O Banco do Brasil (BB) fechou um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios para garantir os serviços postais da instituição pelos próximos 5 anos. A parceria foi assinada sem necessidade de licitação, sob a justificativa de que não há concorrência viável para cobrir o serviço no Brasil. O acordo promete otimizar a logística de correspondências e cartões enviada aos clientes do banco. Segundo o BB, a contratação direta foi adotada porque 97,84% dos serviços previstos no contrato são de exclusividade dos Correios, o que inviabilizaria processo licitatório. A instituição afirmou ainda que a manutenção da parceria é necessária para garantir a continuidade das operações e evitar prejuízos da interrupção dos serviços.
Continua depois da publicidade
O que os Correios vão entregar para o Banco do Brasil
O novo acordo contempla uma ampla gama de serviços logísticos e postais prestados pelos Correios no Brasil e no exterior.
Entre as atividades previstas estão a distribuição de cartões de crédito e débito, talões de cheque, correspondências destinadas aos clientes, envio de malotes entre agências do Banco do Brasil e notificações oficiais, incluindo comunicações de cobrança e documentos de natureza jurídica.
Continua depois da publicidade
Segundo o banco, a estrutura dos Correios continua sendo essencial para atender sua rede de atendimento e garantir a entrega desses materiais em todo o território nacional.
Parceria substitui contrato que vence neste mês
O novo contrato sucede um acordo que já existia entre as duas instituições e cuja vigência se encerraria em 10 de julho de 2026.
Continua depois da publicidade
A relação entre Banco do Brasil e Correios é histórica. Até dezembro de 2019, a principal parceria era realizada por meio do Banco Postal, modelo em que as agências dos Correios funcionavam como correspondentes bancários do Banco do Brasil, ampliando a oferta de serviços financeiros em municípios sem agências bancárias.
Após o encerramento do Banco Postal, as instituições mantiveram apenas contratos voltados à prestação de serviços logísticos e postais, utilizados para dar continuidade às operações da instituição financeira.
Continua depois da publicidade
Novo acordo é firmado em meio à crise financeira dos Correios
A assinatura do contrato acontece em um momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelos Correios.
No primeiro trimestre de 2026, a estatal registrou prejuízo líquido de R$ 3,16 bilhões, resultado que reforçou a necessidade de medidas para fortalecer o caixa da empresa.
Continua depois da publicidade
No fim de 2025, os Correios contrataram um financiamento de R$ 12 bilhões junto a um consórcio formado por Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e o próprio Banco do Brasil. A operação, com vencimento previsto para 2040, contou com garantia integral do Tesouro Nacional e tem como objetivo financiar o plano de reestruturação da estatal.
Os alertas do TCU sobre a saúde fiscal da empresa pública
A situação financeira dos Correios também passou a ser acompanhada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Continua depois da publicidade
Em 2026, o órgão de controle emitiu alertas ao governo federal apontando falhas técnicas nas avaliações sobre a capacidade da empresa de gerar caixa suficiente para honrar os compromissos assumidos no financiamento de longo prazo.
Embora os alertas não tenham impedido a contratação do empréstimo nem a celebração do novo contrato com o Banco do Brasil, eles evidenciam a preocupação do TCU com a sustentabilidade financeira da estatal nos próximos anos.
Continua depois da publicidade
*Com edição de Luiz Daudt Junior.

