O prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni (MDB), voltou a defender o método de ozonioterapia retal para tratar pacientes com o novo coronavírus na cidade. Em entrevista à CBN Diário na tarde desta quarta-feira (5), o prefeito afirmou que a técnica tem base científica, questionou entidades médicas que somente permitem o uso da técnica de forma experimental, como parte de pesquisas com acompanhamento dos pacientes, e outra vez lamentou os memes e piadas feitos da situação desde o anúncio das aplicações de ozônio em Itajaí.

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Morastoni repetiu o argumento de que na verdade a prefeitura inscreveu Itajaí para participar de um programa nacional de aplicação de ozônio para pacientes com covid-19, que seria aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), do Ministério da Saúde. Segundo ele, o projeto ocorre “em protocolo de pesquisa, em ritual rigorosamente científico”.

– Entre essa ponta de várias medidas restritivas para impedir a circulação do vírus, e entre os novos leitos de UTI, que estão na ponta final, há um vazio. Há uma parte que cabe à atenção primária de saúde. Esse povo que está em busca de esperança, orientação. Devemos apenas dizer aguarde, vá para casa, quando piorar a respiração venha ao hospital, ou teremos atitude mais energética, pró-ativa, que não seja só ver a banda passar? – argumentou.

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Prefeitura pretende iniciar aplicações na próxima semana

O prefeito afirma que a expectativa é de que a participação do município no projeto seja aprovada em até cinco dias. Se isso ocorrer, a cidade pretende começar as aplicações de ozônio já na próxima semana. O local escolhido para o uso da técnica deve ser o Centro Integrado de Saúde (CIS), no bairro Cidade Nova.

Morastoni esclarece que a cidade tem em média de 300 a 500 pacientes ativos com coronavírus, mas que somente casos com sintomas e de pessoas que quiserem ser voluntárias vão receber a aplicação. A participação exige assinatura de um termo de consentimento.

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“As pessoas vão rever essas atitudes”, diz Morastoni

Na entrevista à CBN Diário, Morastoni afirmou que a expectativa de adesão ao tratamento alternativo era uma antes da polêmica, e agora é outra. O motivo seria o que ele chamou de “terrorismo, amedrontamento e distorção” da ideia proposta pela prefeitura.

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– Não é por causa dos memes, charges, das pessoas que zombaram, não é isso que me atinge. O que me preocupa é que outras pessoas podem ficar amedrontadas, com receio, vergonha, coisas desse tipo. Mas acredito que as pessoas vão entender que é um benefício – afirmou.

O prefeito disse que as reações foram alvo de preconceito e disse que isso seria uma “ignorância sem tamanho”.

– As pessoas deturparam, distorceram e criaram essa gozação, fizeram toda essa pilhéria, essa piada, esses memes. É algo muito grave. Na linha do tempo as pessoas vão rever essas atitudes totalmente desconcertadas – criticou Morastoni.

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Prefeito questiona posições do CFM e do Ministério Público

O posicionamento de órgãos como o Conselho Federal de Medicina (CFM), que deixam claro que a ozonioterapia só pode ser usada de forma experimental, em pesquisas com acompanhamento de pacientes e seguindo critérios rígidos, também foi criticado pelo prefeito de Itajaí.

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– O Conselho Federal de Medicina, com todo respeito que tenho, por seus conselhos regionais também, são instituições que às vezes ainda estão defasadas no tempo em poder se atualizar dentro de determinada evidência que é clara, cristalina. São milhares de médicos que já praticam ozonioterapia em seus consultórios – alegou.

Após o anúncio de que a ozonioterapia contra a covid-19 seria adotada em Itajaí, o Ministério Público de Santa Catarina também se posicionou e recomendou a não adoção do trataento no município porque ele não possuir evidência científica.

– Qual entendimento técnico que o Ministério Público vai ter de um assunto como esse? Com o terrorismo na opinião pública, o MP, no seu papel constitucional, legal, me mandou uma correspondência dando prazo para poder prestar esclarecimento sobre tudo que estava sendo proposto – conta.

Ele afirma que o município está preparando uma resposta para o órgão de controle explicando que o município na verdade fará parte de uma pesquisa nacional, liderada pela Associação Brasileira de Ozonioterapia (Aboz).

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– Tenho certeza que Ministério Público, assim como outros órgãos que buscarem informações, ao receber documentos vai ver com outros olhos e entender o significado e a importância dessa alternativa – defende.

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