Potira Ribeiro, uma influenciadora da causa animal, acusou policiais de São Paulo e de Santa Catarina de agressão durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na capital paulista. De acordo com o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a ação policial tinha relação com o caso do cão Orelha, morto na Praia Brava, em Florianópolis, no começo de janeiro.

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A Polícia Civil de São Paulo informou que abriu um procedimento para apurar todas as circunstâncias dos fatos relacionados às imagens divulgadas pela mulher.

Membros do TJSC teriam sido alvos de influenciadora

A ação ocorreu na última sexta-feira (10) após a Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) pedir a expedição de mandado de busca e apreensão contra a influenciadora.

De acordo com o TJSC, Potira é alvo de um inquérito que apura supostos crimes praticados por ela contra membros do poder judiciário de Santa Catarina. O mandado foi cumprido por policiais civis, que também atuam no Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS), em parceria com a Policia Civil de São Paulo.

O TJSC não informou quais os crimes imputados contra a influenciadora e quem do poder judiciário teria sido alvo de Potira. Em um vídeo publicado pela defesa, o advogado Thiago Gebaili elenca calúnia e difamação.

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Influenciadora acusa policiais de violência

Nas redes sociais, Potira acusou os policiais de agressão durante o cumprimento da decisão judicial. Em um vídeo publicado no perfil da influenciadora (veja abaixo), é possível ver o momento em que uma policial bate a mão no celular do filho da ativista, que filmava toda a ação. Ela também relata que foi vítima de xingamentos. Em outro trecho, Potira os policiais tentam pegar um celular de suas mãos.

Durante a ação, a influenciadora chegou a ser encaminhada para a Delegacia de Polícia de São Paulo. Segundo o TJSC, foi instaurado termo circunstanciado e, depois, ela foi liberada.

Potira Ribeiro mantém nas redes sociais um perfil de seu cachorro com mais de 900 mil seguidores. Nele, ela publica ações da causa animal e cobrou esclarecimentos sobre a morte do cão Orelha, em Florianópolis.

Veja o vídeo

Defesa da influenciadora se manifesta sobre o caso

Em nota enviada ao NSC Total, o advogado Thiago Gebaili, responsável pela defesa de Potira Ribeiro, informou que tomou ciência da forma como o mandado de busca e apreensão foi cumprido pelos policiais e que repudia a “atuação truculenta e desrespeitosa”.

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A defesa também declarou que o caso será levado as Corregedorias das Policiais Civis de São Paulo e Santa Catarina. Veja a nota na íntegra.

“A defesa de Potira Ribeiro, @mendoncadog, na pessoa de seu advogado Thiago Gebaili, vem esclarecer que tomou ciência da forma como o mandado de busca e apreensão de aparelhos eletrônicos foi realizada pela Polícia Civil de Santa Catarina e pela Polícia Civil de São Paulo e repudia a atuação truculenta e desrespeitosa com, inclusive, emissão de juízo de valor pelos policiais e utilização de ironias e xingamentos, o que foge do padrão normal de atuação de tais instituições. O caso será levado às Corregedorias dessas instituições. Era o que me cumpria posicionar neste momento”.

O que diz a Polícia Civil e o TJSC

As Polícias Civis de São Paulo e de Santa Catarina também se manifestaram sobre as acusações feitas pelas influenciadoras. Em nota enviada ao NSC Total, a PCSP informou que instaurou procedimento correcional para apurar todas as circunstâncias dos fatos relacionados às imagens divulgadas.

“A instituição reitera que não compactua com desvios de conduta. Caso seja constatada alguma irregularidade, as medidas cabíveis serão adotadas conforme a legislação vigente”, diz.

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Já a PCSC confirmou que o mandado na casa da influenciadora foi cumprido pelo Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional (NIS) do TJSC e que, portanto, “cabe a eles [tribunal] a divulgação das informações”. Ainda conforme o delegado Pedro Mendes, o local com atribuição para avaliar a conduta da equipe é de responsabilidade da polícia paulista.

— Cumpre ressaltar que os policiais estiveram lá para cumprir uma ordem judicial, que antes de ser definida judicialmente, passou por uma manifestação do Ministério Público. Durante o cumprimento da ordem judicial, o alvo do mandado de busca investiu contra os policiais, motivo pelo qual foi feito um termo circunstanciado contra eles em São Paulo, que foi ratificado pela autoridade policial — diz.

O TJSC declarou que, para o cumprimento do mandado de busca e apreensão, foi solicitado a cooperação dos policiais civis do NIS, que foram até São Paulo para apoio nas diligências. “Durante o cumprimento da ordem judicial, em virtude da reação da pessoa, houve a condução dela até delegacia de polícia“, diz a nota do tribunal.

Entenda o caso cão Orelha

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Relembre o caso

Orelha foi encontrado agonizando na praia no dia 5 de janeiro por moradores. Ele foi levado ao veterinário, mas, devido aos ferimentos, não resistiu. O veterinário Derli Royer, responsável pelo socorro emergencial, contou que o animal tinha lesões graves na cabeça e no olho esquerdo, além de forte desidratação.

O laudo pericial feito em fevereiro após a exumação do cão Orelha não encontrou fraturas ou lesões no esqueleto que pudessem ter sido causadas por ação humana. A análise da Polícia Científica, acessada com exclusividade pela NSC TV, não permitiu afirmar qual a causa da morte do animal, que ocorreu no começo de janeiro deste ano.

“Todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente, não tendo sido constatada qualquer fratura ou lesão que pudesse ter sido causada por ação humana, nem mesmo em crânio, em região esquerda, na qual já foi discutido […] que há compatibilidade de ter havido ação traumática por instrumento contundente”, diz a análise.

NSC Total e todas as plataformas da NSC não divulgam o nome, nem a identidade dos adolescentes suspeitos em total respeito e consonância ao que determina o artigo 143 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda a “divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional”.

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Veja as notas na íntegra

O que diz Polícia Civil de São Paulo

“A Corregedoria Geral da Polícia Civil instaurou procedimento correcional para apurar todas as circunstâncias dos fatos relacionados às imagens divulgadas. A instituição reitera que não compactua com desvios de conduta. Caso seja constatada alguma irregularidade, as medidas cabíveis serão adotadas conforme a legislação vigente”.

O que diz a Polícia Civil de Santa Catarina

“Com relação ao mandado cumprido na casa de uma influenciadora em São Paulo, a Polícia Civil de Santa Catarina informa que a ação foi do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional do TJSC e que, portanto, cabe a eles a divulgação das informações”.