Falhas consecutivas em sistemas operacionais utilizados pelos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para analisar e conceder aposentadorias, pensões e auxílios podem ter causado um prejuízo de R$ 233,2 milhões ao instituto. A Dataprev é a empresa de tecnologia responsável por gerir esses sistemas.

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Uma nota técnica obtida pela equipe de reportagem da GloboNews revelou que 5% a 15% das análises de benefícios foram afetadas por conta de problemas nesses sistemas, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026.

Em alguns meses, o percentual de análises afetadas chegou a ser muito maior. Em fevereiro deste ano, quase 40% das análises foram impactadas por esse tipo de problema. Em novembro do ano passado, cerca de 30%.

Originalmente, o documento foi publicado em 17 de março e, segundo pessoas ligadas ao instituto, as falhas apontadas afetam diretamente a velocidade da fila do INSS.

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O prejuízo bilionário corresponde ao custo da remuneração de servidores que, apesar de estarem à disposição da administração, foram impedidos de trabalhar por causa de falhas tecnológicas.

Esse problema com a Dataprev teria sido um dos fatores que contribuíram para a demissão do então presidente do órgão, Gilberto Waller. Ele deixou o cargo na segunda-feira (13) e foi substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Silveira.

Gilberto Waller havia sido indicado para o cargo em 30 de abril do ano passado, em meio ao escândalo de fraudes na Previdência Social. Ele assumiu a presidência uma semana após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que revelou um esquema bilionário de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.

Graduada em Direito, Ana Cristina Viana Silveira é servidora de carreira do INSS desde 2003, no cargo de Analista do Seguro Social. Entre 2020 e 2024, atuou como professora de Direito Previdenciário. Ocupou a presidência do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) de abril de 2023 até fevereiro de 2026, quando foi nomeada secretária-executiva adjunta do Ministério.

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Em nota, a Dataprev afirma que “não teve acesso à nota técnica interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), datada de 17 de março, e desconhece a metodologia e os critérios utilizados para estimar um suposto prejuízo financeiro ao erário em razão de ‘incidentes sistêmicos’” (leia a nota na íntegra abaixo).

Sistema apresentou falhas em 67 dias no 1º semestre de 2025

O relatório aponta que o problema tecnológico é um dos principais entraves no andamento das filas do INSS. Ao longo dos 15 meses analisados, cerca de 1,75 milhão de processos deixaram de ser avaliados diretamente por causa das falhas nos sistemas.

A indisponibilidade das ferramentas de trabalho comprometeu aproximadamente 15,72% da capacidade produtiva potencial do instituto no período.

Esse acúmulo contribui de forma significativa para o volume de pedidos pendentes, que, ao final de fevereiro de 2026, chegou a 3,1 milhões de requerimentos aguardando análise.

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Um levantamento feito pela Globonews, com base em dados oficiais do INSS, mostrou que, no primeiro semestre de 2025, houve registro de falhas nos sistemas em pelo menos 67 dias. Em alguns episódios, os sistemas ficaram fora do ar por horas ou até dias consecutivos.

Meses críticos e perda de produtividade

Os dados indicam que as instabilidades não ocorreram de forma uniforme, com picos de maior gravidade em que o sistema praticamente paralisou. Os meses mais afetados foram:

  • Fevereiro de 2026: impacto de 39,8% na produção.
  • Julho de 2025: impacto de 38,9%.
  • Novembro de 2025: impacto de 28,6%.

Nesses períodos, a capacidade de resposta do INSS às demandas da população foi drasticamente reduzida, aumentando o tempo de espera dos cidadãos por benefícios previdenciários e assistenciais.

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O que diz a Dataprev?

“A Dataprev é uma empresa pública de tecnologia, parceira estratégica do Governo Federal na manutenção e ampliação de iniciativas de digitalização, automação de processos e transformação digital dos serviços públicos. Sobre os sistemas previdenciários mantidos pela empresa, a Dataprev esclarece que:

1. A empresa não teve acesso à nota técnica interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), datada em 17 de março, e desconhece a metodologia e critérios utilizados para estimar um suposto prejuízo financeiro ao erário em razão de “incidentes sistêmicos”, conforme mencionado pela reportagem;

2. Nos contratos firmados com o INSS, a Dataprev opera com Acordos de Nível de Serviço (ANS), baseados em métricas amplamente utilizadas no mercado de TI, que estabelecem metas de disponibilidade das aplicações de 98%;

3. O INSS possui dezenas de serviços, sendo assim, não é adequado somar os tempos dos incidentes, uma vez que se tratam de ocorrências pontuais, em serviços específicos, e de curta duração média. Entre 2024 e 2025, a empresa registrou disponibilidade superior a 96% nas medições realizadas nos serviços prestados. Em 2026, até meados do mês de março, não foram identificadas quebras de ANS. No período, o valor mínimo de disponibilidade apurado nos serviços foi de 98,50%;

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4. Os contratos também preveem a aplicação de penalidades, quando há descumprimento de cláusulas contratuais;

5. A Dataprev ressalta que, para um diagnóstico completo de eventuais instabilidades, é necessário considerar também fatores externos, como infraestruturas locais e condições de conectividade das redes de acesso, sobre as quais a empresa não possui controle nem visibilidade;

6. Há 51 anos, a Dataprev processa em dia os pagamentos dos benefícios previdenciários para mais de 42 milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras, sem atrasos.

Brasília-DF, 14 de abril de 2026″.

*Com informações do g1