O pequeno Henrique, de Blumenau, passou por uma cirurgia de transplante de coração na madrugada desta quarta-feira (29). A notícia de um doador compatível chegou após exatos seis meses e nove dias de uma espera angustiante dentro do Hospital Pequeno Príncipe, no Paraná. A unidade é referência em transplantes cardíacos pediátricos para o Sul do Brasil.

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Gabriela Martins, mãe do garoto de um ano, compartilhou a novidade nas redes sociais em uma mensagem de felicidade e gratidão. “O “sim” do Henrique chegou. Peço de todo coração orações pela família doadora, que mesmo em meio à dor, foi instrumento de amor e esperança. Que Deus conforte e abençoe a todos”, diz a publicação no Instagram.

A cirurgia ocorreu bem, conta Gabriela. Em conversa com o NSC Total Blumenau, ela revelou o sentimento de quando soube que havia um coração compatível e o transplante finalmente ocorreu. No mês passado, chegou a haver uma esperança com outro coração disponível para o pequeno Henrique, mas, por fim, a cirurgia não pôde ser realizada. Agora, é um novo capítulo:

— Um alívio poder aproveitar a vida com ele. Levar ele novamente para casa. Sempre sonhei com o momento de poder vê-lo engatinhando pela casa e agora sei que vou realizar. Mas nada disso seria possível sem uma família que não olhou só para si, pensou em outra família também. Ainda parece um sonho — admite Gabriela.

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Seis meses na UTI de um hospital

Henrique foi levado ao médico em Blumenau com uma suspeita de gripe em outubro do ano passado. Durante uma série de exames, a equipe médica percebeu uma alteração no coração do garoto. A partir daquela data, ele não saiu mais do hospital. Foram 20 dias de internação em Blumenau até a transferência para Curitiba, no Paraná.

A mãe conta que a insuficiência cardíaca teve início após uma miocardite, uma inflamação do músculo do coração chamado miocárdio. Esse músculo é o responsável por fazer o coração se contrair e bombear o sangue para todo o corpo. Quando ocorre a miocardite, o coração pode perder força, passar a bater de forma irregular ou ter dificuldade para cumprir sua função.

Em bebês e crianças pequenas, isso pode evoluir rapidamente para insuficiência cardíaca, como aconteceu com o Henrique, conta Gabriela. O garoto, na época com 10 meses, entrou oficialmente na lista de espera por um coração no dia 25 de novembro. Ele está internado no Hospital Pequeno Príncipe, referência em transplantes cardíacos pediátricos. O serviço não está disponível em Santa Catarina.

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