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Análise

MDB unido vai comandar Alesc por dois anos, o que não acontecia desde 1987

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Upiara
Por Upiara Boschi
09/12/2020 - 13h58
Emedebistas Mauro de Nadal e Moacir Sopelsa vão dividir o mandato de presidente da Alesc em 2021 e 2022
Emedebistas Mauro de Nadal e Moacir Sopelsa vão dividir o mandato de presidente da Alesc em 2021 e 2022 (Foto: Montagem sobre fotos de Rodolfo Espínola, Agência AL/Divulgação)

O acordo para a divisão do mandato entre os emedebistas Mauro de Nadal e Moacir Sopelsa na presidência da Assembleia Legislativa em 2021 e 2022, selado terça-feira, não significa apenas uma solução que mantém uma rara harmonia da maior bancada do parlamento estadual. Será a primeira vez que o MDB controlará a Alesc por um mandato completo desde 1987, quando Juarez Furtado iniciou seu biênio na presidência.

Mesmo que o partido tivesse a maior bancada na maior parte desse período, o máximo que conseguiu foi chegar à presidência em mandatos divididos com o PP, tradicional rival na política de Santa Catarina - um ano para Romildo Titon em 2014, outro para Aldo Schneider em 2018. Para voltar a ter um mandato cheio, mesmo que dividido internamente, o MDB teve que superar a sina de deixar de conquistar o posto por rivalidades internas.

A princípio, o script estava pronto para mais uma vez o MDB perder a presidência por falta de unidade. Nos bastidores, Mauro de Nadal e Moacir Sopelsa movimentavam-se em busca do cargo, praticamente reproduzindo a disputa interna entre Nadal e Valdir Cobalchini no final de 2018. Na época, o primeiro conquistou a maioria da bancada, enquanto o segundo articulou externamente os votos necessários. O racha deu combustível à candidatura de Júlio Garcia (PSD), que inicialmente apoiara a pretensão de Cobalchini, e gerou um mal estar que quase levou à saída de Solpesa e Cobalchini da sigla.

A bancada levou meses para recompor a unidade, que acabou colocada em teste nas duas votações de autorização para abertura de processo de impeachment do governador Carlos Moisés (PSL). Embora houvesse divergência interna sobre os casos, ficou estabelecido que os nove deputados votariam juntos na posição que tivesse maioria interna. E assim foi feito, selando a abertura dos dois processos.

Na última segunda-feira, a bancada se reuniu para chegar a um consenso entre Nadal e Sopelsa e para tratar da possível participação no governo de Moisés - que se livrou de um dos processos de impeachment e aguarda o Tribunal de Julgamento analisar a compra dos respiradores fantasmas. Desta vez, era Nadal que buscara articular externamente sua candidatura - conquistando a adesão de PSL, PL e Novo. Passo importante para conquistar o cargo, mas ainda assim dependente da união dos nove emedebistas. Na reunião de segunda, Cobalchini fez um apelo pela manutenção da unidade que marcou a bancada nas votações do impeachment. Foi quando surgiu a possibilidade de divisão de mandato entre Nadal e Sopelsa, o que foi apoiado pela maior parte da bancada.

O acordo foi selado na terça-feira, quando recebeu apoio do presidente Júlio Garcia (PSD), que se colocou à disposição para ocupar a primeira vice-presidência. Depois, cederia a posição para o PL, que também deve promover divisão na função: Nilso Berlanda em 2021, Maurício Eskudlark em 2022. A mesa diretora da Alesc deve contar ainda com PSL, PSD e PT, reunindo assim as maiores bancadas. À frente, a maior delas, o MDB.

Ao consolidar a unidade interna, a bancada emedebista na Alesc se consolida como maior expressão política do partido no Estado - candidata a guiar seus destinos. As emendas impositivas ao orçamento estadual, pagas pela primeira vez em 2020, aumentaram sua influência sobre os prefeitos do partido - praticamente equiparando-os aos deputados federais, que já dispunham de emendas. Antigos caciques, sem mandato, perderam influência. A próximo passo da bancada é a posição sobre a participação no governo de Moisés - como, quando e por quê.

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Faz a leitura e a análise do contexto do cenário político de Santa Catarina, com informações de bastidores. Explica motivações e consequências das principais decisões tomadas nos poderes do Estado.

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