A arma utilizada no esquartejamento do corpo da corretora gaúcha Luciani Aparecida Estivalet Freitas, morta em Florianópolis no início de março, foi comprada com o próprio cartão para compras da vítima, conforme a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina. O documento foi obtido pelo jornalista, da NSC TV, Leonardo Thomé, nesta sexta-feira (22).
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Conforme a denúncia, a dona da pousada onde Luciani vivia, Angela Maria Moro, o vizinho dela, Matheus Vinícius Silveira Leite, e a companheira dele, Letícia Jardim, agiram em conjunto no dia 3 de março, com o objetivo de roubar Luciani.
Depois da morte da corretora, provocada por Angela dentro do próprio apartamento dela, os denunciados se apossaram de bens da vítima.
Com os cartões, documentos e o CPF de Luciani em mãos, eles compararam uma serra elétrica e uma série de produtos por meio de uma plataforma virtual.As mercadorias eram recebidas através de nomes falsos.
Quem era Luciani
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Denúncia detalha como denunciados agiram
Conforme a denúncia, houve uma divisão de tarefas entre os denunciados pelos crimes de roubo qualificado pelo resultado morte, ocultação de cadáver e corrupção de menor. Letícia teria responsável por triturar e esmigalhar remédios sedativos, misturando-os na bebida de Luciani.
A empresária Angela, que gerenciava e administrava o residencial onde a corretora morava, então, foi a responsável por ter ferido a vítima com o “apoio material, vigilância e cooperação física” de Matheus e Leticia.
Depois do crime, o trio teria pego eletroeletrônicos da mulher, com uma televisão, um videogame, além de malas de viagem com roupas e o carro da vítima.
Adolescente estaria envolvido na ocultação do corpo
A investigação aponta que o corpo da corretora foi esquartejado no dia 5 de março por Matheus dentro do apartamento de Luciani. Matheus, junto com a companheira Letícia e sua mãe, teriam ocultado os restos mortais sob uma ponte no Rio Tijucas, no município de Major Gercino. A cabeça de Luciani, no entanto, foi ocultada no Norte da Ilha.
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Segundo a denúncia, Matheus, Letícia e Angela teriam ainda envolvido o adolescente irmão do acusado no crime.
Acusados podem ser condenados a quase 40 anos de prisão
O crime de roubo qualificado pelo resultado morte é definido pelo artigo 157 do Código Penal como “subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência”, com pena de reclusão de 20 a 30 anos, e multa.
Já o crime de ocultação de cadáver é tido, pelo artigo 211, como “destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele”, com pena de reclusão de um a três anos, e multa.
O crime de corrupção de menor, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, é definido como “corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la”, e tem relação com o irmão de Matheus, que foi enviado para um endereço no Norte da Ilha para retirar mercadorias compradas no CPF de Luciani. A pena é de reclusão de 1 a 4 anos.
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Com isso, a pena total, se somada, pode chegar a 38 anos de prisão.
Denunciados estão presos
Angela foi presa em flagrante no dia 12 de março por estar em posse de diversos bens pertencentes à Luciani. Atualmente ela está presa na Penitenciária de Florianópolis. Já Letícia e Matheus estão presos no Rio Grande do Sul, estado para onde tentaram fugir após a morte da corretora.
Como o sumiço de Luciani foi descoberto
Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis. Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário.
O boletim de ocorrência foi registrado apenas no dia 9 de março, após a família desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.
Dias depois, em 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, na Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.
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O que dizem as defesas
A defesa de Angela afirmou que deve se pronunciar sobre a denúncia somente na segunda-feira (25). Já a defesa de Leticia Jardim.
Já a defesa de Leticia Jardim afirmou que não teve acesso aos autos, já que o judiciário manteve o caso em sigilo. Por isso, não tem nada a declarar a respeito da denúncia.
Em depoimento, Matheus negou as acusações. A defesa dele não foi localizada.






