Toda noite, uma luz pisca três vezes a cada 30 segundos no alto do Cabo de Santa Marta, em Laguna. Para quem está em alto-mar, ela representa muito mais do que um ponto luminoso no horizonte: é um aviso de segurança. O sinal indica que embarcações estão diante de uma das áreas mais perigosas do litoral catarinense e continua cumprindo essa missão há 135 anos.

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Inaugurado em 11 de junho de 1891, o Radiofarol Santa Marta permanece em operação praticamente da mesma forma que foi concebido no século XIX. Além de orientar navios, ele serve como radiofarol, referência para aeronaves e estação meteorológica. O monumento ainda abriga uma raridade mundial que faz dele um dos mais importantes da navegação nas Américas.

Construído para evitar naufrágios

Muito antes de o farol existir, o litoral sul catarinense era conhecido pelos inúmeros acidentes marítimos. A região concentra formações rochosas perigosas, especialmente a Pedra do Campo Bom, em Jaguaruna, e a Laje da Jagua, escondidas sob a superfície e responsáveis por diversos naufrágios ao longo dos séculos.

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Sem qualquer referência luminosa entre o Porto de Rio Grande (RS) e o antigo Porto de Desterro, atual Florianópolis, navegadores precisavam atravessar o trecho praticamente às cegas durante a noite. Diante dos riscos constantes, o governo imperial decidiu instalar um farol no ponto mais alto do Cabo de Santa Marta, garantindo o maior alcance possível do feixe luminoso sobre o oceano.

Farol de Santa Marta é uma obra francesa no litoral catarinense

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O projeto foi desenvolvido pela empresa francesa Barbier, Bernard & Turenne, uma das maiores fabricantes de equipamentos para navegação do século XIX. Coube à companhia produzir toda a estrutura óptica e os equipamentos que atravessaram o Oceano Atlântico até chegar ao Sul do Brasil.

Depois da longa viagem de navio, os materiais ainda precisaram ser transportados morro acima em uma comunidade pesqueira praticamente isolada. A construção contou também com a participação de moradores locais.

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Na obra foram utilizados barro, areia e pedras da própria região. O óleo de baleia, abundante no litoral catarinense naquela época, também fazia parte da argamassa para aumentar sua resistência.

Segredo está no topo da torre

O maior tesouro do farol não é a construção em si, mas o equipamento instalado na cúpula.

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Ali está uma lente hiper-radiante de Fresnel, criada a partir da invenção do físico francês Augustin-Jean Fresnel, responsável por revolucionar a navegação ao desenvolver um sistema capaz de concentrar e projetar feixes de luz a distâncias muito maiores do que os antigos espelhos utilizados nos faróis.

A lente instalada em Laguna é formada por aproximadamente 300 cristais, possui 2,66 metros de diâmetro e três metros de altura. Com uma lâmpada de mil watts, produz um feixe que pode alcançar até 85 quilômetros durante a noite com auxílio de equipamentos de navegação.

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Essas características fazem do Radiofarol Santa Marta o maior das Américas em alcance luminoso.

A raridade vai além. O equipamento pertence à categoria hiper-radiante, considerada a maior lente de Fresnel já fabricada. Existem apenas três exemplares desse tipo em funcionamento no mundo: um em Laguna, outro no Havaí, nos Estados Unidos, e um terceiro no Canadá.

Antes da energia elétrica

Quando entrou em operação, no fim do século XIX, o farol não utilizava eletricidade.

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A enorme lente girava por meio de um mecanismo semelhante ao de um relógio de corda. A cada quatro horas, o faroleiro precisava acionar um sistema de pêndulo e engrenagens que fazia a estrutura girar continuamente.

Hoje a rotação é feita por um motor elétrico. Mesmo assim, o mecanismo original permanece preservado dentro da torre e continua apto para funcionar em caso de necessidade, mantendo viva uma tecnologia criada há mais de um século.

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Muito mais do que um farol

Além de emitir o tradicional feixe luminoso, o Radiofarol Santa Marta transmite sinais de rádio utilizados pela navegação e serve de referência para aeronaves que cruzam a região.

O local também funciona como estação meteorológica, fornecendo informações importantes sobre vento, mar e condições climáticas para quem está navegando.

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Outra curiosidade é o feixe vermelho projetado pela lente. Ele não é apenas um efeito visual: serve para indicar exatamente onde estão as formações rochosas perigosas próximas ao cabo, entre elas a Laje da Jagua, local onde o navio utilizado por Giuseppe Garibaldi naufragou décadas antes da construção do farol.

Hoje também pode ser visitado

Desde janeiro de 2026, o Farol de Santa Marta passou a receber visitantes por meio de uma parceria entre a Prefeitura de Laguna, por meio da Secretaria Municipal de Turismo, e a Delegacia da Capitania dos Portos em Laguna.

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A entrada é gratuita, mediante a doação de um quilo de alimento não perecível, destinado a famílias e instituições do município.

Com 29 metros de altura, paredes que chegam a aproximadamente dois metros de espessura na base e 142 degraus em espiral, a torre foi construída sobre um morro localizado a 45 metros acima do nível do mar. Somando a altitude do terreno, a lanterna alcança 74 metros de altura.

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