Relatório da CPI da Covid é aprovado e pede 80 indiciamentos, inclusive de Bolsonaro

Votação aconteceu após seis meses de atuação da comissão; senador catarinense votou contra o relatório

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Relatório final da CPI da Covid foi feito por Renan Calheiros (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

Por 7 votos a 4, o relatório final da CPI da Covid, elaborado por Renan Calheiros (MDB-AL), foi aprovado nesta terça-feira (26). A votação ocorreu por volta das 20h15, após mais de sete horas de debates entre os senadores. (veja como votou cada senador abaixo)

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Algumas partes do documento de mais de mil páginas foram lidas previamente em sessão do Senado na quarta-feira passada (20). Naquele momento, o relatório pedia o indiciamento de duas empresas e mais 66 pessoas.

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Detalhes do documento foram acertados em reunião na noite de segunda-feira (25) e mais 10 nomes foram inclúidos no reletório, totalizando 78 pedidos de indiciamento.

Durante a sessão, os nomes do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSL) e do ex-secretário de Saúde amazonense Marcellus Campêlo foram inclusos no relatório por suspeitas sobre contratos durante a pandemia. 

A comissão também chegou a incluir na lista o nome do senador gaúcho Luis Carlos Heinze (PP-RS) porque ele apresentou, na sessão final, um voto separado que defendeu medicamentos sem eficácia contra Covid-19. Mas, ele foi retirado da lista no fim da tarde. 

Com isso, o total ficou em 80 pedidos de indiciamento — 78 pessoas e duas empresas. O único catarinense na comissão, o senador Jorginho Mello (PL) votou contra o relatório. 

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Ao fim da votação, o presidente da comissão, Omar Aziz, atendeu a um pedido da senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) e pediu um minuto de silêncio pelas vítimas da Covid. 

Veja como votou cada senador: 

  • Eduardo Braga (MDB-AM): Sim
  • Otto Alencar (PSD-BA): Sim
  • Marcos Rogério (DEM-RO): Não 
  • Jorginho Mello (PL-SC): Não
  • Humberto Costa: (PT-PE): Sim
  • Tasso Jereissati: (PSDB-CE): Sim 
  • Eduardo Girão (Podemos-CE): Não
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS): Não 
  • Renan Calheiros (MDB-AL): Sim 
  • Omar Aziz (PSD-AM): Sim 
  • Randolfe Rodrigues (Rede-AP): Sim

Resumo

  • Essa é a última sessão da CPI da Covid. Os senadores votarão a nova versão do relatório final do relator Renan Calheiros.
  • Na primeira etapa da sessão, Renan Calheiros fez a leitura do relatório. Após a leitura, cada senador poderá se manifestar por 15 minutos.
  • O senador Luis Carlos Heinze (PP-RS) foi incluído entre os indiciados no relatório final do relator Renan Calheiros, por acusação de disseminação de notícias falsas. O pedido surgiu após a leitura do voto divergente apresentado por Heinze. O caso gerou protestos de senadores governistas.
  • Os senadores Eduardo Girão (Podemos-CE), Humberto Costa (PT-PE), Eduardo Braga (MDB-MA), Otto Alencar (PSD-BA), Eliziane Gama (Cidadania-MA), Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Jorginho Mello (PL-SC) falaram na primeira parte da reunião.
  • A sessão foi suspensa às 14h e retomada às 15h40min.
  • A sessão foi novamente interrompida às 18h para uma votação de outro projeto no plenário do Senado. A previsão era de retomada às 18h30min.
  • Cinco senadores inscritos se manifestaram, exceto Luis Carlos Heinze (PP-RS). Falou também o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e o relator Renan Calheiros. Ainda falta a manifestação do presidente Omar Aziz (PSD-AM).
  • O senador Luiz Carlos Heinze foi retirado da lista de indiciados. 
  • Depois da manifestação de Omar Aziz, senadores votam o relatório da CPI. 
  • Relatório da CPI foi aprovado por 7 votos a 4. 

O relatório da CPI também pediu o afastamento de Bolsonaro das redes sociais, para a “proteção da população brasileira”. O pedido ocorreu nesta terça, depois da live em que o presidente mentiu sobre uma suposta relação de vacinas contra Covid e casos de Aids no Reino Unido. A informação é falsa, e gerou reação de especialistas e políticos.

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Durante a sessão desta quarta, os senadores Eduardo Girão (Podemos-CE), Marcos Rogério (DEM-RO) e Luis Carlos Heinze (PP-RS) leram votos separados. Eduardo Braga (MDB-AM) também apresentou um relatório alternativo, mas declinou antes da sessão depois que o relator Renan Calheiros incluiu o governador do Amazonas na versão final do texto.

Cada um teve 15 minutos, com acréscimo de cinco para apresentar os votos. Essas propostas alternativas, no entanto, só serão votadas se o relatório de Renan for rejeitado.

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O principal foco do documento é Jair Bolsonaro (sem partido), que pode responder por nove crimes. Além dele, os filhos Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro, o ex-ministro Eduardo Pazuello e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga também estão citados no documento por possível participação em crimes. 

Os próximos passos

Depois da votação, os trabalhos da CPI são encerrados e o documento é encaminhado aos órgãos de investigação. Os senadores pretender entregar o relatório já nesta quarta-feira (27) ao procurador-geral da República, Augusto Aras. Uma cópia também deve ser enviada ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

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A depender da pessoa citada no documento, o pedido de indiciamento é enviado a um órgão específico. Se o suspeito tem foro privilegiado, por exemplo, como no caso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a Procuradoria-Geral da República é encarregada de analisar o texto para decidir se dá prosseguimento às apurações e envia o pedido ao Supremo Tribunal Federal.

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Não há um prazo específico para que essas questão sejam analisadas, mas os senadores devem criar uma frente parlamentar permanente para seguir acompanhando as denúncias em relação a pandemia e pressionar o andamento das consequências do relatório da CPI da Covid nos órgãos responsáveis.

A Comissão foi criada em abril e ajudou a esclarecer temas da condução da pandemia, como a demora para a compra de vacinas, negociações suspeitas, “tratamento precoce” e o caso Prevent Senior. 

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