Faltam menos de duas semanas para o primeiro turno das eleições em Florianópolis e o prefeito Gean Loureiro (DEM) conseguiu ampliar o favoritismo para conquistar a reeleição. É o que mostra a pesquisa Ibope contratada pela NSC Comunicação divulgada nesta segunda-feira. O atual prefeito subiu 14 pontos percentuais e, se a eleição fosse hoje, venceria com folga ainda em primeiro turno.

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Veja a segunda pesquisa Ibope em Florianópolis

Esse avanço de Gean Loureiro de 44% para 58% na pesquisa estimulada em relação aos números divulgados em 5 de outubro aconteceu em meio a dois fatores que não existiam no primeiro levantamento. Na primeira pesquisa, ainda não começara a propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Na época, também, não havia a investigação contra Gean por possível crime de estupro.

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Os números indicam que a campanha do prefeito não só conseguiu potencializar suas ações no comando de Florianópolis nos últimos quatro anos, como neutralizou o desgaste causado pela divulgação do boletim de ocorrência e das imagens em que é flagrado em ato sexual com uma ex-funcionária comissionada da prefeitura. Ela o acusa de estupro e fez esse registro na Polícia Civil, ele diz que se trata de uma armação com objetivos eleitorais.

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Logo que vazaram as imagens, Gean gravou um depoimento para as redes sociais em que nega a violência e admite o caso como mera infidelidade conjugal. Deu o tom da narrativa e o Ibope desta segunda-feira mostra que ela foi endossada por boa parte do eleitorado. Além de crescer 14 pontos na pesquisa estimulada, Gean viu sua rejeição cair de 18% para 12%. Na pesquisa espontânea, aquela em que se pergunta o preferido do eleitor sem apresentar os nomes dos candidatos, o atual prefeito chega a 51% – percentual que já seria suficiente para reelegê-lo.

Os números do Ibope caem na campanha eleitoral como uma bomba do tamanho da que caiu quarta-feira passada, quando veio à tona a acusação de estupro. Se um escândalo desse porte não tem o condão de mudar o cenário eleitoral em Florianópolis, o que mais poderia ter? Parece claro que em um mês de campanha, os adversários se preocuparam mais em disputar quem irá para o segundo turno contra o atual prefeito do que em mudar a percepção da maioria do eleitorado de que a gestão é ótima ou boa. A pesquisa de outubro já mostrava margem para que Gean crescesse – 58%, o índice que tem hoje, era justamente a soma de ótimo e bom para sua gestão na pesquisa de outubro. Agora, chega a 68%.

Na disputa do segundo pelotão, quem está se saindo melhor, diz o Ibope, é Elson Pereira (PSOL). Ele também cresceu acima da margem de erro de quatro pontos percentuais, passando de 7% para 13%. Nominalmente, Elson passa Angela Amin (PP), que caiu de 15% para 9%. Pedrão (PL) oscilou negativamente de 9% para 6%. Os três estão, ainda, em empate técnico. Entre os três, a única mudança considerável no quesito rejeição coube a Angela Amin, que passou de 32% para 40%. Elson tem 12%, enquanto Pedrão tem 11%.

Talvez pelo temor de serem chamados de oportunistas ou de que o atual prefeito os acusasse de integrarem a suposta armação contra ele, os adversários foram tímidos no debate sobre o ato que aconteceu em 2019 em um gabinete da Secretaria Municipal de Turismo. Com notas lacônicas, os adversários falharam em pautar o debate que está além da esfera do crime gravíssimo ainda pendente de apuração e nem é referente apenas à vida privada do homem público. É evidente que o julgamento moral sobre um prefeito que praticou ato sexual – mesmo que tenha sido consentido – dentro de um gabinete da prefeitura pode e deve ser feito pelo eleitor e pautado por seus adversários.

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Em menos de duas semanas, tudo indica que Gean deve confirmar seu amplo favoritismo e se reeleger ainda em primeiro turno. Não há no horizonte sinais de alguma mudança em um cenário totalmente pautado pelo que o prefeito fez – seja suas ações como gestor, seja pelo uso indevido ou criminoso de um gabinete público. Cabe às investigações apontar se houve crime, mas a inadequação é fato. Elson, Angela e Pedrão tem pouco tempo para mudar o jogo ou conformar-se à disputa por um segundo lugar mais importante para seus futuros políticos do que para a eleição 2020.

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