O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está em prisão domiciliar há quase um mês e está no centro do julgamento da trama golpista, que começou nesta terça-feira (2) e deve ter desfecho até o dia 12, no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso seja condenado, Bolsonaro pode ser submetido a mais de 40 anos de reclusão, se forem aplicadas as penas máximas nos cinco crimes pelos quais é acusado, embora a defesa possa solicitar regimes como o de prisão domiciliar, pela idade e estado de saúde do ex-presidente.

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Mas a atual prisão domiciliar não é a primeira vez em que o ex-presidente fica preso. Em setembro de 1986, Bolsonaro ficou detido por 15 dias após publicar um artigo na revista Veja com o título “O salário está baixo”, reclamando dos valores pagos na época a oficiais do Exército. A publicação ocorreu sem conhecimento dos superiores do então paraquedista e capitão da Academia Militar das Agulhas Negras.

No final do artigo, Bolsonaro já sinalizou saber que a publicação poderia pôr em risco a carreira militar. “Corro o risco de ver minha carreira de devoto militar seriamente ameaçada, mas a imposição da crise e da falta de perspectivas que enfrentamos é maior”, escreveu.

A suspeita se confirmou e Bolsonaro ficou detido por 15 dias por infração disciplinar, em setembro de 1986. Em 2017, reportagem da Folha de S.Paulo, publicada após o jornal ter acesso a documentos, afirmou que o ex-capitão foi preso por “ter ferido a ética, gerando clima de inquietação na organização militar” e “por ter sido indiscreto na abordagem de assuntos de caráter oficial, comprometendo a disciplina”.

Entenda a situação de Bolsonaro

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No ano seguinte, a mesma revista Veja divulgou um plano de militares de explodir bombas em unidades militares do Rio de Janeiro. A intenção seria pressionar o comando e o então ministro do Exército, Leônidas Pires Gonçalves. Bolsonaro afirmou à revista que o plano seria “só a explosão de algumas espoletas”.

Após a publicação, o ministro do Exército deu entrevista afirmando que Bolsonaro teria negado as informações. Bolsonaro foi julgado no Superior Tribunal Militar (STM) e considerado “não culpado” da acusação de bombas, por suposta falta de provas. Bolsonaro seguiu no Exército até 1988, quando passou para a reserva após ser eleito vereador do Rio de Janeiro.

* Com informações de Valor Econômico, Folha de S.Paulo e Veja

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