Um projeto chamado Escola Sustentável e criado pelas turmas dos 8° e 9° anos da Escola de Educação Básica Oswaldo Rodrigues Cabral, em São José, na Grande Florianópolis, poderá transformar uma lei nacional que estabelece regras para a construção de edifícios públicos no Brasil, sancionada em 1935. A ideia desenvolvida pelos alunos busca garantir que todas as construções públicas sejam sustentáveis. 

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O projeto, que começou a ser desenvolvido em 2015, já contou com a ajuda de figuras públicas como Marta Vieira da Silva, jogadora de futebol, o ex-jogador e senador Romário de Souza Faria e os deputados Mário Motta (PSD) e Luciane Carminatti (PT), além de empresas multinacionais como a Volkswagen. 

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Iniciativa começou a partir da professora

A iniciativa partiu da professora Mariângela Branco Back, de 50 anos, que decidiu unir forças com os alunos para criar uma série de projetos que se alinha aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). A cada ano, um projeto surgia a partir das ideias dos alunos.

Até que o projeto Escola Sustentável, desenvolvido em 2022, virou o Projeto de Lei n° 4936/2024. Ele foi desenvolvido a partir das ideias dos estudantes e apresentado pelo senador Romário de Souza Faria (PL) em 2024. A ementa “altera a lei n° 125, de 3 de dezembro de 1935, para determinar a adoção de práticas construção sustentável para edificação e reforma de prédios públicos”. O projeto, que abrange escolas mas também prédios públicos em geral, já está tramitando no Senado federal em Brasília para votação.

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Conferência Nacional Infantojuvenil

Para além do Senado Federal, agora, durante esta segunda (29), terça (30) e quarta-feira (1º), uma adolescente de 13 anos, aluna da unidade, vai apresentar o projeto Escola Sustentável na etapa estadual da VI Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIMA), que “convida as escolas a desenvolverem jornadas pedagógicas em prol da justiça climática, engajando crianças, adolescentes e jovens na transformação de suas comunidades escolares e dos territórios onde estas se situam”. Caso passe na etapa estadual, o projeto pode ir para Brasília, participar da fase nacional. 

Para a professora Mariângela, a oportunidade é um reconhecimento de que a sustentabilidade está sendo cada vez mais valorizada.

Essa oportunidade é um reconhecimento de que todo o trabalho desenvolvido até aqui com os estudantes é muito importante para o Brasil. Não imaginava que aquelas discussões em sala de aula iriam resultar em um projeto de lei que poderá mudar uma lei de noventa anos disse a educadora.

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Selo Escola Sustentável 

Além disso, em uma visita à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) neste ano, os alunos do Grêmio Estudantil e da Comissão do Meio Ambiente da escola de São José, junto com os nonos anos, entregaram outra sugestão de PL aos deputados que presidem a comissão de educação da Alesc: a criação do Selo Escola Sustentável. 

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O Selo deverá certificar todas as escolas que forem sustentáveis em Santa Catarina, com base nos 17 Objetivos da Escola Sustentável (OES), criados a partir das sugestões dos alunos. 

— Perguntei aos alunos o que era necessário para que uma escola fosse sustentável. Depois, coletei as respostas e criei os OES. Levamos esse projeto para a Alesc e estamos em contato com o Deputado Mário Motta, que está apoiando o projeto — afirma a professora. 

Oportunidade para as futuras gerações

Sempre interessada em projetos e ações sustentáveis, a professora Mariângela Branco Back viu nas salas de aula a oportunidade perfeita para levar a importância da sustentabilidade para as novas e futuras gerações. 

— Se queremos criar um planeta mais sustentável, a iniciativa deve partir das escolas, incentivando os jovens a promover a justiça climática. Desde o início do projeto, contei com a participação e o apoio dos estudantes, que são os nossos protagonistas — diz a professora.

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Mariângela tem 50 anos e é professora da área de Ciências Humanas na Escola de Educação Básica Oswaldo Rodrigues Cabral há mais de vinte anos. Apesar de ser natural de Rio Negrinho, no planalto Norte de Santa Catarina, a professora começou a dar aula com 22 anos em Lages, na Serra Catarinense. Hoje, ela vive com a família em São José, na Grande Florianópolis.

Mãe de duas filhas e com uma rotina corrida, a professora vê na educação e no próprio trabalho uma forma de transmitir a necessidade de mudanças para proteger a saúde do planeta. 

 — Não é fácil conciliar escola, projeto e a vida privada. Muitas vezes, priorizei uma coisa em detrimento de outra, mas sempre foi pensando em todos. Porque se a escola vai bem, a sociedade também vai — afirma. 

*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

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