Era para ser uma simples ida ao hospital por causa de uma gripe. Mas, a partir daquele fatídico dia 22 de outubro, a vida do pequeno Henrique não foi mais a mesma. Durante uma série de exames, a equipe médica percebeu uma alteração no coração do garoto de Blumenau. De lá para cá, já são mais de dois meses de internação e a notícia de que ele precisa urgentemente de um transplante.
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Gabriela Martins conta que a gestação foi muito tranquila e o filho nasceu saudável. A família nunca teve histórico de doenças cardíacas. Até que um dia Henrique voltou da creche e começou a apresentar sintomas de gripe. Como a pediatra estava fora da cidade, a mãe resolveu levá-lo ao pronto-socorro. Aí veio a surpresa que ela e o marido não imaginavam, pois não havia nenhum sinal.
— Seguiram o protocolo e fizeram exames de influenza, Covid e um raio-X. Os testes deram negativos. Mas o raio-X mostrou algo que mudou completamente as nossas vidas: um aumento do coração. A médica plantonista ficou preocupada e decidiu pela internação — explica.
Henrique precisou ir para a UTI porque o coração dele estava com dificuldade para bater. Ele já não tinha a força necessária para manter o próprio funcionamento. A medicação não resolveu o quadro de insuficiência cardíaca e a necessidade de um transplante passou a ser uma possibilidade. Foram 20 dias de internação em Blumenau até a transferência para Curitiba, no Paraná.
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O diagnóstico
A mãe conta que a insuficiência cardíaca teve início após uma miocardite, uma inflamação do músculo do coração chamado miocárdio. Esse músculo é o responsável por fazer o coração se contrair e bombear o sangue para todo o corpo. Quando ocorre a miocardite, o coração pode perder força, passar a bater de forma irregular ou ter dificuldade para cumprir sua função.
Em bebês e crianças pequenas, isso pode evoluir rapidamente para insuficiência cardíaca, como aconteceu com o Henrique, conta Gabriela. O garoto de 10 meses entrou oficialmente na lista de espera por um coração no dia 25 de novembro. Ele está internado no Hospital Pequeno Príncipe, referência em transplantes cardíacos pediátricos. O serviço não está disponível em Santa Catarina.
— Ele está na lista como prioridade por conta das drogas, pois depende delas para o coração continuar tendo forças para bater. Mas, infelizmente, a taxa de doação em bebês com menos de um ano é mais difícil — lamenta a mãe, sem perder as esperanças de ver o filho receber um novo órgão.
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Desde quando a batalha começou, a mãe precisou se afastar do trabalho. Ela passa 24 horas por dia ao lado do filho no hospital. Só sai para comer, tomar banho e ir ao banheiro. O marido continua em Blumenau, por causa do serviço, e toda sexta-feira enfrenta cerca de 500 quilômetros de estrada para ir e voltar do Paraná e ficar ao lado da esposa e do filho.
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O desafio nessa logística é conseguir arcar com todos os custos. Gabriela conta que o salário do marido paga as contas, mas foi preciso alugar uma casa em Curitiba. Será neste imóvel que a família vai ficar por pelo menos três meses após o transplante do pequeno Henrique. Quem puder ajudar com doações, o Pix do pai do bebê, Robson Schug, é (47) 9 9965-6374.
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