte Preta. Já tem clube de olho em Copete. O contrato com o Leão vai até o final de 2022.

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Referência por resgatar a memória do Esporte catarinense, fatos do dia a dia e pitorescos, misturando bom humor e seriedade na dose certa.

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