A atual crise energética provocada pelo bloqueio do Estreito de Ormuz é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”, segundo Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia (IEA). O Irã fechou quase totalmente a passagem marítima estratégica em resposta a ataques de Israel e dos Estados Unidos. Nesta terça-feira (7), vence o prazo dado por Donald Trump para que o país reabra a rota, por onde circula aproximadamente 20% do petróleo e gás mundial.

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Bloqueio iraniano eleva preços e ameaça abastecimento global

O governo iraniano implementou um bloqueio quase completo do tráfego no Estreito de Ormuz. A medida representa uma retaliação aos ataques conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos contra território iraniano, conforme informações divulgadas pelo g1. A interrupção na passagem marítima provocou elevação nos preços da energia e coloca em risco o abastecimento global de combustíveis.

— O mundo nunca enfrentou uma interrupção no fornecimento de energia dessa magnitude — declarou Birol ao jornal francês Le Figaro, em entrevista publicada nesta terça-feira (7).

A decisão iraniana de bloquear o Estreito de Ormuz ocorreu após Israel realizar novos ataques a instalações estratégicas no país. Os alvos incluíram o maior campo de gás do mundo e áreas fundamentais para a exportação de petróleo iraniano. Os Estados Unidos também participaram das operações militares que motivaram a resposta do Irã.

Petróleo se aproxima de 110 dólares o barril

O preço do petróleo disparou e voltou a ficar perto de 110 dólares o barril nesta terça-feira (7). O prazo estabelecido por Trump para que o Irã reabra a passagem marítima expira hoje. A incerteza no mercado aumentou em meio à forte escalada das tensões no Oriente Médio.

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Os países-membros da IEA concordaram, no mês passado, em liberar parte de suas reservas estratégicas de petróleo. A Agência Internacional de Energia sinalizou a possibilidade de liberar mais petróleo dos estoques estratégicos caso a situação se agrave.

— Se for necessário, faremos isso. Vamos observar as condições, analisar os mercados e discutir com nossos países membros — afirmou Birol no mês passado, durante evento em Canberra, na Austrália.

Nos bastidores, a IEA mantém conversas com autoridades internacionais para coordenar possíveis respostas à crise. A agência também acompanha cadeias logísticas e a demanda global por energia.

Países em desenvolvimento devem sofrer mais com alta de preços

A crise atinge países europeus, Japão, Austrália e outras nações. Birol alertou que as nações em desenvolvimento devem sofrer mais com a alta dos preços do petróleo e do gás, o encarecimento dos alimentos e o avanço da inflação.

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A agência sugeriu medidas para aliviar a pressão dos preços da energia sobre consumidores. Entre as sugestões estão trabalhar de casa e evitar viagens aéreas.

O cenário permanece altamente instável. Existe risco de novos confrontos na região. A pressão sobre os preços da energia deve se manter forte.

Histórico de crises do Petróleo

Crise do petróleo de 1973

A crise de 1973, conhecida como primeiro choque do petróleo, começou em outubro daquele ano, quando a OPEP, liderada por países árabes, impôs embargo às exportações para os Estados Unidos e outras nações que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur.

O preço do barril saltou de cerca de US$ 3 para US$ 12 em poucos meses. O impacto foi imediato: aumento da inflação, recessões em diversas economias e mudanças na forma como os países lidavam com a dependência energética.

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Crise do petróleo de 1979

O segundo choque do petróleo ocorreu em 1979, após a Revolução Iraniana, que derrubou o xá Reza Pahlavi. A instabilidade provocou paralisações na produção e nas exportações de petróleo do Irã.

Embora a redução efetiva da oferta tenha sido de cerca de 4%, o temor de escassez levou o preço do barril a mais que dobrar em um ano, passando de aproximadamente US$ 13 para US$ 34. O resultado foi nova onda de inflação e dificuldades de abastecimento, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa.

Crise do petróleo de 2022

A crise de 2022 teve como principal gatilho a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro daquele ano. As sanções impostas por países ocidentais e o risco de interrupção no fornecimento de petróleo e gás elevaram a tensão no mercado.

Combinada à recuperação econômica após a pandemia de Covid-19, a crise levou o barril do tipo Brent a ultrapassar US$ 130. O efeito foi a alta nos preços de combustíveis, energia e alimentos, impulsionando a inflação global, especialmente na Europa.

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Como a disparada do petróleo ameaça o seu bolso