A ponte Anita Garibaldi, uma das maiores em extensão do Brasil, foi interditada na última quinta-feira (9) após o rompimento de um dos cabos de sustentação do vão central da estrutura. A trajetória da ponte, cartão-postal da cidade, foi marcada por atrasos na entrega e “risco de colapso” em 2022. Nesta quarta (15), a ponte completa 11 anos da inauguração.
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O projeto arrojado veio como uma promessa para solucionar um gargalo histórico da BR-101. Em 2008, a previsão para a entrega da obra foi anunciada para 2010. O projeto, no entanto, só foi aprovado em julho de 2010, com nova previsão de entrega para 2013, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), na época.
As obras começaram em setembro de 2012 com novo prazo que estipulava a entrega da ponte em 36 meses. Em novembro do ano seguinte, as obras já estavam na metade do prazo previsto para conclusão, com cerca de 1,5 mil operários atuando em três turnos diários.
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Na etapa final da construção, em dezembro de 2014, três trechos estavam prestes a serem concluídos, faltando apenas 10 peças na parte estrutural. Prevista para ficar pronta no fim de maio, a obra teve que ser adiada pela quarta vez, com novo prazo definido para o dia 30 de junho. A inauguração da ponte aconteceu em 15 de julho de 2015, data que completa 11 anos nesta quarta-feira.
Ponte já apresentava “risco de colapso” em 2022
A ponte já apresentava problemas em 10 de outubro de 2022. Documentos elaborados pela CCR ViaCosteira, responsável pela manutenção da estrutura, e obtidos pela NSC, apontam que um “risco de colapso” foi constatado na época.
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O arquivo foi enviado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e relatava deficiência estrutural na ponte. Uma análise técnica havia observado uma abertura em parte da estrutura, além do rompimento completo de quatro barras que ligavam a laje inferior aos blocos da ponte.
Em novo documento encaminhado à ANTT, em junho de 2026, a CCR cita relatórios recém-concluídos que constataram a necessidade de restrição temporária de carga na Ponte Anita Garibaldi.
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A limitação seria aplicada a cargas com peso superior a 10 toneladas-força por eixo, que é o máximo de peso permitido para um eixo simples com quatro pneus. A restrição duraria por seis meses, até que a fase de diagnóstico fosse concluída.
No dia 8 de julho, a concessionária recebeu os primeiros resultados do relatório e constatou o rompimento de cabos de protensão na junta entre duas partes da estrutura. O dano estrutural ocorreu no mesmo local que já apresentava problemas quatro anos atrás.
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Dois dias antes, em reunião entre CCR e ANTT, foi discutida a necessidade de levantar documentos sobre a construção da ponte, bem como diários de obra e registros pertinentes sobre a estrutura. A concessionária afirmou, na ocasião, que busca esses documentos desde 2022 e que considera a recuperação desses arquivos “importante para uma avaliação mais conclusiva das causas das ocorrências”.
Em nota enviada ao NSC Total, a concessionária declarou que as intervenções de 2022 e 2024 seriam na mesma seção, mas em pontos diferentes. Ressaltou ainda que teria executado as intervenções necessárias em 2022, com acompanhamento técnico especializado. (Confira nota completa na íntegra)
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Ao todo foram gastos R$ 760,8 milhões na construção da obra, cerca de R$ 163,8 milhões a mais do que o previsto. O cartão-postal, que ocupa o sétimo lugar no ranking das maiores pontes em extensão do país, tem mais de 2,8 mil metros de comprimento. Só a altura do mastro da estrutura equivale a 1,7 estátuas do Cristo Redentor.
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A ponte foi nomeada em homenagem a heroína nascida em Laguna em 1821 e conhecida pela participação na Revolução Farroupilha e no processo de unificação da Itália junto com o marido e revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi.
Ponte foi interditada na quinta-feira
A ponte foi fechada na noite da última quinta-feira (9) para reparo emergencial na estrutura, segundo a ViaCosteira, concessionária que administra o trecho Sul da BR-101 em Santa Catarina. A interdição aconteceu após o rompimento de um dos cabos de sustentação do vão central da estrutura.
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Segundo informações obtidas pela NSC TV, o cabo que teve fios rompidos fica em uma parte interna da pista, de concreto, não os da parte estaiada, que seguem intactos. Os do vão central fazem parte da estrutura da pista da ponte, responsáveis pelas ligações entre placas no momento da instalação.
Em nota, a ViaCosteira informou que “como medida preventiva para garantir a segurança dos motoristas será necessário o bloqueio total para realização da atividade”.
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Os trabalhos seguem até 20 de julho, quando, segundo a concessionária, está prevista a liberação parcial do tráfego em ambos os sentidos da ponte. Após essa etapa, outras intervenções ainda seguirão sendo executadas na estrutura.
Como fica o tráfego durante o reparo
Veja a nota da CCR ViaCosteira
“A ViaCosteira esclarece que, desde o início da concessão, mantém um programa permanente de monitoramento e acompanhamento técnico da Ponte Anita Garibaldi, assim como das demais obras de arte especiais sob sua administração. Esse trabalho é realizado por meio de inspeções e avaliações periódicas conduzidas por equipes especializadas.
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Cabe esclarecer que a intervenção atualmente em execução decorre de uma situação distinta da registrada em 2022, ou seja, é na mesma seção, mas em ponto diferente. Na época, após inspeção especial da estrutura, foram identificadas necessidades de reparo e a Concessionária executou as intervenções necessárias, com acompanhamento técnico especializado, restabelecendo as condições previstas.
Durante uma das rotinas de inspeção e monitoramento contínuo da ponte, realizada na semana passada, foi identificada uma anomalia pontual em uma das cordoalhas internas – conjunto de fios de aço de alta resistência – que indicou a necessidade de reparo.
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Como medida preventiva, e visando garantir a segurança dos motoristas e das equipes envolvidas, foi necessário promover o bloqueio temporário total da ponte para a execução dos trabalhos, com a implantação de desvios de tráfego nos sentidos sul e norte da BR-101.
O bloqueio permite o acesso das equipes e dos equipamentos necessários à execução da manutenção, uma vez que os serviços são realizados na estrutura interna da ponte.
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A Concessionária reforça que a identificação da anomalia é resultado direto do monitoramento permanente realizado na estrutura e que todas as medidas adotadas seguem rigorosos critérios de engenharia e segurança, com o objetivo de preservar a integridade da Ponte Anita Garibaldi e garantir a segurança de todos“






