nsc
santa

Parabéns, Itajaí!

Laços e fatos: as heranças do trabalhador que se dedicou por mais 40 anos ao porto de Itajaí

No aniversário de 162 anos da cidade, conheça Heder Moritz, dono de uma carreira de sucesso no setor portuário

15/06/2022 - 13h01 - Atualizada em: 15/06/2022 - 17h49

Compartilhe

Bianca
Por Bianca Bertoli
Heder se apaixonou pela atividade que desenvolveu no porto da cidade
Heder se apaixonou pela atividade que desenvolveu no porto da cidade
(Foto: )

Do apartamento no 13º andar, Heder Cassiano Moritz observa atentamente a manobra de um navio no porto de Itajaí. Desde que se aposentou, em janeiro, as idas à janela estão mais frequentes. A distração que dura longos minutos não é aleatória, já que Heder dedicou quase 43 anos da vida dele ao porto. Uma ligação que nem o merecido descanso é capaz de romper.

Receba notícias de Itajaí e do Vale pelo WhatsApp

Mesmo brusquense, a conexão do ex-funcionário público com Itajaí começa já no nascimento. Heder completou 63 anos no mesmo dia do aniversário da cidade, em 15 de junho.

Foi o tio dele quem o aconselhou a fazer o concurso da Portobras, antiga administradora do porto, pertencente ao governo federal. Aos 20 anos, ele estava em lua de mel com a esposa em Balneário Camboriú quando fez uma visita rápida ao parente, que morava em Itajaí. Fez a inscrição e a prova sem muita pretensão e ficou entre os primeiros colocados. Começou em agosto de 1979 como controlador de cargas.

Foi amor à primeira vista.

Dono de uma memória invejável, lembra com riqueza de detalhes aquele primeiro dia. Conheceu cada canto do porto e foi recepcionado, junto com os novos colegas, em um auditório que hoje já nem existe. Nos tempos livres, fazia questão de explorar outros locais do ambiente de trabalho. Queria aprender o máximo que pudesse.

Dedicado, fez boas trocas com os colegas mais velhos, cursos e especializações. Não à toa, construiu uma carreira de sucesso e de rápida ascensão. Ainda nos anos de 1980 assumiu cargos de chefia. Passou por diretorias, foi administrador do porto e desde 2020 atou como Diretor Geral de Operações Logísticas.

Leia também | Laços e fatos: a vida do historiador que marcou a Educação de Itajaí

Viu de perto e contribuiu para mudanças importantes do porto. Acompanhou o processo de municipalização, a diversificação das operações quando o mercado pediu e a migração para os contêineres. Tendo como essência a movimentação de carga geral, o porto foi crescendo ano a ano. Heder lembra do tamanho dos navios na época em que começou a trabalhar: 177 metros. Atualmente há estruturas de 350 metros.

Outros terminais foram surgindo, originando o complexo portuário, que engloba também Navegantes. Um dos episódios mais tristes que passou no porto, recorda, foram as enchentes de 1983 e 2008. A força das águas do Itajaí-Açu destruiu parte do cais.

O trauma foi tanto que desde o primeiro estrago Heder acompanha a previsão do tempo rotineiramente, mais de uma vez por dia. Virou o “meteorologista” da família e da equipe, com quem tem contato por grupos no WhatsApp até hoje. O medo era tanto das chuvas que só pegava férias em meses mais secos, para estar disponível em outros momentos se o pior acontecesse.

> Conheça receitas deliciosas para encarar o frio em Santa Catarina

Quem nasceu primeiro?

— Não existe Itajaí sem o porto e o porto sem Itajaí. Não dá para saber qual o mais importante, são vinculados — diz Heder.

O historiador Edison d’Ávila tem a mesma opinião e acrescenta: “Foi o porto que originou a cidade”. Uma relação tão íntima e rara ao analisar outros municípios. Em Itajaí, se o porto para a cidade também para.

— Itajaí tem o segundo maior PIB do Estado, o município entendeu a importância do porto — explica o pesquisador.

A movimentação de contêineres coloca o Complexo Portuário de Itajaí na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas do porto de Santos.

> Frio em Santa Catarina: saiba quais são as cidades mais geladas

Terra de todos

A atividade portuária trouxe pessoas de outras regiões do país e até do mundo a Itajaí. Foi assim com Heder, que deixou Brusque para começar uma nova fase um pouco mais longe de casa. No começo sentiu saudades da terra natal, mas não durou muito. A paixão pela profissão e pela nova cidade falou mais alto.

> Porto de Itajaí pode ficar com chineses ou árabes após leilão

Dentro do lar, recebeu todo o apoio da companheira Lilian Moritz, que segurou as pontas com os dois filhos sempre que o marido precisou se ausentar por conta do ofício. O casal se formou junto na faculdade; ela em Pedagogia e ele em Administração e Letras. Agora, olhando para trás, o clichê do “passa um filme pela cabeça” é real para o já vovô Heder.

— Tenho muita gratidão a Deus e às pessoas que me ajudaram. Fico feliz com a sensação de ter contribuído com a cidade, participado um pouco dessa história que é tão bonita.

> Gripe ou Covid-19: saiba a diferença entre os sintomas

Apesar do tom nostálgico, Heder não quer se desligar do porto tão cedo. Entre uma viagem e outra de lazer com os amigos, os encontros com a família e as atividades na igreja luterana, há o tempo dos estudos. Acompanha as notícias relacionadas ao setor e permanece atento às novidades. Tem a intenção de ser consultor para continuar na missão de contribuir com o desenvolvimento do porto. 

Enquanto observa as manobras dos navios da janela do apartamento, não é o mar que ele vê. São as lembranças do passado e as expectativas para o futuro.

Leia mais

> 5 dicas para revestir as paredes com madeira

> Catarinense viraliza após apresentar Dua Lipa como nova namorada para a mãe: "Muito linda"

> Serra de SC tem sexto dia seguido de temperaturas negativas

Assita ao especial sobre a BR-470

Colunistas