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ANO NOVO

Após dois anos de pandemia, quais os desafios que Joinville precisa enfrentar em 2022

Especialistas e secretários municipais falam sobre o novo ano em seis grandes áreas: saúde, educação, social, economia, cultura e esporte

03/01/2022 - 15h05 - Atualizada em: 03/01/2022 - 17h22

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Hassan
Por Hassan Farias
Vista aérea de Joinville
Vista aérea de Joinville
(Foto: )

Após quase dois anos de pandemia, Joinville precisará enfrentar alguns desafios a partir de 2022. Com a redução de casos ativos, internações e mortes por Covid, problemas que surgiram ao longo deste período ou que ficaram em segundo plano durante o combate ao coronavírus voltam a ser encarados neste ano. 

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Mesmo com o futuro incerto após o surgimento da nova variante Ômicron, os números da pandemia em Joinville caíram nos últimos meses, o que traz esperanças aos joinvilenses de que o ano possa ser melhor.

E ainda tem o avanço da vacinação, que já chega com a terceira dose em parte da população. Com isso, também surge a possibilidade de que novos desafios sejam encarados de frente ao longo de 2022.

A reportagem do AN procurou especialistas e pediu o depoimento de secretários municipais para entender quais são os assuntos e problemas que estarão em debate neste novo ano em seis áreas: saúde, educação, social, economia, cultura e esporte.

Saúde: redução de filas em consultas e exames

Na área da saúde, o foco dos últimos dois anos foi o combate ao coronavírus e os números mostram queda em alguns indicadores, como os casos ativos. Após chegar ao pico de mais de 4 mil em março, Joinville tem cerca de 500 pessoas infectadas neste momento - eram 140 no fim de 2021.

Em relação à ocupação dos leitos de UTI, a cidade teve 190 internados na terapia intensiva em 28 de abril, mas agora são 78 pessoas em hospitais públicos e privados. E as mortes também têm diminuído, com dezembro sendo o mês com menos vítimas de 2021.

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Segundo o secretário da saúde de Joinville, Jean Rodrigues da Silva, o avanço da vacinação e a queda nos números da pandemia permite que a cidade se dedique também a outros desafios em 2022.

- Poderemos avançar com nosso planejamento para reduzir as filas de espera por consultas e por examesespecializados, fortalecendo a qualidade e a humanização dos atendimentos - garante.

Educação: entender a realidade e o papel do professor

A professora da Univille e doutora em Educação, Berenice Rocha Zabbot Garcia, afirma que o primeiro passo em 2022 será entender qual a situação atual, após todas as transformações causadas pela pandemia. Para isso, será necessário que os gestores e escolas conversem com alunos, pais e professores.

- Talvez possa ser feita uma grande roda de conversa, em cada unidade, para entender o que aconteceu. A partir da escuta dos pais, estudantes e professores, vamos perceber o que fazer de forma mais imediata - sugere.

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A especialista também explica que a pandemia deixou mais claro algumas fragilidades já enfrentadas pela educação, como a mediação por meio da tecnologia. Segundo Berenice, algumas pessoas têm confundido o papel do professor como apenas postar o material na internet para que o aluno tenha acesso.

- O papel do professor mudou, mas continua essencial. O papel de repassar o conteúdo para o aluno já passou faz muito tempo. Nós temos que saber transformar a informação em conhecimento - defende.

Já o secretário da educação de Joinville, Diego Calegari, afirma que neste ano o município vai "seguir valorizando o ensino presencial e a socialização, além de incentivar o desenvolvimento dos servidores". 

Social: apoio à pessoas em situação de rua, indígenas e imigrantes

A presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da OAB Joinville, Mariana Vieira Gomes, aponta três desafios a serem enfrentados na área social da maior cidade do Estado em 2022. O primeiro deles é o aumento no número de pessoas em situação de rua por causa da pandemia.

- Algumas pessoas que vemos em situação de rua tinham emprego, carteira assinada e moradia um ano atrás. Também tivemos mudança do perfil. Antes elas eram de outras cidades e Estados, vinham para Joinville e ficavam em uma parte muito específica da cidade. Hoje, vemos elas nos bairros - detalha.

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Um segundo ponto é em relação à comunidade indígena, que vive atrás de um supermercado de Joinville. Segundo Mariana, algumas tratativas já foram buscadas, mas não há nada sendo feito para essas pessoas neste momento.

- Creio que no próximo ano, pode ter alguma retomada forçada e isso nos preocupa. No ano passado, já tivemos alguns lotes vendidos para indígenas que foram derrubados na zona Sul. É iminente termos algo assim novamente - explica.

Por fim, o terceiro ponto a ser retomado, de acordo com a advogada, é o trabalho da prefeitura junto aos imigrantes. Mariana afirma que não há um levantamento de quantos moram atualmente na cidade, nem de quem são, de onde vieram ou de que forma estão sendo auxiliados.

Economia: qualificação profissional, mobilidade e combate à inflação

A professora de Economia da Univille, Jani Floriano, explica que atualmente o setor de serviços é responsável por cerca de 65% do PIB de Joinville, apesar de grande parte atender as indústrias da cidade. Neste contexto, a economista aponta que haverá retomada da atividade econômica em 2022, mas com com busca por profissionais mais qualificados.

- O empregado que quer essa colocação no mercado de trabalho vai ter que buscar a qualificação. Por outro lado, as empresas vão ter que fazer incentivos, oferecendo empregos bons, com salários condizentes e planos de carreira, para que a mão de obra se sinta atraída - detalha.

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Outro gargalo apontado pela especialista é a mobilidade, que atrapalha também no setor econômico. Segundo Jani, isso afeta o transporte de matéria-prima, escoamento da produção, mas também cria dificuldade para trabalhadores se deslocarem, o que é um problema para profissionais e empresas.

- A gente tem que achar soluções para esses problemas porque se a economia de Joinville cresce, mais pessoas recebem salário, compram, consomem. E também serão resolvidas questões sociais e econômicas das famílias - aponta Jani.

Por fim, ela ainda destaca um desafio nacional, mas que interfere na economia local: como o governo federal vai lidar com a inflação? Jani explica que se houver um combate mais acirrado, poder haver redução de crédito para pessoas e empresas, prejudicando a atividade econômica local. Caso seja menos acirrado, a inflação pode aumentar e desistimular consumo e investimentos, impactando nos preços.

Esporte e Cultura: retorno de competições e espaços culturais

O secretário de Esportes, André Mattos, aponta o retorno dos Jogos Escolares de Joinville (Jeville) como o grande projeto de 2022. Segundo ele, o evento possibilitará a participação de alunos de toda a cidade.

- Além disso, continuaremos atuando na captação de grandes eventos para transformar Joinville em uma referência no cenário esportivo nacional, além de aprimorar os nossos projetos de iniciação esportiva e de incentivo à prática de atividades físicas - afirma.

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Já na área cultural, o objetivo do município é dar continuidade ao plano de reativação dos espaços culturais e a valorização do turismo, de acordo com o secretário Guilherme Gassenferth.

- Joinville tem um potencial muito grande, que pode ser ainda mais desenvolvido, a exemplo do Natal Cultural, que movimentou a cidade nas últimas semanas - aponta.

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