As preocupações com o fatiamento das ferrovias em lotes e a necessidade de recuperação dos trechos sem uso deixaram temas como contornos ferroviários de Joinville e São Francisco do Sul e o transporte de passageiros na região Norte do Estado em segundo plano nas tratativas envolvendo o futuro da Malha Sul. Os temas não tem repercussão nas discussões sobre o que fazer com as ferrovias.

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O novo contrato, já que a atual concessão da Malha Sul vence em março de 2027, era visto como a oportunidade para inclusão dos contornos e a volta dos trens de passageiros. No entanto, a maior preocupação é com a reutilização das ferrovias existentes, afinal, somente 210 km dos 1,2 mil km da Malha Sul em Santa Catarina estão em operação.

No caso dos contornos de Joinville e São Francisco do Sul, com obras paradas há 15 anos, a mobilização foi para incluir na renovação antecipada da concessão. O formato, com alguma semelhança aos processos de repactuação em andamento nas rodovias federais, chegou a ser discutido. As duas construções entrariam na lista de compensações pela prorrogação contratual. Mas a antecipação não vai mais ocorrer.

A prorrogação está em estudo, mas por apenas dois anos, no limite legal, até que saiam os leilões. O cronograma do Ministério dos Transportes prevê a realização dos certames até o final, com a Malha Sul dividida em três lotes. Esse fatiamento é contestado por Santa Catarina e demais Estados da região Sul, além do Mato Grosso do Sul.

“(A fragmentação) não contempla as necessidades de integração logística e de desenvolvimento regional dos Estados do Codesul, tampouco assegura a plena articulação da região com a malha ferroviária nacional”, alegaram os Estados em documento do Codesul enviado ao ministério. O temor é de que nem todos os lotes tenham interessados e de eventuais dificuldades na integração com o restante da malha nacional.

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PASSAGEIROS

A retomada dos trens de passageiros – a única ferrovia em operação da Malha Sul no Estado, entre Mafra e São Francisco, só faz transporte de cargas – também não está fazendo parte da discussão da nova concessão. O transporte regular na região foi encerrado em 1991. Há mobilização de três associações de municípios das regiões de Joinville, Jaraguá do Sul, São Bento do Sul, Mafra, Canoinhas e São Francisco do Sul para que a ferrovia seja incluída nos estudos de viabilidade para trens de passageiros.

Em 2021, a prefeitura de Joinville fez pedido de volta da modalidade de transporte, em ofício ao Ministério do Transporte e ANTT.  “Entende-se que inicialmente é possível o transporte partindo do oeste do município (de Joinville), até o município de São Francisco; possibilitando não somente o transporte de trabalhadores e estudantes que se deslocam entre os bairros e os municípios de Joinville, Araquari e São Francisco do Sul, mas também com cunho turístico”, alegou o município. A resposta foi de que o tema deveria ser discutido no momento da nova concessão. Não é o que está ocorrendo.