Fundado em 30 de junho de 1958 por Juscelino Kubitschek, o Brasília Palace consolidou-se como o primeiro grande marco de hospitalidade do Distrito Federal (DF). Muito antes da inauguração oficial da nova capital brasileira, o edifício já recebia comitivas estrangeiras e autoridades interessadas em acompanhar de perto os acampamentos de obras que brotavam no Cerrado.
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FOTOS: As memórias do hotel que sediou o poder no Brasil
O QG da utopia no cerrado
Antes da Esplanada dos Ministérios se formar, o hotel funcionava como o único ponto de civilidade na poeira da Novacap. Políticos, engenheiros e embaixadores dividiam o mesmo balcão, transformando os corredores do Palace no epicentro das negociações que viabilizaram a transferência da estrutura federal.
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Para o historiador Afrânio Gonçalves Castro, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), o Palace nasceu como parte do próprio projeto da capital.
“Antes de haver cidade, era preciso haver hospitalidade para que o sonho de Brasília pudesse ser mostrado, negociado e legitimado diante das elites políticas e culturais do Brasil e do exterior“, explica em depoimento registrado pelo Correio Braziliense.
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“O Brasília Palace não hospedou apenas hóspedes; ele hospedou a própria construção da identidade nacional“, acrescenta, apontando o peso histórico do lugar.
Arte sobrevivente nas paredes
A arquitetura de Oscar Niemeyer e o design de interiores do hotel traduziam visualmente o conceito do Brasil moderno. As famosas colunas em “V” dão leveza ao bloco, que parece flutuar sobre o gramado, integrando-se de forma harmônica à paisagem da jovem cidade.
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Nas paredes do lobby, o imenso painel de azulejos de Athos Bulcão e o afresco de Paulo Werneck deixaram de ser apenas elementos decorativos. Hoje, essas obras funcionam como um patrimônio tombado que atrai turistas, arquitetos e estudantes do mundo inteiro.
Do incêndio ao cartão-postal
Mas essa trajetória quase virou fumaça em 1978, quando um incêndio devastador destruiu o interior do prédio e o condenou a 28 anos de abandono. O esqueleto de concreto pichado, vizinho ao Palácio da Alvorada, foi por muito tempo uma das feridas urbanas mais dolorosas da cidade.
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O cenário só mudou em 2006, quando uma restauração minuciosa devolveu o hotel à vida, respeitando o traço original de Niemeyer. Hoje, o Brasília Palace não vive apenas de passado, ele permanece ativo como uma testemunha viva da própria memória política e cultural do Brasil.
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.










