O Estreito de Ormuz, um gargalo de 33 quilômetros no Golfo Pérsico, deixou de ser uma preocupação exclusiva das petroleiras para se tornar o pesadelo do varejo global. A instabilidade na região disparou o “custo do risco”, elevando os prêmios de seguro e forçando navios porta-contêineres a rotas alternativas exaustivas. 

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O resultado direto para o Brasil é uma pressão inflacionária nos produtos vindos da Ásia, que agora viajam mais tempo e sob custos operacionais recordes.

O Xadrez de Trump e o Óleo Russo

Para tentar conter uma explosão nos preços dos combustíveis — que retroalimentam o custo do frete —, o governo de Donald Trump executou um movimento pragmático: a retirada estratégica de tarifas sobre o petróleo russo. Ao facilitar a entrada do óleo de Moscou no mercado internacional, a Casa Branca busca criar um “colchão de oferta” que compense eventuais paralisias em Ormuz. É uma tentativa de evitar que o frete marítimo seja duplamente castigado: pelo risco de guerra e pelo combustível (bunker) mais caro.

Impacto na Indústria e no Varejo

A China, maior parceiro comercial do Brasil, utiliza o Índico como sua artéria principal. Com o Estreito sob ameaça, o desvio pelo Cabo da Boa Esperança (África) adiciona até 15 dias de navegação. Esse atraso desorganiza o fornecimento de semicondutores e insumos industriais, forçando o repasse de custos para o preço final de eletrônicos e bens de consumo no mercado brasileiro.

Como a disparada do petróleo ameaça o seu bolso

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*Com edição de Luiz Daudt Junior.